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Greve geral contra reforma trabalhista na Argentina afeta voos para o Brasil

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Greve geral de 24 horas afetou setor aéreo e provocou onda de cancelamentos  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 19/02/2026, às 10h25



A greve geral de 24 horas convocada pelas principais centrais sindicais da Argentina nesta quinta-feira (19) afetou em cheio o setor aéreo e provocou uma onda de cancelamentos de voos entre o país vizinho e o Brasil. O movimento é um protesto contra a reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei.

Com a adesão de diferentes categorias, os principais aeroportos argentinos tiveram as atividades comprometidas, impactando conexões com cidades brasileiras. No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, ao menos 21 voos com origem ou destino à Argentina foram cancelados durante a manhã, incluindo rotas para Buenos Aires e Mendoza.

A suspensão das operações também atingiu outros terminais internacionais no Brasil, como o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão, o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, e o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Entre as empresas afetadas estão a Aerolíneas Argentinas, a Gol Linhas Aéreas e a Latam Airlines, além de companhias internacionais.

A Latam informou que precisou ajustar sua malha após a adesão de trabalhadores da Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa nos aeroportos argentinos. A companhia alertou que alguns voos podem sofrer alterações de horário ou data, mesmo quando não há cancelamento. Passageiros impactados poderão remarcar a viagem sem custos, dentro do prazo de um ano a partir da data original, ou solicitar reembolso integral.

Já a Gol afirmou que a greve inviabiliza as operações nas principais cidades da Argentina, como Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário. A empresa também disponibilizou aos clientes a possibilidade de remarcação gratuita ou devolução do valor pago.

A Aerolíneas Argentinas, por sua vez, anunciou o cancelamento de 255 voos e estimou que cerca de 31 mil passageiros serão afetados. Segundo a estatal, o impacto financeiro pode chegar a US$ 3 milhões, ou seja, cerca de R$ 15,71 milhões. A companhia informou ainda que aplicará descontos salariais aos funcionários que aderirem à paralisação e que adotou medidas para reduzir os prejuízos aos clientes, como reacomodações e ajustes na programação.

A mobilização é liderada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), que pressiona parlamentares a barrar ou modificar a proposta aprovada recentemente no Senado e agora em análise na Câmara dos Deputados.

O texto da reforma prevê mudanças como redução de indenizações, possibilidade de pagamento em bens e serviços, ampliação da jornada para até 12 horas diárias e restrições ao direito de greve. Para os sindicatos, as alterações representam perda de direitos históricos e precarização das relações de trabalho.

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