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Rapper baiano Hiran quebra o silêncio após onda de ataques na internet: 'Me deu mais força'

Divulgação/Rapbox
Em entrevista ao BNews, artista reflete sobre o 'hate' recebido em novo projeto autoral  |   Bnews - Divulgação Divulgação/Rapbox
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 30/06/2026, às 18h36 - Atualizado às 18h38



No dia em que se encerra o Mês do Orgulho LGBTQIA+, nesta terça-feira (30), o rapper baiano Hiran, um dos principais nomes do rap contemporâneo do país abriu o jogo sobre a enxurrada de ataques homofóbicos que sofreu na internet após o lançamento de seu novo projeto, o álbum “Imundo.

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Em entrevista exclusiva ao BNews, o artista revelou que, embora esteja habituado às barreiras do preconceito, a dimensão do linchamento virtual chamou sua atenção. No entanto, garantiu que o episódio não o intimidou.

Estou acostumado com represálias de um público intolerante. Me assustou a proporção, mas com certeza não me abateu e, sim, me deu mais força para seguir o caminho de resistência e representatividade que eu tenho trilhado", afirmou o cantor.

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Tabus

O Rap e o Hip Hop, historicamente marcado por uma estética hipermasculinizada, ainda engatinham no acolhimento de narrativas plurais e para Hiran, o principal gatilho para a onda de hate direcionada ao seu novo lançamento foi justamente a coragem de expor o que muitos tentam esconder nos bastidores do gênero.

Segundo o rapper, o projeto incomodou "porque toca num tópico real dentro do cenário do Hip Hop nacional e que vive debaixo de panos e sublinhas". Ele destaca que sua grande transgressão foi ter trazido o tema para a imagem e para a cena, de forma direta e sem concessões.

Apesar da violência digital, o baiano encontrou conforto na contraofensiva de amor orquestrada por seus seguidores e por colegas de profissão como Caetano Veloso, Ivete Sangalo e Carlinhos Brown. Hiran descreveu como "delicioso" o sentimento de receber esse acolhimento e pontuou o impacto positivo de perceber que o preconceito não é uma regra unânime na indústria.

Ver que nem todo mundo do meio colabora com essa narrativa e esses pensamentos por si só já é incrível! Mas colher disso é outro patamar", celebrou.

Saúde mental

Para blindar sua saúde mental e proteger o processo criativo da toxicidade externa, o cantor explicou que adota uma postura de autopreservação, cercando-se de conexões reais e seguras, destacando o papel fundamental de sua família e de seus bons amigos nesse processo de proteção.

Questionado sobre como a vivência em Salvador molda sua resposta à homofobia e aos ataques que recebe, o artista exaltou a herança cultural do estado como um escudo de empoderamento.

A Bahia é rica em vocabulário, detalhes e nuances que moldam a perspectiva, além de ser um símbolo de liberdade num Brasil que tanto acua. Beber da fonte daqui só fortalece, empodera e dá norte a ser seguido para esse tipo de combate".

Ainda assim, o panorama local para criadores independentes da comunidade LGBTQIA+ é visto com cautela por Hiran. Ele define o cenário atual da capital baiana como "complexo", sinalizando que o progresso não ocorre de forma linear.

Às vezes parece que chegamos mais longe, às vezes parece que estamos estacionados no mesmo lugar, às vezes parece que nada mudou", ponderou.

Olhando para trás, o rapper afirma que não daria nenhum conselho ou aviso ao Hiran do início da carreira, justificando que cada tropeço foi pedagógico para construir a casca que ostenta hoje. "Ele tinha que aprender do jeito que foi pra que eu tivesse a confiança e certeza que eu tenho hoje", analisa.

Para os jovens que se espelham em sua trajetória e sonham em viver de arte na Bahia, o recado deixado pelo cantor é focado na autenticidade. "Escutem seus corações e busquem suas originalidades. Quando vocês apresentarem algo novo, vindo da alma de vocês, mesmo que desafie o que já está exposto aí, o resultado vem."

Ao definir seu atual momento profissional com a palavra "serenidade", Hiran projeta os próximos passos com os olhos fixos no topo, sem pedir licença. "Podem esperar mais música, mais confiança, mais certeza do meu caminho e do meu lugar", avisou o artista, concluindo com um recado direto aos haters.

Tenho muito menos medo de encarar um cenário que, mesmo fazendo de tudo para poder diminuir e desgastar, pode ser invadido e que, no fim, vai ter que aceitar", finaliza

Classificação Indicativa: Livre

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