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Conheça o funkeiro baiano que causou reboliço com clipe picante

Imagem Conheça o funkeiro baiano que causou reboliço com clipe picante

Mr Galiza acredita que o estilo carioca tem repercussão positiva em Salvador

Publicado em 06/06/2013, às 12h25        Terena Cardoso (Twittter: @terena_cardoso)

Após ter dado uma entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, Mr Galiza atendeu ao Bocão News animado nesta quarta-feira (05). O funkeiro baiano, que tem causado reboliço nacional com o seu clipe “Vai Vendo”, agradeceu a oportunidade de esclarecer algumas polêmicas que acredita vir de pessoas mal resolvidas. Para ele, o funk carioca tem repercussão positiva em Salvador, mas não vai deixar de sofrer preconceitos.

Quem ainda não viu, vai uma breve explicação: o clipe é regado a sexo, mulheres, dinheiro, bebidas e muito semelhante às produções do Rio de Janeiro. Se demonstrando preparado para enfrentar o sucesso ou o insucesso, Galiza não deteve as palavras. Falou sobre seu início de carreira como funkeiro, a decisão de perambular pela ‘baixaria’ e fez uma revelação interessante: “Uma das mulheres do clipe é a minha esposa”.

Confira na íntegra a entrevista com Robert Galiza da Silva, de 33 anos, o “Mr ” que está ‘causando’ na capital baiana.

Em seu novo clipe você cita alguns bairros como Engenho Velho de Brotas e Itapuã. Onde você nasceu e se criou em Salvador?

Sou nascido no bairro de Pau da Lima, criado no Cabula e atualmente moro em de Lauro de Freitas.

Você sempre foi focado no funk ou já passou por outros estilos musicais? Conte um pouco a sua história.

Eu sempre fui percussionista. Passei quatro anos na Timbalada, mas sempre cantei pagode. Ano passado algumas músicas minhas até estouraram. “Cadê Coco?” e “Ai como tô bandida” são minhas. Tenho toda uma história musical. A música entrou na minha vida em 1999 quando eu cantava na banda “Pra querer” e convidei o MC Sapão para o Carnaval da Bahia e ele subiu no trio comigo. Esse ano, inclusive, eu fiz o primeiro arrastão de funk do mundo na terça-feira de Carnaval a convite de Robbyssão quando ele estava na Blackstyle. Eu sou o primeiro funkeiro do mundo a fazer um arrastão de funk no Carnaval de Salvador. Canto funk em suas diversas vertentes, o funk “ostentação” é só um deles. Tem o “melody”, o “proibidão”....  Sou funkeiro, apesar de ter uma bagagem grande. São 20 anos de carreira. Me joguei nesse movimento mesmo há um ano e meio por perceber que o funk no Brasil estava forte, mas não tínhamos mesmo o funk baiano. Pego as batidas e junto com as linguagens de Salvador, que foi o que me projetou. Eu sou baiano, tenho sotaque. Não falo “carioquês” nem “paulista”, mas a minha particularidade é justamente essa questão sonora.

Como você avalia essa inserção do funk carioca na Bahia?

Há mais ou menos uns seis anos eu passei a perceber que os eventos de Salvador são eventos que já têm na sua grade o funk. Com os Djs tocando somente funk ou os próprios MCs vindos pra cantar nessas festas. A resposta é muito forte. Fazer funk na Bahia me deixa a vontade porque temos essa pluralidade musical. Ainda que exista resistência por parte de pessoas preconceituosas, o funk é uma realidade. Nas ruas os carros já estão divididos. Tocam pagode e tocam funk. E atribuo esse sucesso ao ritmo e ao tambor associado ao comando da voz e a letra que eu vou cantando.

Você sofre preconceito nesse meio artístico? Tem medo de rejeição?

Eu, como funkeiro, estou chegando agora. Mas, o funk já tem 30 anos e desde quando surgiu até hoje passou, passa e continua passando por preconceitos. O cara que canta funk é como se fosse uma árvore, é necessário que se reconheça o fruto que ele dá. Tenho um CD agora com 14 músicas inéditas com todos os estilos musicais. Escolhi a “Vai Vendo” como música de trabalho porque sei que ‘ostentação’ é o que domina agora. O funk em São Paulo hoje é muito forte. E minha intenção é chegar até lá e não tenho como chegar lá fazendo o ‘proibidão’, por exemplo. As imagens do clipe são só pra ilustrar a letra. A ideia é que as pessoas tenham a imagem daquilo que o MC vende. Hoje eu fui confirmado na maior festa de camisa colorida do mundo que é o Salvador Fest e vou cantar com os maiores MCs nacionais. Quem tiver lá vai ouvir “Vai Vendo” e outro repertório bacana.

A ostentação, mulheres nuas, falar de sexo... É realmente necessário tudo isso para ter sucesso com o funk hoje?

Não creio que seja necessário. Mas que fique claro: as imagens do clipe foram todas premeditadas, pensadas e estou disposto a arcar com o sucesso ou declínio, apesar de eu achar que não tem nada demais do que se vê nas novelas de horário nobre. Na internet as pessoas têm acesso a imagens mais fortes. Ali, eu sou personagem e eu faço questão de vivenciar aqueles 1min58 de clipe porque aquilo é o que 99% dos homens do mundo querem vivenciar uma única vez na vida. Que é estar bem resolvido, com joias caras e com três mulheres na cama.

Então, você está nesses 99%?

Com certeza...

Muito se discute sobre a postura das mulheres em seu clipe. O que você tem a dizer sobre isso? Você acha que contribuiu negativamente para a imagem das mulheres de modo geral?

Negativo. Primeiro ponto: são três mulheres. Todas três são profissionais. As três fizeram as imagens em comum acordo. Das três, uma é minha espoa. Ela é a que eu beijo na boca. Nada foi forçado e ensaiamos várias vezes. Então, a ideia que o Mr Galiza tem é que todas as três estavam atuando da mesma forma que o Mr Galiza estava atuando. Eu tenho certeza que as mulheres bem resolvidas sexualmente, financeiramente, diriam que adorariam estar assim. Biquíni pequeno, ter grana... Ali no clipe elas são profissionais. Minha esposa, inclusive, é cabeleireira de mão cheia. A loira é MC também e a outra é dançarina dela. Vivem de música, de holofotes, de matérias, de mídia. São profissionais. Vejo com naturalidade porque é um trabalho. Para você ter uma ideia, eu não gosto nem de whisk, mas no clipe bebi isso. Tudo para dar vida às imagens.

Você acha que a mulher nutre um sentimento não revelado sobre gostar de homens como o que você interpreta no clipe “Vai vendo”?

Com certeza. Você acha que mulheres casadas e bem resolvidas não vão querer que seu esposo desse a elas uma vida de ostentação? Se assumam. Ostentação, carinho, joias e respeito, toda mulher quer. Ali eu deixo claro que sou um intérprete. O sorriso delas no clipe era natural, porque gostariam de estar ali.

Galiza, você tem religião?

Sou espírita

Tem filhos?

Tenho um filho de seis anos. E por incrível que pareça, ele participou da música. O gritinho do refrão é do meu filho.

E se você tivesse filhas e elas dançassem igual às mulheres no seu clipe no baile funk?

Minhas filhas seriam tão bem educadas e bem dirigidas e assessoradas como meu filho é. Se ele estivesse aqui agora ele iria te dizer o que é certo e errado. Não tenho tatuagem, não tenho brinco, não fumo, não bebo, só socialmente. Tudo isso em função da criação que meu pai me deu. E minhas filhas seriam educadas da minha forma. Se elas fizessem isso eu ensinaria que ir para o baile sem calcinha e vestido curto, a periquita vai aparecer, vão filmar e elas teriam que arcar com isso.

Para finalizar, você já foi comparado com o Mr Catra alguma vez?

Não. Mas a comparação será inevitável talvez pelo “Mr”. Os cantores de funk geralmente usam “MC”. Quando você bota “MC” você fica muito limitado a somente cantar funk. Com uma carreira de 20 anos e experiência musical forte, eu preferi o usar o “Mr” porque significa “senhor”.  Ser mister é ser um senhor de respeito e com qualidade musical. As comparações com Catra são inevitáveis, mas eu tenho consciência que meu trabalho não é à toa, sou focado. Sei que as críticas e a polêmica surgem a partir de pessoas mal resolvidas.  Mas, eu sou pai de família e preciso trabalhar. 

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Publicada dia 5 de maio às 12h20

Classificação Indicativa: 18 anos