Esporte

Após mais de 15 anos, Vitória e governo da Bahia se aproximam de acordo para quitação de dívida histórica

Victor Ferreira / EC Vitória
Vitória e governo da Bahia se aproximam de um acordo para quitar dívida referente a terreno na Toca do Leão  |   Bnews - Divulgação Victor Ferreira / EC Vitória
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 01/04/2025, às 05h00 - Atualizado às 05h45



O Esporte Clube Vitória e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Sedur-BA) se aproximaram de um acordo para quitar a dívida referente a um terreno de 2.000 m² localizado às margens da Avenida Mário Sérgio, no bairro de Canabrava, em Salvadorfruto de um convênio que previa uma série de investimentos na Toca do Leão (CT do Vitória) em troca de algumas contrapartidas (confira mais abaixo).

O imbróglio acabou gerando uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e Tribunal de Contas da Bahia (TCE-BA) devido ao descumprimento do Rubro-negro baiano dos termos do convênio — informação trazida com exclusividade pelo BNews em julho de 2024 (relembre aqui).

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Nesta semana, fontes ligadas ao governo baiano informaram à reportagem que as negociações estão avançadas, aguardando apenas a análise imobiliária do terreno que era avaliado em R$ 220 mil em setembro de 2009 — quando o convênio foi firmado.

Barradão
Imagem aérea do Barradão | Foto: Divulgação

A secretária da Sedur, Jusmari Oliveirateria ido à Toca do Leão pessoalmente para avaliar o local e costurar um acordo com o presidente do Vitória, Fábio Mota. No entanto, a avaliação imobiliária não possui prazo para ser encerrada. Com isso, ainda não há uma definição quanto uma data para que o acordo seja selado.

O BNews já havia antecipado que o terreno na Toca do Leão havia valorizado ao longo dos últimos 15 anos — podendo ultrapassar R$ 600 mil, de acordo com fontes ligadas ao proprio Vitória.

Vale lembrar que o governo da Bahia pretendia usar esse terreno para construir um colégio em Canabrava. Inclusive, uma avaliação técnica na área de 2.000 m² chegou a ser realizada. O projeto, no entanto, foi engavetado — mas nada impede dele ainda sair do papel após o repasse.

Inclusive, no final de 2023, Fábio Mota revelou ter sugerido ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), a construção de um colégio estadual em um terreno no Barradão. No entanto, ainda não se sabe se o aceno tem relação com a dívida que o clube possui com o governo da Bahia.

Escola
Imagens aéreas do terreno que seria cedido para a construção da escola (à esquerda) e planta do local datada de 2009 (à direita) 

Mais de R$ 11,6 milhões foram investidos no Barradão

De acordo com os documentos obtidos pelo BNews, o convênio nº 07/2009 tinha como objetivo a implantação do Programa "Vitória da Cidadania". No momento em que foi firmada a parceria entre o clube e a Sedur, no dia 18 de setembro de 2009, os valores seriam de R$ 11.008.575,00 — posteriormente atualizados para R$ 11.680.627,29, no dia 11 junho de 2014.

A iniciativa previa a realização de obras como Ginásio de Esportes, Quadras Poliesportivas, urbanização, estacionamento e prestação de serviços sociais, educacionais e de iniciação desportiva para a comunidade de Canabrava e regiões circunvizinhas ao Complexo Esportivo do Estádio Manoel Barradas (Barradão).

Na época da assinatura da parceria, o secretário da Sedur era Afonso Florence (PT) — atual secretário da Casa Civil. Já o presidente do Vitória era Alexi Portela Júnior. O convênio, finalizado em 16 de setembro de 2016 — quase sete anos depois.

Toca do Leão
Imagem aérea da Toca do Leão | Foto: Reprodução / Google Earth

Dos R$ 11,6 milhões investidos, R$ 4,1 milhões ficaram a cargo da Sedur. De acordo com o dados consultados pela reportagem junto ao sistema do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), os recursos previstos para atender à execução do Convênio foram repassados ao Vitória por meio de cinco parcelas. 

Já os R$ 7,49 milhões restantes foram arcados pelo próprio Vitória. Destes, R$ 1,8 milhões utilizados para manutenção de equipamentos, segurança, contratação de profissionais para o desenvolvimento de serviços sociais, em quatro parcelas anuais, conforme especificado no Plano de Trabalho.

Na época, o Vitória se posicionou sobre o caso alegando que manteve contato com a Sedur para a quitação da dívida, aguardando apenas uma “simples aprovação”. No entanto, o clube alegou ter sido surpreendido com a notificação da pasta indicando inadimplência.

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