Economia & Mercado
por Leonardo Oliveira
Publicado em 28/05/2025, às 10h00
A chegada da montadora chinesa Neta Auto ao Brasil, marcada por promessas de rápida expansão e grandes investimentos, já encontra sérias incertezas quanto à sua continuidade no país.
Apesar da inauguração de uma concessionária no Rio de Janeiro em janeiro, a empresa cancelou a abertura de pontos de venda previstos para Brasília e Manaus antes mesmo do início das operações. Além disso, quiosques de demonstração em shoppings foram desativados, indicando dificuldades mais profundas.
A presença digital da Neta Auto também sofreu um forte impacto: os perfis oficiais da marca no Instagram, LinkedIn e Facebook foram desativados, e o site brasileiro está fora do ar, exibindo apenas uma mensagem genérica de “em manutenção”. Atualmente, apenas o Instagram da concessionária do Rio de Janeiro segue ativo, divulgando modelos e promoções. O silêncio nas redes sociais e na comunicação oficial reforça a percepção de fragilidade na operação brasileira.
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No quesito vendas, o desempenho da Neta Auto no mercado nacional é discreto. Entre janeiro e abril de 2025, foram vendidos apenas 42 veículos dos modelos Aya e X. Embora esse número supere as vendas de elétricos de marcas como Ford e Volkswagen no mesmo período, está muito aquém da meta da montadora, que previa a abertura de 30 lojas até o fim do ano. Essa diferença entre expectativa e realidade dificulta a consolidação da marca no Brasil.
Planos da empresa e cenário internacional
Em comunicado oficial, Fang Yunzhou, CEO da Hozon New Energy Automobile (controladora da Neta Auto), afirmou que o Brasil segue como prioridade estratégica fora da China. Ele reconheceu que a empresa passa por um processo de reformulação, mas prometeu o anúncio de novos investimentos em breve. Segundo Yunzhou, o varejo brasileiro está apenas começando, com planos para novas lojas e negociações em andamento com clientes de frotas. A empresa promete apresentar novas estratégias para ampliar sua presença no país.
A estrutura acionária da Hozon New Energy pode ser um fator de estabilidade: 49% do capital é estatal, o que sugere possível apoio governamental em momentos de instabilidade. No entanto, essa relação não tem impedido crises internas na matriz chinesa.
Na China, a fábrica de Tongxiang está parada desde o fim de 2024, devido à queda nas vendas e problemas financeiros. A empresa acumula dívidas com fornecedores e enfrentou protestos de funcionários por atrasos no pagamento de bônus, o que afeta a imagem global da marca e pode impactar os planos internacionais, incluindo o Brasil.
Fora da China, o cenário é diverso. Na Tailândia, a Neta Auto registra mais de 25 mil unidades vendidas e desempenho positivo. Recentemente, a empresa precisou desmentir boatos de falência, originados por um credor do setor de publicidade que entrou em processo de falência, reforçando a necessidade de comunicação clara com clientes e investidores.
Desafios do mercado brasileiro
Especialistas do setor apontam que a consolidação da Neta Auto no Brasil enfrenta um ambiente desafiador. O mercado nacional de carros elétricos ainda é emergente, competitivo e exige investimentos robustos e estratégias adaptadas à realidade local. A crise global de semicondutores, alta nos custos de produção e desafios logísticos para importação da China — como barreiras tarifárias, certificações e regulamentações — dificultam ainda mais a operação.
Esses fatores impactam diretamente os prazos de entrega, a disponibilidade dos veículos e a percepção do público sobre a marca. O recente fechamento de lojas e a redução da presença digital podem indicar um recuo estratégico da Neta Auto para evitar prejuízos maiores no Brasil. Apesar disso, a empresa segue declarando que o país é prioridade e promete novos investimentos para o futuro.
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