Esporte
por Gabriel Santana
Publicado em 26/07/2026, às 12h56 - Atualizado às 13h08
Um dos maiores craques da Seleção Brasileira na conquista do bicampeonato da Copa do Mundo consecutivo em 1958 e 1962 está internado em um hospital desde 2023, no Rio de Janeiro (RJ), e é esquecido pelo futebol nacional.
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O ex-atacante Amarildo foi o responsável por substituir Pelé (fora da Copa por lesão) na campanha do bicampeonato do Brasil em 62 e, aos 86 anos, permanece internado no Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro (RJ), por conta de complicações causadas pelo Mal de Alzheimer.
Em 2011, o ex-atleta foi diagnosticado com carcinoma na laringe, que é um tumor maligno capaz de causar danos à partes da garganta. O filho de Amarildo, Rildo Corrêa, apontou que a situação do seu pai era tão grave que não era possível fazer uma cirurgia e teria que fazer o tratamento com quimio e radioterapia.
Após várias sessões, o câncer foi curado, mas a região cerebral do atleta foi afetada pelo tratamento. A família suspeitou de problemas no raciocínio de Amarildo, o que foi comprovado em 2018 com o diagnóstico de Alzheimer. O ex-jogador ainda sofreu três Acidentes Vascular Cerebral (AVC) isquêmicos em 2023 e, desde então, não saiu do hospital.
Corrêa, em entrevista ao jornal O Globo, relatou que o quadro de Amarildo é delicado e que não tem mais a visão nem consegue se alimentar sem uma sonda gástrica.
"O quadro clínico do meu pai é complicado. Ele perdeu a visão e é alimentado por sonda gástrica. A situação dele é muito, muito difícil. A gente sabe que o Alzheimer é uma condição degenerativa, mas fazemos de tudo para que ele possa viver dignamente.
A entidade responsável por comandar o futebol no país, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), arca com os custos pelo plano de saúde. Mas, segundo Rildo, o jogador foi completamente esquecido pelo futebol brasileiro.
“Acho que o problema maior no futebol é a ingratidão. E vejo que meu pai foi colocado num total esquecimento. O que ele fez nunca foi valorizado da forma que merecia”.
Amarildo era chamado de “O Possesso”; ele foi o parceiro de ataque de Garrincha após o corte de Pelé e fez três gols na campanha do Bi da Seleção: dois contra a Espanha, na fase de grupos, e um tento na grande final contra a Tchecoslováquia, vencida pelo Brasil por 3 a 1.
Amarildo fez 136 gols em 201 jogos com a camisa do Botafogo, passou por Milan, Fiorentina e Roma, no futebol italiano, jogou por Goytacaz e Flamengo, no início da carreira, e encerrou a carreira no Vasco da Gama.
“Depois fica muito fácil falar de uma pessoa quando ela não está mais aqui. Aí vêm aqueles dois ou três dias de homenagens. Mas isso não serve. Posso dizer que meu pai é uma figura muito, muito mais valorizada na Itália, pela história que fez nos clubes, do que aqui no Brasil”, complementou Rildo.
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