Esporte
Publicado em 06/02/2025, às 12h00 Vagner Ferreira
O ciclismo em Salvador tem registrado um crescimento notável nos últimos anos, consolidando-se como uma alternativa viável de transporte e lazer para os soteropolitanos, sobretudo no verão.
De acordo com a pesquisa Impacto Social do Uso da Bicicleta em Salvador, realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que foi publicado no segundo semestre de 2024, mais de 48 mil pessoas utilizam a bicicleta como meio de transporte na capital baiana.
Com o aumento do número de adeptos ao esporte, uma dúvida fica cada vez mais comum: é melhor pedalar sozinho ou em grupo? Ambas as modalidades apresentam experiências distintas e se adaptam a diferentes perfis, ficando assim, a escolha à critério do ciclista. A equipe do BNews Summer foi entender as vantagens de cada modalidade, confira:
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Pedalar em grupo
Pedalar em grupo pode ser uma alternativa mais segura no trânsito. Quando organizado, os ciclistas ocupam um espaço maior na via, tornando-se mais visíveis para os motoristas e reduzindo o risco de acidentes. Além disso, a sensação de proteção se estende aos trajetos menos movimentados, onde o risco de assaltos pode ser uma preocupação.
O ciclista e profissional de segurança privada e pessoal, Luciano Batista (48), é um dos coordenadores do grupo Os Pebas, que surgiu em 2022 e, geralmente, tem como ponto de partida, o posto de gasolina de Águas Claras. Segundo ele, a ideia surgiu de um pedal alternativo, de pessoas que sentiam prazer em pedalar e tinham a segurança como prioridade.
“Priorizamos a segurança no trânsito, é uma regra, e todos têm que seguir o uso obrigatório dos EPI`s, como luvas, capacetes e calçados adequados, além do respeito às sinalizações de trânsito, do respeito aos pedestres, sobretudo no espaço destinado ao ciclista, como ciclovias ciclofaixas”, contou Luciano, ao BNews Summer.
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Segundo ele, o grupo acolhe diferentes níveis de ciclistas: “Nosso grupo lida com a diversidade de ritmos e níveis. Dividimos os pedais durante a semana em três dias, sendo a segunda-feira reservada para o grupo de iniciantes, em que pedalamos cerca de 15 a 20km; na Quarta feira, para os mais experientes, no qual pedalamos acima 30 km, e geralmente, dos 50km; e na Sexta-feira, o dia em que todos se juntam pra pedalar e fazer aquela resenha, fazer um lanche e tomar um açaí”, explicou.
“Assim, todos podem ter a oportunidade de pedalar e evoluir com o tempo, com todo o apoio que a gente dá”, continuou, ressaltando que ninguém é deixado para trás.
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A ciclista e professora Silvana Alcântara Deldato, de 40 anos, é uma das integrantes do grupo Os Pebas. Ela encontrou no ciclismo não apenas um esporte, mas uma paixão. O incentivo veio por meio do marido, que já pedalava há anos. Ao experimentar um passeio de bicicleta, ela descobriu um novo universo.

“Amo praticar esse esporte. Para mim, é uma válvula de escape. Além de melhorar a minha saúde como um todo, psicologicamente falando, fisicamente falando, também é um esporte muito prazeroso e cheio de desafios”, apontou.
Além dos benefícios para a saúde física e mental, Silvana destaca a importância da socialização que é proporcionada pelo ciclismo. “Pude conhecer novas pessoas e lugares que antes eram inacessíveis para mim, além de ampliar minha vivência cultural”, disse ao BNews Summer.
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Já o ciclista e agente de trânsito, Marcos Paulo Silva, de 48 anos - mais conhecido por MP -, contou ao BNews Summer que tem uma paixão pelo esporte que foi cultivada desde a infância. Incentivado pelo pai, ele começou no estilo bicicross. Na fase adulta, passou a fazer parte do grupo Mountain Bike, que já realizava trajetos mais longos, incluindo viagens. “A sensação é maravilhosa. Mesmo com o cansaço e o desgaste, é muito gratificante superar desafios e conhecer novos lugares”, afirmou.
Entre os principais obstáculos enfrentados pelos ciclistas, MP destaca a falta de educação por parte dos condutores, além das condições precárias das vias, ciclovias e ciclofaixas. Ele percebe, no entanto, uma mudança gradual na forma como motoristas e pedestres interagem com quem pedala. “Isso se deve ao crescimento do número de ciclistas e à realização de eventos que promovem a cultura do ciclismo”, disse ao BNews Summer.
Apesar dos avanços, ele reforçou a necessidade de mais investimentos públicos, sendo assim, essencial a realização de projetos estruturais mais eficientes. Além disso, defendeu também campanhas educativas para conscientizar motoristas, pedestres e até os próprios ciclistas sobre as regras de trânsito.
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Pedalar sozinho
Para quem prefere autonomia, pedalar sozinho proporciona liberdade para definir o percurso, o ritmo e as pausas ao longo do trajeto. Sem a necessidade de seguir um cronograma coletivo, o ciclista pode escolher quando e onde parar para descanso, hidratação ou até mesmo para apreciar a paisagem e para refletir.
O ciclista e técnico ambiental, Cláudio Reis, de 53 anos, pedala desde 2005, quando estava se sentindo inconformado com a mobilidade urbana da cidade. “Hoje em dia uso mais a bike para me movimentar do que o carro, como para afazeres do dia a dia, para ir ao banco, para atender pendências de minha mãe. O que dá pra ir de bicicleta, eu vou", disse, ao BNews Summer. “E sozinho eu acho mais prático e econômico, além de que vejo a cidade de vários ângulos. Vejo as belezas e as mazelas”, continuou.
O ciclista ressaltou que, independentemente de pedalar sozinho ou em grupo, a segurança deve ser sempre uma prioridade. "Seja individualmente ou em grupo, o uso dos equipamentos de segurança é indispensável", disse.
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Em relação a segurança, ele também observa diferenças na forma como os motoristas tratam os ciclistas e como a vulnerabilidade pode variar de acordo com cada contexto. "Quando pedalo sozinho, percebo a falta de respeito de alguns motoristas. Mas, ao mesmo tempo, acho que sozinho fica mais fácil evitar certos riscos, como atravessar um cruzamento com mais agilidade. Quando vou para determinados lugares e sei que o itinerário apresenta riscos, prefiro ir sozinho, pois assim, posso reagir rapidamente a qualquer situação", afirmou ao BNews Summer.
Um outro desafio, pontuado por Cláudio, é sobre os imprevistos que acontecem ao longo do percurso. "Às vezes, você está sozinho e precisa de ajuda, como quando um pneu fura. Nessa situação, é preciso resolver tudo por conta própria", comentou para o BNews Summer. Para minimizar esses riscos, ele enfatiza a importância da preparação. "Sempre saímos com um kit de reparo para lidar com imprevistos. Isso nos ensina a ser mais independentes e a encontrar soluções por conta própria", continuou.
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O ciclista Márcio Freitas também tem preferência por pedais solos e sua trajetória começou no período de pandemia. “Eu comecei a pedalar ainda durante o finalzinho da pandemia, tentando combater a depressão e a ansiedade. A princípio, sozinho. Depois, com grupos, para pegar experiência. Mas na maior parte do tempo sozinho”, compartilhou com o BNews Summer.
Entre as vantagens de pedalar individualmente, ele destaca a liberdade de seguir seu próprio cronograma e estilo. “Gosto muito de ouvir o meu som, que me ajuda a relaxar e a refletir. Além disso, conheço e desfruto de muitos locais de lazer, que me deixam em contato direto com a natureza, como as praias”, ressaltou. “A liberdade é excepcional quando pedalo sozinho. É tempo, intensidade e ritmo”, continuou.

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O ciclista chama a atenção para a falta de infraestrutura adequada, para a imprudência de motoristas e para a insegurança devido ao risco de assaltos, necessitando assim, uma atenção redobrada. “As vias ainda são muito pouco projetadas para ciclistas. A segurança em termos de violência urbana ainda é uma grande preocupação”, ressaltou.
Para ele, a infraestrutura ainda precisa avançar bastante, principalmente nas regiões periféricas, onde quase não há estrutura para os ciclistas. “E, quando existe, muitas vezes está abandonada, em condições precárias”, acrescenta, alertando para que pedestres também respeitem as áreas voltadas para ciclistas e deixem de transitar em ciclovias e ciclofaixas.
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Investimentos no ciclismo
Seja pedalando sozinho ou em grupo, a prática vem ganhando espaço em Salvador, impulsionada por investimentos contínuos em infraestrutura e políticas de incentivo.
No ano passado, a Prefeitura de Salvador lançou o novo Plano Cicloviário da cidade, estabelecendo a meta de alcançar 700 quilômetros de rede cicloviária nos próximos dez anos. Atualmente, a capital baiana conta com mais de 300 quilômetros de vias destinadas aos ciclistas, de acordo com dados da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).
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Para atingir essa meta, o município pretende investir mais de R$ 100 milhões na ampliação da infraestrutura cicloviária ao longo da próxima década, conforme anunciado no Plano de Mobilidade Urbana de Salvador. O projeto visa não apenas expandir a malha cicloviária, mas também incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte diário, promovendo a integração com o sistema de transporte público.
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