Economia & Mercado

IA avança e já afeta empregos no Brasil; entenda quem está na mira dos robôs

Foto Ilustrativa / Freepik
Pesquisa indica queda nas chances de emprego para jovens e ameaça formação profissional  |   Bnews - Divulgação Foto Ilustrativa / Freepik
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 23/04/2026, às 09h06 - Atualizado às 12h48



A inteligência artificial (IA) veio para transformar a realidade e já provoca mudanças profundas no mercado de trabalho. Uma pesquisa realizada no Brasil confirma que estas tecnologias já afetam o emprego e a renda dos jovens.

Conforme a previsão de estudos de instituições renomadas, incluindo universidades como a Stanford, nos Estados Unidos, os recém-ingressos no mercado de trabalho estariam entre os mais atingidos pelo desenvolvimento da IA generativa.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Pesquisa brasileira

Os setores mais vulneráveis aos impactos da chegada desta tecnologia são os serviços de informação, comunicação e financeiros. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), os jovens de 18 a 29 anos que atuam nessas áreas consideradas mais expostas têm quase 5% menos chances de conseguir um emprego do que antes da IA.

Por enquanto, os profissionais com mais experiência e na etapa final da carreira parecem ter sido menos afetados. A análise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que as faixas de 30 a 44 anos e de 45 a 59 anos foram muito pouco afetadas.

Segundo os especialistas que desenvolveram a pesquisa, o fenômeno é percebido porque, nessas áreas, as atividades desempenhadas pelos mais jovens e em início de carreira são as que mais podem ter a aplicação da IA. São tarefas como montar tabelas, gráficos ou escrever resumos, e essas tecnologias podem executar com eficiência e rapidez.

Já os trabalhos considerados “sêniores”, que envolvem mais responsabilidade, análise e tomada de decisão, estão menos suscetíveis à substituição pela IA. Mesmo nas áreas mais vulneráveis, o elemento humano com experiência ainda continua menos suscetíveis à substituição pela IA.

Impactos para os jovens

Conforme os pesquisadores, os impactos começaram a ser sentidos pelos mais jovens  no ano seguinte ao surgimento da inteligência artificial generativa de massa, com o chatGPT, no fim de 2022. Esses impactos se tornaram mais profundos em 2024 e 2025, com a aparição de outros robôs, como Claude e Gemini.

A tendência, segundo as análises, é de que as mudanças continuem em ritmo acelerado. Isso porque a adoção da IA está sendo mais rápida do que a adoção de várias outras tecnologias no passado.

Em países desenvolvidos, onde a automatização do trabalho é mais acelerada, o recrutamento de jovens desenvolvedores já chegou a cair até 20%, segundo constataram pesquisadores do Laboratório de Economia Digital de Stanford, no Estados Unidos, em novembro de 2025. Em média, a queda da empregabilidade foi de 16% nos setores mais expostos.

No Brasil, esta substituição ocorre de forma um pouco mais lenta e o mercado está um pouco menos exposto do que os países desenvolvidos. No entanto, mas existem as questões da ‘substituibilidade’, que é o quanto a pessoa é altamente substituível pela IA, e da ‘complementaridade’, ou seja, o quanto o trabalho dela é complementar ao da IA.

Democratização da IA

Para garantir a empregabilidade, é necessário investimento na educação. No Brasil, o maior entrave é a baixa qualificação da mão de obra no país. Para ser complementar à IA, é preciso ter o domínio da tecnologia.

Conforme analisam os especialistas, a democratização do acesso à IA e a distribuição dos seus benefícios para a produtividade em todas as camadas da sociedade estão entre os principais desafios para o futuro do mercado de trabalho.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)