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US$ 82 bilhões na mesa: Descubra como HBO, Harry Potter e Friends podem parar nas mãos da Netflix

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A fusão representa uma mudança significativa no modelo de TV tradicional, que enfrenta queda de receita e migração para o streaming.  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 05/12/2025, às 09h54 - Atualizado às 09h55



A Netflix deu um passo decisivo em direção à maior aquisição de sua história. Segundo fontes próximas às negociações, os acionistas da Warner Bros. receberão cerca de US$ 27,75 por ação, em dinheiro e papéis da própria Netflix. O acordo, se confirmado, avalia a fusão das duas gigantes em aproximadamente US$ 82,7 bilhões. A informação é da Bloomberg.

Segundo a reportagem, para reduzir riscos, a Netflix se comprometeu a pagar uma multa de US$ 5 bilhões caso os reguladores barrem a transação. A expectativa é que o anúncio oficial seja feito nos próximos dias, desde que as conversas não sofram reviravoltas.

Antes da conclusão da venda, a Warner Bros. deve finalizar a separação de seus canais de TV a cabo, incluindo CNN, TBS e TNT, parte de uma reestruturação já planejada.

Ainda de acordo com a publicação, no mercado financeiro, a notícia mexeu com os investidores: as ações da Warner Bros. subiram cerca de 3,7% no pré-mercado desta sexta-feira, enquanto os papéis da Netflix recuaram ligeiramente, em torno de 0,6%.

Se concretizado, o negócio representará uma transformação profunda na indústria do entretenimento, unindo o maior serviço de streaming do mundo a um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood. A operação também marcaria uma guinada estratégica para a Netflix, que até hoje nunca havia realizado uma aquisição dessa magnitude.

Com a compra, a empresa passaria a controlar a HBO e seu catálogo de séries icônicas, como Os Sopranos e The White Lotus. Além disso, herdaria os estúdios de Burbank, na Califórnia, e uma biblioteca de títulos que inclui sucessos como Harry Potter e Friends.

A disputa pela Warner Bros. vinha sendo acirrada. David Ellison, CEO da Paramount Skydance e filho do bilionário Larry Ellison, havia feito múltiplas ofertas não solicitadas. A Comcast também entrou na corrida. A Paramount chegou a acusar a Warner de favorecer a Netflix, alegando que o processo de venda teria sido conduzido de forma “viciada”.

O cenário reflete a crise do modelo tradicional de TV, que perde espaço rapidamente para o streaming. No último trimestre, a divisão de canais da Warner registrou queda de 23% na receita, pressionada pela fuga de assinantes e pela migração de anunciantes para plataformas digitais.

Analistas da Bloomberg Intelligence avaliam que a Netflix desponta como favorita na disputa, à frente da Paramount e da Comcast. Eles destacam que uma oferta de US$ 30 por ação elevaria a avaliação da Warner para US$ 75 bilhões, mas também poderia levantar sérias preocupações de monopólio, já que a base combinada ultrapassaria 450 milhões de assinantes.

Fundada nos anos 1990 como um serviço de aluguel de DVDs, a Netflix encerrou 2024 com US$ 39 bilhões em receitas e valor de mercado estimado em US$ 437 bilhões. A Warner Bros., criada na década de 1920, também registrou vendas acima de US$ 39 bilhões no mesmo período.

Apesar do potencial, o acordo deve enfrentar forte escrutínio regulatório nos Estados Unidos e na Europa. Parlamentares republicanos já manifestaram preocupação, alegando que a fusão poderia prejudicar consumidores. Em Hollywood, há quem tema que a Netflix mantenha sua postura de evitar lançamentos tradicionais nos cinemas, limitando a exibição de grandes produções às telas de streaming.

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