Entretenimento
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 27/10/2026, às 05h30 - Atualizado às 05h33
Quem viveu nas décadas de 1980 e 1990 com certeza tem uma (ou muitas) memórias relacionadas às telenovelas, produto que virou praticamente um estandarte cultural do Brasil e para os brasileiros. No vasto catálogo de personagens e frases marcantes, talvez os baianos lembrem bastante de "Stop, Salgadinho!", bordão eternizado na voz grave e marcante da atriz baiana Regina Dourado.
Nascida em Irecê, no interior da Bahia, a atriz construiu uma trajetória repleta de personagens inesquecíveis, com destaque para a inesquecível Efigênia em Roque Santeiro, a envolvente Morena em Renascer e a carismática Lucineide de Explode Coração, um par inesquecível com o grande Rogério Cardoso.
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Regina faleceu em 27 de outubro de 2012, aos 59 anos, em Salvador, em decorrência das complicações de um tumor maligno nas mamas identificado inicialmente em 2003. E, na campanha do Outubro Rosa, o BNews resgata a história e a memória de uma mulher que encenou a vida com toda a intensidade.
Regina Maria Dourado nasceu em 22 de agosto de 1952, em Irecê, no interior da Bahia. Aos 15 anos, começou na Companhia Baiana de Comédias, dando os primeiros passos em uma carreira que a levaria do teatro ao cinema e à televisão.
Estudou canto e participou do Grupo de Dança Contemporânea da Universidade Federal de Bahia, do Coral Ars Livre e do Grupo Zamb.
Décadas depois, sua identidade de artista nordestina permaneceu centra. Regina não era apenas uma intérprete que migrou para o Rio de Janeiro, mas uma mulher que carregava para os palcos e para a telinha a energia, o sotaque, o humor e a teatralidade da Bahia.
A estreia de Regina na TV aconteceu em 1978, no especial A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água, dirigido por Walter Avancini. No ano seguinte, integrou o elenco de Pai Herói, na Globo; em 1980, atuou em Cavalo Amarelo, na Bandeirantes.
O grande salto veio em 1983, quando voltou à Globo e interpretou Lalá Serena em Pão Pão, Beijo Beijo. Mas foi em Roque Santeiro (1985) que ela entrou definitivamente para a memória afetiva do público.
Seguiram-se as novelas Felicidade, Renascer; Tropicaliente; Explode Coração, Rei do Gado; Anjo Mau; Andando Nas Nuvens; Esperança e América, todas na TV Globo, emissora em que integrou ainda os elencos das minisséries Lampião e Maria Bonita; O Pagador de Promessas; O Sorriso do Lagarto e Tereza Batista.
Em 1993 foi premiada com o Troféu APCA por seu trabalho em Renascer e em 1994 conquistou o Prêmio Máster por seu trabalho em Tropicaliente. Os últimos trabalhos de Regina na televisão foram nas novelas Bicho do Mato (2006) e Caminhos do Coração (2008), na TV Record.
Embora tenha alcançado o país pela televisão, Regina nunca abandonou o palco. Atuou em peças como Jorge Dandin – O Marido Confundido, Memórias de um Sargento de Milícias, Declaração de Amor Explícito, Rei Brasil 500 Anos, Uma Ópera Popular e Tratado Geral da Fofoca.
Esteve, ainda, na representação de A Paixão de Cristo, em Salvador, em 2011 e 2012, no papel de Maria, mãe de Jesus.
No cinema, participou de produções como Sandra Rosa Madalena (1978), Amante Latino (1979), Corisco & Dadá (1996), No Coração dos Deuses (1999) e Espelho d’Água – Uma Viagem no Rio São Francisco (2004).
Em 1993, Regina recebeu o Troféu APCA pelo trabalho em Renascer. Em 2004, foi premiada como melhor atriz coadjuvante no Festival do Audiovisual de Recife por Espelho d’Água.
Regina foi diagnosticada com câncer de mama em 2003, inicialmente na mama direita. Segundo informações divulgadas pela família à época, ela passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia, chegou a se recuperar e voltou a trabalhar.
Em 2010, porém, foi identificada uma nova lesão, desta vez na mama esquerda, e a doença evoluiu com metástase.
O irmão da atriz, Oscar Dourado, relatou que Regina preferia não demonstrar fragilidade à família. Em entrevista à Caras, ele afirmou que ela mantinha o diagnóstico em sigilo para não preocupar os próximos e que, diante do agravamento do quadro, teria optado por interromper o tratamento.
Ela era uma mulher muito forte e nunca queria preocupar a família. Quando perguntávamos como ela estava, dizia que estava bem, escondia qualquer fragilidade”, contou Oscar à revista.
A morte de Regina, em 27 de outubro de 2012, no Hospital Português, em Salvador, comoveu o público e reforçou um ponto sensível: falar sobre câncer de mama ainda enfrenta barreiras emocionais, culturais e sociais e o silêncio não pode substituir o acompanhamento médico.
Vanessa Dyabal, oncologista e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Patologia da Fiocruz Bahia, vinculada ao AMO, em Salvador, explica que quanto mais cedo o câncer é identificado, menor tende a ser sua extensão e maior a possibilidade de cura.
Quanto mais precocemente a doença é diagnosticada, menor a sua extensão e, consequentemente, maiores as chances de cura e menor o grau de invasividade dos procedimentos relacionados ao tratamento”, afirma a médica.
Segundo ela, a mamografia de rastreamento permite detectar lesões antes mesmo da formação de nódulos palpáveis. A identificação de microcalcificações suspeitas, por exemplo, pode levar a um diagnóstico extremamente precoce e a tratamentos menos agressivos, com menor necessidade de cirurgias amplas ou quimioterapia.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) distingue duas estratégias complementares: o diagnóstico precoce, voltado a pessoas que percebem sinais ou sintomas, e o rastreamento, realizado em mulheres sem sintomas para identificar alterações que exijam investigação.
A especialista orienta que qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde, independentemente da idade. Entre os principais sinais de alerta estão:
Nódulo na mama que não desaparece após o período menstrual;
Retração ou alteração do mamilo;
Feridas, descamação ou mudanças na pele da mama;
Inchaço ou vermelhidão persistente e crescente, sem trauma prévio;
Saída de secreção pelo mamilo, sobretudo se sanguinolenta;
Mama que parece “presa” à parede torácica ao levantar ou abaixar os braços.
“Deve procurar um mastologista para uma avaliação mais apurada”, orienta a oncologista.
O caminho começa na unidade básica de saúde. A mulher pode procurar a UBS, relatar sintomas ou solicitar orientação sobre mamografia. O exame pode ser indicado por médicos e enfermeiros, e o resultado, acompanhado das imagens, deve ser levado de volta ao profissional solicitante
Se houver alteração suspeita, a paciente é encaminhada para avaliação especializada, geralmente com mastologista. A investigação pode incluir ultrassonografia, ressonância magnética e biópsia.
Confirmado o diagnóstico, o caso é avaliado por equipe multidisciplinar para definir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia, conforme o tipo e o estágio da doença.
A rede pública também prevê que pacientes com câncer tenham direito ao primeiro tratamento no SUS em até 60 dias a partir do diagnóstico confirmado pelo laudo patológico.
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