Economia & Mercado

Imóveis de luxo no réveillon: Valores das diárias ultrapassam R$ 40 mil no Brasil e especialistas alertam para "epidemia" de golpes

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Procura pela virada exclusiva inflacionou o mercado de luxo no Brasil  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 15/12/2025, às 08h22 - Atualizado às 08h36



O mercado de aluguel de temporada para o Réveillon 2025/2026 desenha um cenário de extremos. Devido à alta do dólar, que retém o turista brasileiro classe A no país, e pelo recorde de visitantes estrangeiros, o setor vive uma inflação sem precedentes nos destinos de luxo. O que antes era uma exclusividade de ilhas privadas ou destinos internacionais agora é realidade pelo litoral brasileiro: diárias que partem de R$ 4 mil em imóveis padrões e superam os R$ 40 mil em propriedades de ultraluxo. 

Se Florianópolis, em Santa Catarina, aparece na vice-liderança dos destinos mais cobiçados segundo a Booking.com, com diárias de até R$ 30 mil na Praia do Campeche, o fenômeno se repete também com força no Nordeste e em outras praças do Sul. Em São Miguel dos Milagres (AL), mansões "pé na areia" na Praia do Marceneiro estão sendo locadas por R$ 40 mil a diária na semana da virada, valor impulsionado pela privacidade absoluta e serviços de hotelaria inclusos.  Já em Balneário Camboriú (SC), a verticalização do luxo cobra o seu preço: coberturas em arranha céus de luxo atingem patamares similares. 

Com a ocupação hoteleira prevista para ultrapassar 95% em destinos que incluem capitais como Fortaleza, e chegar a 88% em Fernando de Noronha, o imóvel de temporada ganha protagonismo para quem decide viajar na última hora, explica o CEO do IBREP (Instituto Brasileiro de Educação Profissional), Diogo Martins. 

"No Réveillon 2026, o que está em jogo não é só metragem ou número de quartos. A oferta de imóveis realmente premium, com vista privilegiada, área de lazer completa e estrutura de resort, é muito menor do que a quantidade de pessoas dispostas a pagar por essa experiência em poucos dias do ano", analisa. 

Ele complementa que a equação se agrava com o fator internacional: "Quando você soma a escassez ao aumento de turistas estrangeiros, que injetaram bilhões na economia este ano e a um período curtíssimo e concorrido, é natural que as diárias alcancem valores que parecem irreais para a média do mercado, mas que encontram pagadores”, afirma.  

O "efeito colateral": os golpes

A euforia do mercado criou um terreno fértil para práticas ilegais. Autoridades policiais do Paraná, São Paulo e Santa Catarina emitiram alertas coordenados sobre a sofisticação dos estelionatos neste fim de ano. "O golpe não é mais apenas um anúncio malfeito; agora, criminosos clonam perfis de corretores reais e criam "imobiliárias fantasmas" para dar veracidade à fraude”, alerta Diogo.  

"Como os valores sobem e a procura explode, os golpistas encontram um terreno fértil. Perfis falsos, anúncios clonados (copiados de sites legítimos) e ofertas muito abaixo da média são iscas clássicas. Além disso, é preciso atenção total com supostos proprietários que pressionam para concluir a negociação fora das plataformas oficiais, alegando 'taxas menores'. Em muitos casos, essas pessoas oferecem imóveis que não existem ou que não lhes pertencem." 

A tática da "falsa urgência" tem sido a principal arma dos golpistas: eles alegam que há outro casal interessado transferindo o sinal naquele momento, forçando a vítima a agir por impulso emocional.  "Infelizmente, muitas vezes o comprador só descobre o golpe ao chegar ao endereço com as malas e encontrar a casa ocupada pelos verdadeiros donos", relata Martins. 

Como blindar as férias contra fraudes

Para quem ainda busca acomodação para a virada, a orientação dos especialistas é o ceticismo sistemático. O IBREP além de órgãos de defesa do consumidor, elenca os protocolos essenciais: 

Credenciamento: "A orientação é fechar negócio apenas com corretores de imóveis credenciados no CRECI e com imobiliárias reconhecidas", reforça Martins. O registro profissional é garantia de que há uma pessoa física ou jurídica responsável pela transação. 

A "Prova" do imóvel: Exija uma videochamada de dentro do imóvel. Golpistas que apenas clonaram fotos da internet provavelmente não conseguirão realizar essa etapa. 

Desconfie do "preço de amigo": Em um mercado onde a diária média de luxo supera R$ 4 mil, ofertas de casas espetaculares por valores irrisórios são estatisticamente fraudes. 

Rastro financeiro: Evite pagamentos via Pix para contas de pessoas físicas desconhecidas (CPFs que não batem com o nome do proprietário). Prefira transações via cartão de crédito ou plataformas que retêm o valor até o check-in.

Classificação Indicativa: Livre

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