Entretenimento
por Andreza Oliveira
Publicado em 15/02/2025, às 09h50
A divulgação de que todas as marcas e ativos do Grupo Playcenter foram comprados pela Cacau Show surpreendeu muita gente. Apesar de não ser novidade de que os grandes parques de diversões brasileiros enfrentam dificuldades e não tinham um histórico muito inspirador no país.
O próprio Playcenter é exemplo destas dificuldades. O local, no coração de São Paulo, acabou fechando as portas em 2012 após ver o público minguar de uma hora para outra. Desde então, eles passaram a operar mini parques em shoppings espalhados pelo país, sem a grandiosidade que era anteriormente.
O registro de acidentes foi um dos principais fatores que mudaram o rumo do centro de diversões, mas as tentativas fracassadas de reestruturação e contenção de gastos pioraram a situação.
Outro caso é o do Hopi Hari, que tem enfrentado dificuldades financeiras desde 2012, quando uma adolescente de 14 anos morreu após cair de um brinquedo que estava com a cadeira quebrada. No ano de 2016 eles chegaram a entrar com um pedido de recuperação judicial.
A Cacau Show começou a investir no setor em 2024, quando lançou dois miniparques temáticos. Conforme a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o momento é ideal, já que as franquias do ramo tiveram um aumento significativo no ano passado.
O Cacau Park, se trata de um parque de diversões completo, com a maior montanha-russa da América Latina, trilhas na floresta e vilas temáticas. Com mais de 100 atrações, hotéis e um boulevard a céu aberto com lojas, restaurantes e espaços para shows. A inauguração está prevista para daqui três anos.
A estrutura será construída a 100 km da capital paulista, no municipio de Itu, e promete ser maior que o Beto Crrero World, que fica em Santa Catarina. De acordo com o g1, toda estrutura será montada ao custo de R$ 2 bilhões.
Segundo Aê Costa, fundador da marca, a ideia é dar aos consumidores uma experiência vasta da marca, que vai além dos minutos de degustação de um bombom.
"Queremos capturar a atenção das pessoas e proporcionar um dia inteiro. É um projeto de vida, não apenas um negócio", disse.
Ainda conforme o g1, o especialista em branding Marcos Bedendo destacou que iniciativas como esta, além de oferecer diferentes experiências, criam valores e memórias duradouras nos clientes.
"Não se percebe qualidade só no produto, sabor ou fragrância, mas também nas conexões emocionais. Isso faz com que a marca seja lembrada positivamente. Para isso, é necessário ter uma interação significativa. Um parque de diversões faz isso", disse.
Apesar de ser uma boa iniciativa, a aposta pode ser um tiro pela culatra, pois muitas marcas acabam fracassando e enfrentando um efeito rebote nesta busca por gerar conexão e inovação.
O especialista ainda deu o exemplo da Colgate, que uma vez apostou no setor gastronômico. O lançamento ocorreu nos anos 1980, nos EUA, mas entrou para a história como um desastre empresarial.
Já no caso da Cacau Show, ele acredita que o projeto está mais alinhado, já que a marca já explora o apelo emotivo e lúdico nas campanhas. Ele destaca que a estratégia poderia não funcionar tão bem para empresas mais "racionais", como fabricantes de eletrônicos.
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