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BNews Novembro Azul: Especialista ressalta importância de ampliar discussão para saúde mental masculina

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Embora voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata, campanha deve ampliar debates para saúde mental  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 08/11/2025, às 06h00



Embora o Novembro Azul seja anualmente dedicado à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata, é importante ampliar as discussões para a saúde mental masculina. Isso porque, a masculinidade está, por muitos anos, associada à força e à repressão de emoções, o que contribui para que muitos homens evitam buscar ajuda. 

O psicólogo Emerson Pestana é um dos idealizadores do projeto Seja Homem, que promove reflexões sobre masculinidades, saúde mental e autocuidado entre homens. O projeto surgiu em 2019, a partir de uma inquietação sobre a falta de espaços para que os homens falassem de si mesmos. Segundo o profissional, há alguns fatores psicológicos que impedem os homens de procurar ajuda médica.

“Existe o medo da vulnerabilidade, o medo de pedir ajuda, e a ideia de que isso é sinal de fraqueza. Culturalmente, os homens são ensinados a resolver tudo sozinhos, o que reforça ainda mais o comportamento de evitação”, contou ele, ao BNews, ressaltando que muitos ainda não desenvolveram habilidades emocionais básicas.

“Têm dificuldade em reconhecer e nomear o que sentem. Se o homem não consegue identificar suas próprias emoções, como vai perceber que não está bem ou que precisa de ajuda? Falta repertório emocional até para entender o próprio sofrimento”, acrescentou. 

'Masculinidade'

Emerson observa que o comportamento masculino costuma ser incentivado à imprudência, isentando a responsabilidade das consequências. “O homem bebe muito e quer ter menos ressaca; dirige rápido e acha que não pode bater. Existe uma desconexão entre causa e consequência, como se a masculinidade viesse acompanhada de um escudo de invulnerabilidade. Tudo isso cria um terreno fértil para o adoecimento e/ou para a negação dele”, continuou  o psicólogo.

Ainda, ressalta que a campanha Novembro Azul pode trazer medidas mais eficazes para desmistificar o tabu em torno da terapia para os homens. “O Novembro Azul precisa se reinventar, entendendo que a saúde do homem vai além da próstata. É preciso ampliar o olhar para o corpo, a mente e as relações, trazendo representatividade e autenticidade. Homens reais falando de suas experiências ajudam a quebrar o tabu da vulnerabilidade e mostram que cuidar de si é um ato de coragem, não de fraqueza”. 

Por fim, ele destaca que as campanhas devem promover espaços de escuta, rodas de conversa e ações que abordem temas como ansiedade, estresse e paternidade, por exemplo. “Quando o homem se vê acolhido e sem julgamento, ele começa a enxergar o autocuidado como parte natural da vida e não como algo que fere sua masculinidade”, concluiu. 

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