Economia & Mercado

Gasolina vai ficar mais cara? Saiba se disputa por petróleo entre EUA e Venezuela afeta o Brasil

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Os preços de produtos feitos a partir do petróleo, como a gasolina, poderiam sofrer com alterações pontuais  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Engin Akyurt / Unsplash
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 07/01/2026, às 13h51 - Atualizado às 13h57



Com o ataque dos Estados Unidos à Venezuela no último sábado (3), que resultou na captura de Nicolás Maduro, os impactos econômicos começaram a ser refletidos. Nesta quarta-feira (7), os preços ‌do petróleo bruto tiveram queda de cerca de 1,0% nos mercados mundiais. 

Com Donald Trump demonstrando interesse em intervir na indústria venezuelana de petróleo e variações no preço dos barris da commodity, os preços de produtos feitos a partir do petróleo, como a gasolina, poderiam sofrer com alterações pontuais durante este período de instabilidade.

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A Petrobrás sofreu uma ligeira queda na Bolsa de Valores, que pode ser explicada pela possibilidade do aumento de concorrentes no setor petrolífero caso o mercado de petróleo da Venezuela passe a operar sob gestão dos Estados Unidos. A Chevron, única petroleira estadunidense que opera na Venezuela, teve um crescimento de 10% após as declarações de Trump referentes ao petróleo do país.

Impacta?

A disputa por petróleo entre EUA e Venezuela tende a pressionar os preços da gasolina para baixo no médio prazo no Brasil, devido ao potencial aumento da oferta global, embora haja volatilidade no curto prazo. A maioria dos especialistas apontam para queda gradual dos preços internacionais do petróleo.

No entanto, o preço da gasolina no Brasil apresentou aumento no começo desse ano por fatores internos, ficando mais caro a partir de 1º de janeiro em todo o país devido ao aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). As alíquotas do ICMS de 2026 são de R$ 1,57 por litro de gasolina e R$ 1,17 por litro de diesel. O aumento do imposto foi de R$ 0,10 por litro de gasolina indo de R$ 0,05 por litro de diesel.

Embora a Venezuela detenha a maior reserva de petróleo do mundo, ela representa pouco menos de 1% de toda a produção de petróleo ao redor do globo. Além disso, o petróleo disponível no território venezuelano é mais pesado e ácido, o que exige maior esforço e investimento para refinação e produção da commodity, o que pode impactar diretamente no preço do combustível a médio e longo prazo.

Para Pedro Rodrigues, diretor e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura e Energia (CBIE), em entrevista ao InfoMobney, a ideia de petróleo mais baixo poderia ser positiva para o Brasil se a Petrobras (PETR3; PETR4) seguir paridade internacional de preço.

“O Brasil teria combustível mais barato. Por outro lado, para Petrobras, talvez não seja bom porque ela também vem de petróleo que também diminui a receita a Petrobras, que hoje é muito alavancada com o preço de petróleo muito alto”, considera. Com preço menor de petróleo, explica, poderia haver impacto para o balanço e a dívida Petrobras.

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Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), ao contrário das expectativas, o preço do petróleo retomou o viés de queda observado antes do ataque americano à Venezuela, elevando a vantagem para importação de diesel e gasolina para o mercado brasileiro.

No caso da gasolina, cujo preço foi reduzido em outubro do ano passado pela Petrobras, já são 49 dias de janelas abertas para importação, enquanto o diesel, há 246 dias sem reajuste pela estatal, está há oito dias com preços atrativos para os importadores.

"Com a redução no câmbio acompanhada pelos preços de referência da gasolina e do óleo diesel no mercado internacional no fechamento do dia útil anterior, o cenário médio de preços está acima da paridade para a gasolina e para o óleo diesel", informa a Abicom.

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