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Um mar de inseguranças: Moradores de Stella Maris e Praia do Flamengo denunciam abandono e falta de segurança na região

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Abandono do Projeto Orla e falta de iluminação preocupam moradores de Stella Maris e Praia do Flamengo  |   Bnews - Divulgação Foto: Vagner Ferreira
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 20/12/2025, às 07h00



Moradores de Stella Maris e da Praia do Flamengo voltaram a denunciar o abandono do Projeto Orla e o aumento da sensação de insegurança na região. A falta de iluminação pública, segundo a comunidade, tem facilitado a ação de criminosos e contribuído para uma sequência de assaltos, registrados, inclusive, durante o dia, tendo tanto moradores, quanto turistas, como alvos dos descasos.

Residente do bairro de Stella Maris, a head de estratégia, Karoline Barbosa, é uma dessas pessoas que tem feito críticas à região. “Nos últimos tempos, a sensação entre moradores e comerciantes é de abandono. O Projeto Orla, que deveria garantir cuidado contínuo com esse espaço, não aparece no dia a dia. Falta manutenção, falta presença e, principalmente, falta continuidade. A orla segue bonita, mas mal cuidada e isso pesa na forma como as pessoas ocupam e circulam pelo bairro”, descreveu.

O problema também é sentido pela moradora da Praia do Flamengo, Maila Medrado, que trabalha como autônoma. “Que o nosso bairro tenha visibilidade, porque a região de Praia Flamengo e Stella Mares é uma região ótima, muito bonita, com muitos turistas, mas a criminalidade está demais, com muito assalto, muito roubo, principalmente quando anoitece ou quando tá amanhecendo”, contou.

“E é muito perigoso a gente ver os assaltos acontecendo e os meliantes fugindo. A gente pede auxílio para que a polícia possa nos proteger e fazer uma segurança maior no bairro”, continuou ela. A Polícia Militar (PM) realizou uma reunião com a população e com a associação de moradores nesta terça-feira (16), na 15ª Companhia, em Itapuã, para discutir o assunto. 

Em busca de respostas

Para esclarecer as responsabilidades sobre segurança e iluminação pública na região, a equipe do BNews entrou em contato com a Neoenergia Coelba, que informou que a manutenção e a instalação da iluminação pública são de responsabilidade da administração municipal.

A Prefeitura de Salvador, por meio da Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip), um órgão ligado à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), também foi acionada. Em nota, a pasta explicou que o trecho conta com luminárias especiais, equipadas com anteparo para a proteção das tartarugas marinhas, cada uma avaliada em cerca de R$ 1.200. Segundo a secretária, esses equipamentos vêm sendo alvo frequente de furtos, o que compromete a iluminação do local.

Iluminação pública

A moradora, Maila, descreve a iluminação pública local como péssima. “Roubaram várias lâmpadas da orla, que está bem escura. As lâmpadas foram trocadas, mas roubadas novamente. A orla foi revitalizada, ficou linda, mas totalmente escura e sem segurança. Quando começa a anoitecer, ninguém anda mais por lá, e quando tem que andar, é sempre com medo e preocupado”, descreveu.

Karoline também destaca o fator como uma das maiores preocupações do bairro. “Existem trechos inteiros completamente escuros, especialmente à noite, em pontos de ônibus, estacionamentos e áreas de passagem. Quando a luz falta, a insegurança cresce. Não é coincidência que os relatos de assaltos tenham aumentado justamente nesses locais. As pessoas passaram a evitar caminhar, mudar horários e até deixar de frequentar a própria orla”, pontuou.

“O problema não é isolado. É uma realidade que se repete e que afeta diretamente a vida de quem mora, trabalha e consome na região. O comércio sente, o turismo sente e os moradores sentem no dia a dia. A orla deixa de cumprir seu papel de espaço público seguro e acolhedor”, continuou.

A Dsip esclarece que a falta de luz em trechos de acesso à Praia do Flamengo é, de fato, consequência direta de ações criminosas de furto e vandalismo. “O local havia recebido nova iluminação pela Prefeitura em outubro, que realizou uma operação completa de reposição. No entanto, os equipamentos recém-instalados foram novamente vandalizados e furtados em curto espaço de tempo”, comunicou o órgão em nota ao BNews.

“O prejuízo causado por esses crimes vai além da segurança pública, afeta também a fauna local. As luminárias furtadas possuem aparatos especiais para proteção das tartarugas marinhas. Somente este ano, a Dsip já repôs mais de 400 equipamentos entre Stella Maris e Praia do Flamengo, somando um prejuízo de quase R$ 650 mil à cidade”, complementou.

Ainda, a Dsip informou que enviará novamente uma equipe técnica ao local para verificar a situação atual, levantar novos danos e adotar as providências necessárias para restabelecer o serviço o mais breve possível. No mais, ressaltou que a população pode e deve denunciar movimentações suspeitas nos postes por meio do telefone 156 ou pelo WhatsApp (71) 99946-3923.

Reforço das equipes

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou ao BNews que está com equipes de  reforço nas localidades e que “o novo Batalhão da Polícia Militar (PM), implantado na região do bairro de Itapuã, intensificou as ações ostensivas na região de Praia do Flamengo e Stella Maris”.

Já a PM informou que o policiamento na área é realizado diuturnamente pelo 32º Batalhão, com o emprego de guarnições motorizadas em rondas ostensivas preventivas.

“A unidade tem intensificado constantemente o policiamento, inclusive com operações, com vistas a coibir ações delituosas de quaisquer naturezas, contando com o reforço e o apoio de unidades convencionais, táticas e especializadas, que realizam constantes ações preventivas na região”, comunicou a corporação em nota ao BNews.

Outrossim, reforçou a importância da participação da população, orientando que qualquer situação fora da normalidade seja comunicada imediatamente pelos números 190 ou 181 (Disque-Denúncia), além do registro da ocorrência na unidade da Polícia Civil responsável pela área.

Vale ressaltar que a SSP já havia destacado que a Polícia Civil tinha ampliado as ações de inteligência para localizar os autores dos furtos. 

“É fundamental entender o que está sendo feito, quais são os entraves e, principalmente, quais medidas concretas estão previstas para resolver esses problemas. A população precisa de respostas claras e de ações visíveis. E abrir esse diálogo é um passo necessário. Não se trata de acusar, mas de esclarecer e buscar soluções”, disse Karoline. “A Praia do Flamengo e Stella Maris precisam voltar a ser lugares onde as pessoas se sintam seguras para circular, trabalhar e viver”, concluiu.

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