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Arena Futebol World: Conheça a identidade musical dos três países-sede da Copa do Mundo de 2026

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México, Canadá e EUA têm estilos e ritmos que ajudam a entender a história e o perfil de cada povo  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 07/05/2026, às 06h00



Há uma forma de conhecer um país que não está registrada em mapas mas permite um olhar panorâmico sobre qualquer destino: a música. Nos três países que receberão a Copa do Mundo de 2026, como em todos os outros, ela funciona como uma espécie de autobiografia coletiva, contada em ritmos, letras e vozes que atravessam gerações. 

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México, Estados Unidos e Canadá recebem o torneio carregando repertórios muito distintos entre si, mas igualmente reveladores sobre quem são, como se formaram e o que decidiram guardar — e mostrar — de si mesmos.

Muitos sons de um povo

No México, a música habita um lugar que vai além do entretenimento. Ela está nas festas de rua, missas, velórios, e em todas as celebrações que marcam o ritmo da vida popular. O mariachi, com seus trompetes e guitarrones, é o símbolo mais reconhecível dessa presença, mas não é o único. 

O ranchero de Vicente Fernández, morto em 2021 e ainda onipresente nas rádios e nas memórias afetivas do país, fala de amor, perda e honra com uma intensidade que poucos gêneros conseguem sustentar. 

É impossível pensar no México e não associar, quase imediatamente, à voz de Luis Miguel e sua voz romântica. O cantor e produtor é vencedor cinco Grammys e quatro prêmios Grammy Latino.

Nas últimas décadas, artistas como Café Tacvba e Natalia Lafourcade abriram uma terceira via entre a tradição popular e a experimentação contemporânea. Lafourcade, em particular, construiu uma obra dedicada a recuperar e reinventar sons que corriam o risco de ficar esquecidos, ganhando reconhecimento internacional sem abandonar o que vem da terra. 

A cultura mexicana é uma colcha de retalhos coloridos de influências e variedades: o son jarocho de Veracruz, o norteño das fronteiras com sua sanfona e seu baixo elétrico, o huapango do planalto central: cada ritmo é um retrato de uma região.

O país que inventou o mundo

Os Estados Unidos ocupam, no mapa cultural do século XX, uma posição que nenhum outro país conseguiu replicar e, na música, não é diferente. Foi de lá que emergiram os gêneros que redefiniram o que era possível fazer com sons, vozes e instrumentos.

O jazz de Miles Davis e John Coltrane. O blues de Robert Johnson e Muddy Waters. O rock de Chuck Berry e Jimi Hendrix. A soul de Aretha Franklin; o hip-hop de Jay-Z e Kendrick Lamar: cada um desses estilos carrega em si uma história sobre raça, desigualdade, resistência e reinvenção social que transcende qualquer análise estritamente musical.

O que impressiona, mais do que a quantidade de gêneros produzidos, é a velocidade com que eles viajaram.

O blues do Mississippi atravessou o Atlântico e ajudou a criar o rock britânico. O jazz de Nova Orleans fundou uma tradição que ainda pulsa em clubes ao redor do mundo. O hip-hop nascido no Bronx tornou-se, décadas depois, o gênero mais ouvido do planeta. Conhecer os Estados Unidos pela música é entender como um país consegue transformar quase todas as suas experiências em linguagem universal.

O silêncio

O Canadá é, talvez, o país mais subestimado dos três quando o assunto é música. A imagem de nação discreta e bem-comportada costuma obscurecer uma cena musical surpreendentemente rica, construída na tensão entre o inglês e o francês, entre tradições indígenas e influências caribenhas, entre o isolamento do interior e o cosmopolitismo de Toronto e Montreal.

Leonard Cohen, o poeta de Montreal que transformou melancolia e densidade literária em canções duradouras como Hallelujah e Suzanne, é um dos nomes mais conhecidos fora das fronteiras canadenses, e com razão. 

Mais recentemente, Drake ajudou a colocar Toronto no centro do hip-hop e do R&B globais, enquanto Céline Dion carregou por décadas a pop music francófona para platéias em todos os continentes e consolidou uma carreira que se manteve sólida mesmo quando ela precisou se afastar dos palcos para cuidar da saúde.

A prova da influência da canadense na história da música mundial foi seu retorno aos palcos, na abertura das Olimpíadas de 2022, quando o planeta inteiro assistiu, maravilhado, à apresentação na Torre Eiffel.

Antes do apito 

Além dos apitos que marcam inícios, fins e erros na Copa do Mundo, este ano há muitos outros sons que entrarão na memória coletiva de todos os espectadores ao redor do planeta.

Enquanto a música mexicana fala de raízes, memória afetiva e uma relação profunda entre o sagrado e o cotidiano, a americana fala de poder, conflito e a produção. A canadense fala de diversidade, contenção e uma identidade que se forma mais pela convivência do que pela imposição.

Juntas, essas três tradições formam uma trilha sonora que revela muito bem, quem são os povos que vão receber o mundo em 2026.

BNews na Copa

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