Economia & Mercado
por Cibele Gentil
Publicado em 28/04/2026, às 08h37 - Atualizado às 11h12
Em um cenário de juros elevados, os níveis de inadimplência no país são preocupantes. Conforme informações divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (27), o endividamento das famílias subiu para 49,9% em fevereiro, alcançando o maior patamar da série histórica.
De acordo com o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, o comprometimento da renda das pessoas físicas também avançou no período, chegando a 29,7%. O documento mostra ainda que cerca de 19% da renda das famílias é destinada ao pagamento do montante principal de dívidas e 10,63% vai para o pagamento de juros.
Desenrola 2.0
Em declaração feita também nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, um novo programa do governo deve ser anunciado esta semana. O Desenrola 2.0, como vem sendo chamado, vai permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a renegociação das dívidas.
“O programa tem aquela linha geral de exigir reduções de uma dívida que as famílias brasileiras mais sofrem hoje como o cartão de crédito, o CDC (crédito direto ao consumidor) e o cheque especial”, explicou o ministro. Ele acrescentou, no entanto, que haverá um limite para o uso do FGTS no Desenrola.
“A limitação que vai ter para garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então é um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida”, explicou.
Dario Durigan também adiantou que o Desenrola vai ter um aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO). “Vai ter um aporte no FGO também, isso está previsto nas medidas que a gente vai colocar. Vai ser o suficiente para a gente garantir a renegociação de quem quiser fazer essa renegociação”, declarou.
Medida pontual
O ministro ressaltou, ainda, que o programa ocorrerá apenas como uma medida excepcional. Não será um “Refis periódico”, como salientou.
“Tanto no Desenrola que aconteceu em 2023 quanto no de agora, tratam-se de medidas pontuais e as pessoas não devem contar com a recorrência desse tipo de medida. Nós estamos vivendo uma situação excepcional, as famílias têm um problema, estamos vendo uma guerra e vendo alguns impactos que muitas vezes fogem ao nosso controle. Mas é importante dizer que não se trata de um Refis recorrente”, disse o ministro.
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