Entretenimento
por Natane Ramos
Publicado em 11/09/2025, às 19h22
Kamilla Carvalho, de 38 anos, rainha de bateria da Vizinha Faladeira, escola de samba da Série Prata do Carnaval do Rio de Janeiro, e finalista no Miss Bumbum Brasil Transexual 2025, desabafou sobre os preconceitos que enfrenta por ser uma mulher trans.
Em entrevista ao jornal O Globo, Kamilla refletiu sobre os desafios que enfrentou desde nova para ter sua identidade de gênero reconhecida e respeitada. "Assim foi minha infância: a mistura de um menino gay com a essência feminina aflorada", relatou.
"Tenho como uma das minhas grandes referências minha mãe, que me deu meu primeiro peito [silicone] e um sutiã aos 18 anos e me ajudou a me tornar a mulher que eu sou hoje. Também contei com apoio da minha família e amigos para me tornar esta mulher, especialmente em minha transição. Somos uma família que nos apoiamos e nos respeitamos muito", declarou.
Apesar de ter o amparo da família, a modelo destacou que o preconceito é constante em sua vida. "No início da minha carreira, por exemplo, sofri muito preconceito, justamente por ser uma travesti Musa na Prefeitura do Rio. Já passei situações preconceituosas em banheiro público, avião, infelizmente essa realidade existe para a mulher trans, mas nós vamos mudá-la", lembrou.
"Em uma ocasião em que eu estava no aeroporto do Rio de Janeiro, precisei ir ao banheiro [feminino] e um segurança que estava lá chamou outros seguranças para me retirar por eu ser trans. Ele ignorou meu corpo feminino e achou que eu não tinha direito de usar aquele espaço", destacou.
A rainha de bateria deu detalhes sobre o momento. "Ele me disse que eu tinha que ter vergonha na cara e respeitar as pessoas, que era para usar o banheiro masculino. São situações difíceis, mas que nós transexuais temos que enfrentar de cabeça erguida, lutar pelos nossos direitos. Ser travesti é ser resistência e vamos cada vez mais ocupar nosso espaço. Não temos que ser aceitas ou inclusas, somos cidadãs comuns e merecemos respeito, assim como qualquer outro ser humano", reforçou.
A Miss Bumbum refletiu sobre como enfrentar essas situações. "Lutar pelos meus direitos é a melhor forma de combater a transfobia. É preciso se informar, colocar a boca no trombone, compartilhar o que viveu e procurar a lei para ajudar. As pessoas precisam entender que respeito vem acima de tudo, e que, graças a Deus, vivemos em uma sociedade diversa e que isso é lindo", comentou.
Na situação que vivi no aeroporto do Rio de Janeiro, por exemplo, nem entrei na Justiça porque não iria valer minha paz e as pessoas que me coagiram não teriam condições, mas quando você passar por isso, a Justiça ajuda as pessoas a responder pelos seus atos perante a sociedade. Esse é meu conselho para quem passa por uma situação deste tipo", concluiu.
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