Entrevista

Junho verde: Banco do Brasil detalha importância de se investir em iniciativas sustentáveis nas empresas

Imagem Junho verde: Banco do Brasil detalha importância de se investir em iniciativas sustentáveis nas empresas

O tema sustentabilidade e as questões ambientais, sociais e de governança (ASG) ganharam cada vez mais relevância ao longo das últimas décadas

Publicado em 10/06/2022, às 06h01        Redação BNews

O tema sustentabilidade e as questões ambientais, sociais e de governança (ASG) ganharam cada vez mais relevância ao longo das últimas décadas no Brasil e no mundo. A preocupação em alcançar um modelo de desenvolvimento econômico, produção e consumo que esteja em harmonia com os limites ambientais e, ao mesmo tempo, contribua para a redução das desigualdades é global.

Em nosso país, por exemplo, 66% do território nacional é formado por áreas de vegetação nativa preservadas e somos o 3º maior produtor de alimentos do mundo, demonstrando protagonismo no tema.  As transformações comportamentais também são visíveis. Os jovens estão cada vez mais atentos aos aspectos socioambientais daquilo que compram; também consideram esses critérios ao eleger as empresas em que vão trabalhar e com as quais vão se relacionar. Além disso, a sociedade civil vem pressionando os governos para que adotem padrões regulatórios mais restritos.

Ao considerar os aspectos ASG na estratégia de negócios, as empresas começam a perceber que é possível aproveitá-la como um ativo estratégico de longo prazo na criação de valor não só para o negócio, mas também clientes, fornecedores, colaboradores, governo, meio ambiente e sociedade como um todo.  Diante disso, o vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, Antônio José Barreto de Araújo Júnior, fez questão de destacar ao Projeto Junho Verde do BNews, as iniciativas da instituição voltadas para a temática.

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Confira:

Como as empresas podem adotar boas práticas de sustentabilidade?

Há diversas formas. Desde as mais simples, como reduzir o consumo de água, energia e matérias primas, e adotar a coleta seletiva, até a prática de benchmarking com índices de mercado e empresas referencias no tema globalmente. Há 15 anos, nossas ações são orientadas por um plano de sustentabilidade, a Agenda 30 BB, fruto de tais práticas, que é um instrumento fomentador de negócios e práticas sustentáveis.

A Agenda 30 BB 2021-2023 conta com 40 ações e 110 indicadores, que impactam positivamente a geração de negócios sustentáveis no Banco e a agenda global do desenvolvimento sustentável. 

Em 2021, estabelecemos 10 Compromissos de Longo Prazo em Sustentabilidade, com metas a serem alcançadas até 2030. Dessa forma, demonstramos nosso alinhamento com as tendências da gestão integrada e a importância de nosso papel transformador no oferecimento de produtos e serviços, na promoção da transição para uma economia de baixo carbono e na ampliação de nossa atuação com criação de valor.

O que é sustentabilidade e consciência socioambiental para vocês? Considera sustentabilidade empresarial ou do planeta? São conceitos com interesses dissociados ou conseguimos unificá-los?

Acreditamos que empresas sustentáveis são mais capazes de identificar e gerenciar riscos e oportunidades atuais e futuras nas dimensões ambientais, sociais e econômica, gerar valor no longo prazo para os seus públicos de relacionamento e prosperar. Para o Banco do Brasil, e isso é importante frisar, a sustentabilidade é um elemento fundamental e transversal, que permeia toda a estratégia corporativa da organização, estando presente em nossa visão de desenvolvimento e, também, em nossos objetivos estratégicos. Buscamos em cada uma de nossas ações assegurar a geração de valor sustentável.

Tem alguma prática para engajar a equipe no conceito de sustentabilidade?

A sustentabilidade está presente em nossa estratégia corporativa e permeia toda a nossa organização. Transformar a cultura organizacional por meio da implementação de políticas, programas, compromissos e ações em sustentabilidade, fomentando a mudança de comportamento e fortalecendo a gestão do tema no Conglomerado Banco do Brasil é uma das premissas do nosso Plano de Sustentabilidade. 

Uma forma de fazermos isso é por meio da nossa Universidade Corporativa, a UniBB. As ações alinham-se à estratégia corporativa e contribuem para concretizar nossa visão de futuro, atingir objetivos estratégicos e fortalecer crenças e valores. São ofertadas ações educativas na modalidade online e, também, na presencial, em diversas localidades brasileiras.

A trilha sustentabilidade, composta por 27 soluções de capacitação, reúne em um ambiente todos os conteúdos de capacitação referentes ao tema. Em 2021, foram concluídos mais de 304 mil cursos da trilha, abordando temas como crédito, risco socioambiental, direitos humanos, economia verde e inclusiva, voluntariado, mudanças climáticas, entre outros.

Fale um pouco sobre a iniciativa do crédito de Energia Renovável 

Em maio de 2021, lançamos o BB Crédito Energia Renovável, uma linha de crédito específica para aquisição de sistemas de geração de energia solar em residências. Com juros a partir de 0,75% ao mês, linha beneficia clientes pessoas físicas, que podem financiar até 100% do valor de sistemas fotovoltaicos, incluindo a instalação. A contratação pode ser realizada da forma mais conveniente ao cliente, no App BB ou nas agências.

Na esteira desse produto, é importante lembrar que ao fim de março de 2022 atingimos R$ 289,4 bilhões em operações de créditos sustentáveis, representando um crescimento de 10,8% em 12 meses. Trata-se de um montante contratado em linhas de crédito com alta adicionalidade ambiental e social ou destinado ao financiamento de atividades ou segmentos que causam impacto socioambiental positivo.

Destaco, ainda, que além da evolução da oferta de crédito sustentável para os mais diversos públicos, o BB também tem se comprometido a migrar a sua matriz energética para fontes de energia renovável, onde atualmente consumimos energia gerada por duas usinas solares, com a expectativa de ampliação para 29 usinas em operação até 2024.

Pode destacar uma medida macroeconômica que contribua para que as empresas se comprometam com a sustentabilidade?

O compromisso firmado em 2015, no Acordo de Paris, de reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa, GEE, vem impulsionando importantes medidas socioambientais por parte das organizações. Com grande satisfação podemos exemplificar com o recente acordo celebrado entre o Banco do Brasil, Banco Mundial e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para projetos que geram recursos em forma de créditos de carbono, onde a cifra envolvida nessa parceria internacional supera os 600 milhões de dólares e visa promover a redução da emissão e remoção de gases de efeito estufa (GEE).

Paralelamente às iniciativas voluntárias, também temos assistido à evolução do mercado regulado, sobretudo no Brasil, que, como protagonista global na questão socioambiental, conta com diversas iniciativas relevantes para promover a sustentabilidade empresarial. Por exemplo, o Decreto nº 11.075/2022, publicado em edição extra do DOU em 19/05/2022, estabelece os procedimentos para a elaboração dos Planos Setoriais de Mitigação das Mudanças Climáticas, institui o Sistema Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) – Sinare, e altera o Decreto nº 11.003, de 21 de março de 2022.  O decreto apresenta ainda os conceitos de crédito de carbono, crédito de metano, crédito certificado de redução de emissões e unidade de estoque de carbono, dentre outros.

Esse decreto é um ótimo ponto de partida para a precificação dos gases do efeito estufa e evolução do mercado de carbono no Brasil, o que promove o maior comprometimento das empresas com a sustentabilidade. Contudo, devemos observar que, independentemente da imprescindível regulamentação do mercado de créditos de carbono, as organizações já estão perseguindo a trilha da sustentabilidade não apenas por conta de determinações legais, mas, sobretudo, devido à mudança de mentalidade e perfil dos investidores que buscam, cada vez mais, alocar seus recursos em ativos comprometidos com as boas práticas de ASG.

Quais são os benefícios de se investir em iniciativas sustentáveis?

Investir, no sentido de desenvolver iniciativas sustentáveis, colabora com a perenidade da empresa, gerando valor para os públicos de relacionamento. Investir em ativos sustentáveis, é uma forma de oferecer uma diversa gama de produtos que aliam rentabilidade às melhores práticas ambientais, sociais e de governança.

Oferecemos um portfólio com 26 Fundos de Investimento ligados à essa temática, com opções para investir no Brasil ou no exterior, ou em causas específicas nas quais o cliente acredita. No 1T22, vimos o patrimônio líquido desses fundos crescer 12,4%, alcançando R$ 9,2 bilhões.

No primeiro trimestre crescemos 213,7% no volume captado via LCA Verde (Letra de Crédito ao Agronegócio), que tem como objetivo fomentar a carteira de agricultura de baixo carbono do BB, atingindo R$ 3,7 bilhões. O produto complementa o nosso portfólio de soluções de investimento ASG, cuja demanda tem sido crescente, já que o investidor busca por estratégias de diversificação que estejam alinhadas aos seus valores e às tendências de mercado.

Acredita que há necessidade de criar novos empregos na área da sustentabilidade?

Entendemos que a própria dinâmica de mercado estimula o aparecimento de empregos na área, exigindo dos profissionais de diferentes formações o reconhecimento da transdisciplinariedade do tema.  É perceptível o aumento das áreas de sustentabilidade nas empresas. O que antes se restringia a pequenos processos, hoje dá nome a setores, gerências, diretorias e vice-presidências de grandes empresas.

Como atua a carteira de negócios sustentáveis do BB?

Temos o objetivo de auxiliar nossos clientes na transição para uma economia verde, de baixo carbono, apresentando um portfólio de produtos cada vez mais sustentáveis. Nossa carteira de negócios sustentáveis compreende o montante das operações/linhas de crédito destinadas a financiar atividades e/ou segmentos que possuem impactos socioambientais positivos. 

Para garantir ainda mais confiabilidade e robustez à carteira, anteriormente denominada carteira verde, revisamos as linhas de crédito e operações que a compõem, tendo como base metodologia desenvolvida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que trata da mensuração e identificação de recursos alocados em setores da economia verde.

Pela segunda vez, submetemos esta revisão à avaliação independente, que em novembro de 2021 emitiu segunda opinião a partir do alinhamento das operações de crédito com padrões internacionais para avaliação de projetos e negócios sustentáveis.  Em dezembro de 2021, a carteira apresentou um saldo de R$ 291,4 bilhões. Na estratégia corporativa BB 2021-2025, foi definido um indicador que sinalizava a participação de 36% da CNS na carteira total de crédito do BB e, em dezembro, este indicador atingiu 37,1%. A carteira é composta por operações de crédito para os setores de energias renováveis, eficiência energética, construção, transporte e turismo sustentáveis, água, pesca, floresta, agricultura sustentável e gestão de resíduos.  

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