Vida
Bebês dormindo tranquilos, casas impecáveis, mães maquiadas poucos dias após o parto e rotinas aparentemente perfeitas. Nas redes sociais, a maternidade muitas vezes aparece de forma leve, organizada e sem dificuldades. Fora das câmeras, porém, a realidade costuma ser bem diferente.
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Nos últimos anos, conteúdos sobre gravidez, puerpério e criação de filhos se tornaram alguns dos mais consumidos em plataformas como Instagram e TikTok.
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Ao mesmo tempo em que esses vídeos aproximam mães e criam identificação, também aumentam a pressão para dar conta de tudo.
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A comparação constante com influenciadoras e criadoras de conteúdo tem provocado culpa, insegurança e frustração em muitas mulheres, principalmente durante fases mais delicadas, como a gravidez e o puerpério.
Vídeos mostrando recuperação rápida após o parto e corpos considerados “perfeitos” poucas semanas depois da gestação acabam gerando comparação e insegurança.
Em 2024, a influenciadora Virgínia Fonseca viralizou aos mostrar o corpo sarado apenas 10 dias após o nascimento do caçula, José Leonardo.
Uma usuária criticou influenciadoras que mostram recuperação rápida após a gravidez e afirmou que esse tipo de publicação pode afetar emocionalmente outras mulheres.
“Sabe o que eu fico puta? O comentário mais curtido é uma menina alertando pra meninas não se compararem porque o que ela faz é um desserviço”, escreveu.
Outros internautas também classificaram certos conteúdos como desnecessário.
“O desserviço”, escreveu uma pessoa. “Acho isso um desserviço”, comentou outra.
Já parte do público saiu em defesa das influenciadoras e argumentou que cada mulher vive o pós-parto de uma forma diferente.
“Com 10 dias de parida eu tinha menos barriga ainda do que ela e não tenho procedimento estético. Mas isso não é da conta de ninguém”, escreveu uma usuária.
Outra comentou de forma bem-humorada: “Minha barriga está maior que a dela e eu nem tô grávida nem no puerpério”, brincou.
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Em menos de um mês do parto, a influenciadora já exibia uma barriga trincada. As internautas comentaram: “Ela é muito focada, e tem dinheiro, faz todas as tecnologias disponíveis. Certíssima 🙌”, disse uma seguidora. “Eu tenho um filho de 18 anos e um de 12 , e ainda tenho uma barriga de 6 meses 🤪🤪”, brincou outra.
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A outra face
Às vésperas do Dia das Mães, relatos sinceros de famosas reacenderam o debate sobre a chamada “maternidade real”.
A atriz e influenciadora Letícia Almeida compartilhou recentemente os desafios enfrentados após o nascimento da quarta filha, Maria Cecília. Ela contou que vomitou muito durante o parto, sofreu com dores e inchaço causados pela descida do leite e definiu a primeira noite em casa com a bebê como “caótica”.
Segundo Letícia, além do cansaço do puerpério, ainda precisou lidar com falta de energia elétrica no condomínio durante a madrugada enquanto cuidava das filhas.
Quem também emocionou o público foi a cantora IZA. Durante participação no programa Cá Entre Nós, na última quinta-feira (7), a artista revelou que sofreu ao tentar amamentar a filha, Nala.
“Eu não amamentei a minha filha porque eu não tive leite”, contou.
IZA relatou dores, sangramentos e a culpa que sentiu por precisar complementar a alimentação da bebê com fórmula.
“Então por eu não seguir nessa saga do sofrimento da amamentação, eu me senti muito menos mãe”, desabafou.
Durante a conversa, Fátima Bernardes também relembrou as dificuldades que enfrentou ao amamentar os trigêmeos e afirmou que não julga mulheres que interrompem a amamentação.
“Cada um sabe como lida com as suas frustrações e com o sentimento de culpa”, declarou.
Além das cobranças ligadas aos filhos, muitas mães também enfrentam pressão estética nas redes sociais. Para a compradora Iasmin Oliveira, de 36 anos, mãe de Helena de 2 anos e 11 meses, as redes sociais criaram uma sensação constante de cobrança.
“Sim! Porque os conteúdos são na maioria das vezes com o intuito de comparação e consumo desenfreado”, afirmou.
Ela conta que já se comparou com outras mães da internet e que isso afetou diretamente sua autoestima.
“Gerou muito desconforto, comparação e autocrítica excessiva, impedindo de me enxergar como uma excelente mãe”, disse.
Real para quem?
Iasmin também acredita que grande parte do que é mostrado online não representa a realidade.
“Não acho que exista maternidade real nas redes sociais”, declarou.
Nos últimos anos, o termo “maternidade real” ganhou força justamente por reunir relatos mais sinceros sobre exaustão, saúde mental, sobrecarga e dificuldades da criação dos filhos.
Para muitas mulheres, esse tipo de conteúdo ajuda a diminuir a sensação de solidão.
“Mostrar os perrengues ajuda porque mostra que as redes sociais podem ser leves e sem intenção de superioridade”, afirmou Iasmin.
Ela ainda defende que o equilíbrio está em aprender a filtrar o conteúdo consumido e diminuir o tempo nas telas.
“Reduzir tempo de tela não só para as crianças, mas para as mães e pais também, faz com que tenhamos mais tempo de vida real e mais confiança nas nossas ações”, concluiu.
Ao mesmo tempo em que as redes sociais podem aumentar a pressão e a comparação, elas também vêm funcionando como espaço de acolhimento para mulheres que buscam apoio, troca de experiências e identificação com vivências mais realistas da maternidade.
O ponto chave talvez seja encontrar o equilíbrio e usar o bom senso ao buscar perfis que abordem o tema, evitando comparações com diferentes realidades, sejam elas físicas e/ou financeiras.
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