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No Pôr do Som, Daniela Mercury elogia o Candomblé e chama Mãe Carmen de “papa”

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A 26ª edição do Pôr do Som é dedicada à memória da ialorixá Mãe Carmen, que completaria 100 anos em 2026  |   Bnews - Divulgação Devid Santana/Bnews
Analu Teixeira e Dandara Amorim

por Analu Teixeira e Dandara Amorim

Publicado em 01/01/2026, às 17h51 - Atualizado às 18h38



O Pôr do Som, projeto idealizado por Daniela Mercury e já incorporado ao calendário cultural de Salvador, ganha em 2026 um significado ainda mais simbólico,  e também político-religioso. A 26ª edição do evento, realizada no Farol da Barra, é dedicada à memória da ialorixá Mãe Carmen do Gantois, que faleceu na última semana e completaria 100 anos neste ano.

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A informação foi confirmada por Malu Verçosa, esposa de Daniela, no palco. Segundo ela, o Pôr do Som ocupa um lugar especial não apenas na trajetória da artista, mas também na vida do casal.

“Pra gente é o projeto mais especial que existe. É na nossa cidade, é com a nossa essência. É o show que Daniela mais gosta de fazer o ano inteiro”, afirmou Malu.

Ainda de acordo com ela, a homenagem à Mãe Carmen já estava definida antes mesmo do agravamento do estado de saúde da ialorixá. “Esse ano o Pôr do Som é uma homenagem à Mãe Carmen do Gantoá. Já era uma homenagem antes mesmo de ela ficar doente, porque em 2026 ela completaria 100 anos. Infelizmente, ela partiu semana passada”, completou.

Durante a coletiva, Daniela Mercury falou longamente sobre a importância de Mãe Carmen, a quem descreveu como uma das maiores lideranças religiosas do país.

“Pra mim, ela é como um papa do Candomblé”, disse a cantora.

Daniela destacou o papel histórico do Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Gantois) como referência mundial na preservação das tradições de matriz africana e lembrou que Mãe Carmen liderou o terreiro por mais de 30 anos, sendo uma voz ativa contra o racismo religioso.

“Ela ocupou o poder e a liderança com muita sabedoria e responsabilidade. As palavras dela extrapolaram o universo religioso e chegaram à cidade, ao país”, afirmou.

Além da homenagem, Daniela também confirmou que o Carnaval 2026 terá uma música com forte simbologia religiosa feminina, inspirada em Maria Padilha, figura presente nas religiões de matriz africana. A cantora reforçou que se trata de uma expressão artística, mas carregada de mensagem.

“Maria Padilha abre caminhos. É uma mulher poderosa. É assim que a gente começa o ano falando da força da mulher”, explicou.

No campo político, Daniela aproveitou para comentar o cenário eleitoral de 2026 e defendeu eleições democráticas, alertando para os riscos do autoritarismo e da desinformação.

“A gente precisa cuidar da democracia, cuidar das escolhas. Não dá pra se distrair. Todos os cargos importam”, disse.

Criado como alternativa à ausência de réveillon público em Salvador no passado, o Pôr do Som se consolidou como um espaço onde música, identidade, espiritualidade e posicionamento político se encontram.

Classificação Indicativa: Livre

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