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De prisão federal, Marcinho VP escreve cartas e comenta acusações contra o filho Oruam: 'Vai sair de lá maior'

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Além de cartas, Marcinho VP se dedica à escrita e já publicou livros, mostrando que a literatura é uma forma de liberdade na prisão.  |   Bnews - Divulgação Reprodução Multishow e Record TV
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 24/02/2026, às 08h10



Detido na penitenciária federal de segurança máxima de Campo Grande, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, tem escrito cartas direcionadas ao advogado Siro Darlan. Nos textos, o detento aborda assuntos ligados à política, questões sociais e processos judiciais que envolvem a própria família. As informações são do portal O Globo. 

Em uma das correspondências, Marcinho VP fala sobre o filho, o rapper Oruam, que responde por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em junho do ano passado. O artista também é investigado por resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. 

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Após a revogação de um habeas corpus, a prisão preventiva de Oruam foi restabelecida, e ele passou a ser considerado foragido. A carta em que Marcinho VP comenta o caso foi escrita em 25 de setembro, poucos dias depois de o filho ter deixado a prisão por decisão do Superior Tribunal de Justiça. 

No texto, o pai reconhece erros cometidos pelo filho, mas afirma que ele deve responder apenas pelo que, em sua avaliação, foi efetivamente praticado. 

“No que dizia respeito a meu filho popstar, firmeza total. Como pai, lamento muito por tudo que ele está passando, porém, ele também não vigiou né?”, escreveu. Em outro trecho, acrescentou: “Ainda assim, tem que pagar (somente) apenas pelo que fez de verdade, e não por acusações levianas”. 

Marcinho VP também afirma confiar no andamento do processo judicial. “Está tudo filmado, gravado! E contra os fatos não há argumentos”, diz em outro trecho da carta, ao defender que as acusações mais graves não se sustentariam ao longo do tempo. 

O detento relata ainda aspectos da criação dos filhos e atribui parte da situação atual à exposição gerada pelo sucesso artístico. “O Mauro era um menino bom, respeitador, obediente aos pais, humilde. Todavia, é insofismável que o sucesso fez ele tirar os pés do chão um pouco e se perder”, escreveu, ao se referir ao nome de batismo de Oruam. 

Na correspondência, Marcinho VP diz esperar que a passagem do filho pelo sistema prisional resulte em mudança de comportamento. “

Meu filho não é, e nunca foi nenhum bandido. Mais sim um artista com potencial ímpar, que canta, compõe e arrasta multidões. Acredito que ele, se tiver juízo, vai sair de lá maior do que entrou”, afirmou. 

As cartas enviadas por presos no sistema penitenciário federal passam por leitura prévia de servidores responsáveis pelo controle de conteúdo. Segundo Marcinho VP, esse monitoramento já resultou em trechos riscados e atrasos na entrega das correspondências, procedimento previsto nos protocolos de segurança. 

Preso desde 2007, Marcinho VP se aproxima do limite máximo de 30 anos de cumprimento contínuo de pena, com previsão de saída em setembro de 2026. No entanto, uma prisão preventiva decretada em 2024, em processo que apura roubo de veículos na Zona Norte do Rio de Janeiro, pode impedir a libertação. 

Além das cartas, o detento afirma manter produção literária. Ele diz já ter escrito seis livros, quatro publicados, e trabalha atualmente no sétimo, intitulado “Os mutilados”. Marcinho VP também integra a Academia Brasileira de Letras do Cárcere, onde ocupa a cadeira número um, que leva o nome de Graciliano Ramos. “Escrever é algo libertador”, definiu. 

Trecho da carta de Marcinho VP a seu advogado — Foto: Reprodução
Trecho da carta de Marcinho VP a seu advogado — Foto: Reprodução

Classificação Indicativa: Livre

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