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Justiça descobre detalhe chocante que levou Nego Di à condenação em caso de rifa de Porsche de R$ 500 mil

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Suposta vencedora de Porsche de Nego Di, identificada como “Silmara Noeli”, vira alvo de investigação  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Record
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 25/06/2026, às 06h16



A sentença que condenou o influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, trouxe à tona novos detalhes sobre o esquema de rifas virtuais investigado pela Justiça. Entre os episódios analisados no processo está a suposta entrega de um Porsche Macan avaliado em cerca de R$ 500 mil, que, segundo a decisão, teria envolvido uma vencedora que nunca existiu.

De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a mulher apresentada como ganhadora do veículo, chamada de “Silmara Noeli” em uma publicação feita pelo influenciador, teria sido uma criação para simular que o sorteio havia sido realizado e que o prêmio possuía uma vencedora.

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nego di

Segundo o promotor de Justiça Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, Nego Di teria utilizado o telefone de uma pessoa que trabalhava com ele para encenar uma conversa com a suposta ganhadora do carro.

“Ele tinha pleno controle das rifas que fazia e essas rifas não tinham data específica para o sorteio. Então, ele poderia perfeitamente ver um determinado sorteio cujo número não foi contemplado por ninguém, poderia adquirir os números ele mesmo até ele mesmo adquirir o número vencedor”, afirmou o promotor.

Ainda conforme o representante do Ministério Público, a estratégia permitiu que o influenciador criasse uma falsa impressão de que o veículo havia sido entregue.

“Ele simulou uma ligação para uma determinada pessoa que ele mesmo criou como se ela fosse a vencedora”, explicou Flávio Duarte.

print falso

Condenação e esquema milionário

Nego Di foi condenado pela Justiça por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A pena aplicada foi de 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de uma condenação adicional de 1 ano e 15 dias pela realização de loteria ilegal.

A esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, também foi condenada a 8 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro.

nego di e esposa

Segundo a denúncia, o casal realizou pelo menos 34 sorteios entre novembro de 2022 e maio de 2024, divulgados nas redes sociais com a promessa de prêmios em dinheiro e bens de alto valor.

A investigação apontou que as rifas movimentaram mais de R$ 2,5 milhões. Para a Justiça, a prática não ocorreu de forma isolada, mas fazia parte de uma estrutura organizada para arrecadar valores de participantes.

De acordo com a sentença, cerca de 9.683 pessoas foram afetadas pelo esquema, com prejuízo estimado em R$ 185,3 mil.

Justiça aponta uso de contas e movimentações para ocultar valores

A decisão também apontou que os valores arrecadados teriam sido movimentados por diferentes contas bancárias, incluindo contas pessoais, de empresa ligada ao casal e de terceiros.

Segundo o magistrado responsável pelo caso, a movimentação tinha como objetivo dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A Justiça também considerou que a compra de bens e a circulação do dinheiro davam aparência de legalidade ao esquema, classificando a operação como estruturada e com diferentes etapas de movimentação financeira.

Recibo falso de doação de R$ 1 milhão

Outro ponto citado no processo foi a divulgação de uma suposta doação milionária feita por Nego Di durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

Segundo o Ministério Público, o influenciador teria divulgado nas redes sociais um comprovante indicando uma doação de R$ 1 milhão, mas a investigação apontou que o valor real enviado teria sido de apenas R$ 100.

nego di comprovante falso

Na época, Nego Di afirmou em vídeo:

“A gente fez essa escolha de coração. Decidi doar um milhão de reais pro Rio Grande do Sul. Eu mandei R$ 1 milhão para a vaquinha do meu parceiro Badin”.

Para o promotor Flávio Duarte, o episódio também teria sido usado para gerar engajamento e retorno financeiro ao influenciador.

“Ele fez uma doação de R$ 100 e expôs nas mídias sociais essa doação como se tivesse sido feita no valor de R$ 1 milhão, obtendo com isso um engajamento, um número maior de seguidores, que refletiu depois em ganhos patrimoniais”, explicou.

A defesa de Nego Di foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização.

Classificação Indicativa: Livre

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