Entretenimento
por Gabriel Santana
Publicado em 10/08/2026, às 14h51
A identidade dos assassinos do rapper famoso, Tupac Shakur, segue sendo um mistério mesmo após três décadas da sua morte, e o julgamento de um ex-líder de uma gangue vai começar nesta segunda-feira (10), em Las Vegas, cidade famosa do oeste dos Estados Unidos, após uma confissão reveladora.
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O investigado é apontado como o ex-líder de uma gangue que foi a “orquestradora” da morte de Tupac, Duane Keith Davis (mais conhecido como Keffe D). O cantor foi a representação de uma rivalidade entre as Costas Leste e Oeste dos EUA nos anos 90 e foi morto a tiros em 1996.
Nos últimos anos, o mistério pelo caso perdeu força, mas, após o ex-líder da gangue americana South Side Compton Crips, Duane declarar por mais de uma vez que participou do assassinato e contar o episódio em seu livro de memórias de 2019 sobre a vida das gangues, chamado “Compton Street Legend”.
Por conta do seu depoimento, o caso foi reaberto, e Davis acabou sendo preso em setembro de 2023, mas se declarou inocente da acusação de homicídio com uso de arma letal. De acordo com o jornal O Globo, o homem não é acusado de ter matado Shakur, mas sim de ter fornecido a arma utilizada no ataque a tiros realizado dentro de um carro em movimento.
O processo de julgamento pode durar até uma semana e vai começar com a seleção do júri. Logo após, a acusação e a defesa vão apresentar os seus pontos de argumentação nas declarações de abertura do processo.
Logo após sair de uma luta do famoso lutador Mike Tyson em Las Vegas, Tupac estava em um BMW preto, dirigido pelo fundador da gravadora Death Row Records, Suge Knight. Por volta das 23h15, o carro parou no sinal vermelho de um cruzamento, na saída da Strip, avenida principal da cidade luxuosa.
Foi neste momento que um Cadillac na cor branca parou ao lado da BMW, e alguém começou a atirar várias vezes contra o carro onde Tupac estava. Quatro tiros acabaram atingindo o rapper de 25 anos, que faleceu no hospital após seis dias.
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Um integrante ligado à gangue South Side Crips, Denvonta Lee, disse a um grande júri que, antes da luta, Davis tinha dado US$ 4 mil a um jogador de futebol americano para comprar roupas em um shopping localizado no sul da Califórnia, estado da costa oeste dos EUA, antes do atleta seguir para a faculdade.
O jogador estava acompanhado de membros de gangues ligadas aos Crips, que encontraram integrantes da gangue rival e facção ligada a Knight, Mob Piru Bloods. Os dois grupos começaram um confronto por causa de um colar da gravadora, e testemunhas contaram que um dos participantes era o sobrinho de Davis, Orlando Anderson.
Depois da briga, Anderson e Davis assistiram a luta onde Tupac estava. Depois do fim, Anderson ficou sozinho perto dos elevadores do hotel MGM e acabou sendo reconhecido por Tupac e outros membros da gangue Bloods, com socos e chutes.
Por conta do episódio, os Crips juraram vingança imediata. Os promotores do caso apontaram que, na mesma noite, Anderson e um outro homem, identificado como Deandrae Smith, atirou e matou Tupac. Lee contou ao júri que a gangue saiu da suas áreas e não iria voltar de “mãos vazias”.
“Ele não voltaria para Compton sem que nada fosse feito”.
Davis, de 63 anos, é o único acusado de ter conexão com o assassinato de Tupac. Os outros ocupantes do Cadillac (Anderson, Smith e Terrence Brown) já morreram. Anderson foi morto a tiros, em 1998, quando estava em um lava-rápido em Compton.
No episódio, Davis disse que foi diagnosticado com câncer de cólon em 2014 e, desde então, permanece em remissão. Ele foi preso em 29 de setembro de 2023, em frente a uma casa em Henderson, no estado de Nevada, no oeste dos EUA. Ele disse à polícia que tinha se mudado por conta do trabalho da sua esposa, que estava abrindo supermercados no estado.
Imagens de câmeras de segurança do hotel mostram que Shakur e outras pessoas estavam confrontando Anderson, o que configura um motivo para o assassinato do cantor famoso. Materiais como computadores e discos rígidos foram apreendidos na casa de Davis pelas autoridades, a fim de serem investigados como provas.
As descrições aprofundadas realizadas por Davis sobre como ele orquestrou o assassinato de Shakur em retaliação à briga serão fundamentais na investigação. No livro, o suspeito ainda escreveu que a gangue de Tupac ultrapassou os limites ao agredir Anderson e que ele mesmo teria sido o mentor da ação ao fornecer a arma usada.
A juíza Carli Kierny decidiu que o livro e as declarações relacionadas de Davis constituem provas admissíveis. Em sua versão, Davis aponta que não escreveu e nem sequer leu as suas memórias, assim como aponta que o material foi uma alegação realizada em troca de fama e fortuna.
“Eles nem sequer conseguem me situar no caso. Eles não têm arma, não têm carro, não têm o Keffe D, não têm nada”.
Ainda não se sabe quais serão as pessoas a serem chamadas para depor, mas os promotores apresentaram uma lista bem longa em relação às possíveis testemunhas a serem chamadas para o caso. A lista inclui desde familiares de Shakur a outros nomes de destaque, como o governador do estado de Nevada, Joe Lombardo, que também é o ex-xerife do Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas.
Outro nome é o fundador da Death Row Records, que foi ferido no tiroteio e cumpre pena de 28 anos por conta de um atropelamento seguido de fuga que resultou em morte.
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