Esporte
Publicado em 06/01/2025, às 12h00 - Atualizado às 12h00 Vagner Ferreira
“Todo mundo conhece alguém que correu em 2024. Se você não conhece, é porque você é essa pessoa”. A frase tem se tornado comum entre os atletas dos clubes de corridas - grupos esportivos que têm se popularizado nos últimos anos.
De acordo com o Relatório Anual sobre Tendências de Esportes do Strava, divulgado em dezembro de 2024, a corrida foi o esporte mais praticado no mundo no ano e o Brasil ficou em segundo lugar entre os países com maior número de atletas, contabilizando aproximadamente 19 milhões de praticantes.
Além disso, houve também um aumento de 9% no número de maratonas, ultramaratonas e percursos de longa distância no país em 2024. O Brasil registrou ainda um crescimento de 109% no número de clubes de corrida — conhecidos também como grupos ou crews —, um número quase duas vezes maior que a média global, que foi de 59%.
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Clube, grupos ou crews de corridas
De uma forma geral, os clubes de corridas promovem a prática do esporte de forma organizada e contínua. Na maioria das vezes, os encontros acontecem pela manhã ou pela noite, entre dois a três dias na semana. Em cidades litorâneas, como Salvador, a prática acontece com frequência na região da orla, onde é possível encontrar atletas de diferentes grupos correndo no local.
Para participar, a pessoa interessada pode entrar em contato com algum dos líderes ou integrantes dos grupos ou enviar mensagem através de páginas das redes sociais. A maior parte desses clubes possui um valor de investimento mensal para contar com serviços de assessorias. Os atletas passam por supervisão e orientação de profissionais qualificados.
Professor de educação física, Diogo Andrade também é diretor técnico da Triação Assessoria Esportiva, que completou 20 anos em 2024. Ele explica que o grupo surgiu com o propósito de incentivar a prática regular de exercícios físicos aliada a hábitos saudáveis. “A Assessoria trata de mudanças comportamentais que envolvem desde a prática de exercícios de forma correta e regular à melhorias como um todo”, contou ao projeto BNews Summer.
A Triação conta com uma programação diversificada para diferentes níveis de atletas. O grupo cobra o valor de R$ 240, com datas e horários disponíveis no site oficial. Nesses 20 anos, Diogo ressaltou que a procura pela corrida tem crescido a cada ano. “É cada vez mais uma tendência no mundo, e em especial na nossa cidade, em Salvador”, avaliou.
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Para um atleta iniciante, Diogo recomenda a busca por um profissional da área e ressaltou a importância de exigir avaliações médicas antes de iniciar no esporte. Com isso, ele sinaliza que será identificada a necessidade de restrição ou inclusão de algum treino particular e específico.
Qualquer que seja a modalidade e o exercício que a pessoa queira iniciar, é preciso procurar um professor de educação física formado. No caso da corrida, ainda mais, pois os treinadores das assessorias vão desenhar um programa de treino levando em consideração o seu histórico de exercícios e os seus objetivos. Além disso, vai estabelecer também metas através do seu nível de aptidão física, buscando evoluir de forma gradual e progressiva, tornando assim, a prática mais segura possível”, disse em entrevista ao BNews Summer.
A importância de avaliações médicas também é defendida pelo atleta e educador físico João Paulo França, de 40 anos, que recomenda consultas com clínicos gerais e check up com cardiologistas. O profissional reforça que a participação em grupos de corridas faz toda a diferença para quem está iniciando e deseja orientações mais precisas sobre o esporte, como dos limites a serem percorridos e da compra de ítens que auxiliem no desenvolvimento pessoal, a exemplo de um tênis adequado.
“O ideal e mais seguro é treinar em um clube de corrida respaldado no mercado para oferecer o melhor suporte ao aluno que está iniciando”, explicou João Paulo ao projeto BNews Summer.
“O clube de corrida além de te dar o suporte profissional necessário para se desenvolver no esporte, com a periodização dos treinos e o acompanhamento da evolução, ainda é o local de fazer amizades e ter incentivo para alcançar novos objetivos. É um momento de socialização importante”, acrescentou

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João Paulo começou a paixão pela corrida em 2020, quando passou a estagiar no grupo Runners Club, e realizou a sua primeira meia maratona em 2022. Atualmente como educador físico, ele disse que atua para incentivar outras pessoas no esporte. “Hoje trabalho com fortalecimento específico para corredores, para que possam desenvolver a corrida sem lesões”, destacou.
O clube que ele trabalha, a Runners Club, normalmente marca encontros na orla de Salvador e atende em diferentes locais: no Greenville, pela manhã, na Praça dos Eucaliptos, na Pituba, começando no final da tarde e se encaminhando para a noite, além das unidades no Jardim de Alah, Barra, Patamares e no Kartódromo, em Lauro de Freitas. O valor cobrado custa R$ 160 e aceita o benefício corporativo Total Pass.
A busca por um clube de corridas foi feita pela auxiliar de desenvolvimento infantil e atleta, Elysama Barreto, de 24 anos, no início de 2024, enquanto enfrentava a luta contra a obesidade.
Antes eu não conseguia caminhar direito. Se caminhasse, cansava muito rápido, ficava ofegante e aquilo começou a me incomodar”, lembra ela, que passou a buscar mais informações sobre como se preparar e participar das provas.
Segundo ela, essa foi uma forma de encontrar mais informações, de não se sentir só e estar mais motivada a prática. “Eu achei que seria importante encontrar um grupo de corrida, justamente pela troca de experiência e também porque isso me incentivaria mais. E incentivou. Às vezes a gente está meio cansado devido a rotina exaustiva, e quando um colega posta uma frase ou uma foto, a gente acaba se motivando. E isso fez com que eu melhorasse o meu desempenho”, destacou.
“E no grupo um vai ajudando o outro. Quando alguém sofre uma lesão e fica desmotivado, os integrantes vêm, dão dicas e o desejo vai renascendo, sabe? Mesmo sem vontade, a gente faz o treino e quando termina, diz, ‘Que bom que eu vim mesmo sem vontade’”, continuou, sobre a importância do apoio de outras pessoas na prática.
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Ao longo do ano passado, Elysama realizou cinco provas de corridas de rua e pretende triplicar esse número em 2025. A jovem explica que precisou mudar a rotina para se dedicar a corrida, incluindo treinos específicos ao longo dos dias, melhorando a alimentação e consumindo mais água. Assim, além de perceber os benefícios para o corpo, reforçou também sobre a melhoria que o esporte lhe trouxe em relação à saúde mental.
Uma das coisas que eu mais tive com a corrida, sem sombra de dúvidas, foi o autoconhecimento. Quando eu corro, por exemplo, eu fico pensando que ali sou eu contra eu mesma. Então, aprendi a me desafiar. Aprendi que meu corpo pode muito mais do que eu imagino, que eu sou capaz de suportar muito mais e às vezes a gente mesmo se limita”, descreve.
Segundo o personal trainer, Lucas Rodrigues, especializado em treinos de corridas, os benefícios vão além da melhoria física. Ele explica que o esporte contribui significativamente para o aumento da autoestima, pois a evolução gradativa e a superação de limites geram confiança e orgulho. Além disso, destaca também que a prática está associada à adoção de novos hábitos, às mudanças estéticas e ao maior condicionamento físico.
A corrida tende a fazer com que você tenha uma redução de gordura corporal, e isso é muito bacana para quem está com sobrepeso e está buscando melhoria. Então, vai fazer com que aumente a massa magra em relação a gordura corporal. E tem também a questão da mente, com a função de diminuir a tensão e o estresse, com a liberação de alguns tipos de hormônio e neurotransmissores como endorfina, serotonina e a própria dopamina”, explica o treinador.

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Os sintomas foram percebidos pela empreendedora e atleta, Lucinéia dos Santos, de 48 anos, que iniciou fazendo caminhadas em 2023 e depois, na busca por algo que lhe desafiasse mais, decidiu ingressar no universo da corrida.

“No início de 2024, por curiosidade, me inscrevi na minha primeira corrida de rua, de 5 quilômetros. Me apaixonei, e por isso, para ter mais acesso ao calendário de corridas e como funcionava o processo, resolvi me inscrever em dois grupos indicados por amigos”, lembra.
Lucineia percebeu que, após começar a correr, começou a ter alívio do estresse, melhoria do sono, melhor disposição e fortalecimento dos músculos.
Lucas explica: “A corrida vai trazer uma sensação de bem-estar e vai diminuir a euforia que faz com que os atletas tenham uma noite de sono mais tranquilo, uma rotina melhor e uma vida mais endorfinada E é um esporte muito bom indicar para as pessoas que estão passando por processos de ansiedade, depressão, praticar o esporte”.
A empreendedora faz parte, atualmente, de dois grupos: o S1mbora e o Mania. “O grupo proporciona ampliar o meu ciclo de amizades e incentiva à medida que todos estão vinculados ao mesmo esporte, ou seja, na busca pelo melhor desempenho”, comenta. Por meio de ambos, ela consegue informações sobre eventos, datas, retirada de kits para corridas de rua e mais.
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Lucinéia, normalmente, corre na rua às terças e quintas-feiras durante o final da tarde. Aos sábados, faz treino de velocidade na esteira da academia, e aos domingos, pratica o ‘longão’ - ou seja, realiza um treino de maior distância. No total, realizou 14 provas de rua e colecionou medalhas de participação em 2024.
Ela reconhece, no entanto, que sozinha, não conseguiria ter o mesmo preparo e nem a mesma performance que tem atualmente. “Através dos grupos, você conhece e interage com pessoas que estão inseridas por diversos motivos, como estéticos e de saúde, vencendo problemas de ordem emocional”, disse.
“Eu tive maiores desempenhos quando entendi que a evolução mora nas coisas desconfortáveis e difíceis, associadas ao treinamento físico e mental”, concluiu.
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