Esporte

Escândalo na Copa? RD Congo acusa Espanha de discriminação após veto por risco de contaminação por ebola

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Com surto de ebola em andamento no Congo, autoridades espanholas alegam prudência ao cancelar o jogo  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @fecofadrc
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 04/06/2026, às 15h50



A proibição do amistoso entre República Democrática do Congo e Chile, marcado para o próximo dia 9 de junho, na cidade espanhola de La Línea de la Concepción, provocou forte reação do governo congolês. 

As autoridades do país africano classificaram a medida como um possível ato de discriminação e criticaram a justificativa sanitária utilizada para impedir a realização da partida.

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A manifestação partiu do ministro da Comunicação e porta-voz do governo, Patrick Muyaya, que questionou a decisão das autoridades locais da Espanha. Segundo o líder congolês, os jogadores convocados para a seleção não estão no país africano e realizam preparação para a Copa do Mundo na Bélgica há cerca de três semanas.

Estamos enfrentando sérios problemas com as autoridades espanholas, porque elas decidiram que a segunda partida que nossa seleção nacional deveria disputar não pode ser realizada devido ao Ebola. Nenhum dos nossos jogadores atua em Kinshasa ou na República Democrática do Congo. Todos estão na Bélgica há cerca de três semanas, treinando para a Copa do Mundo, então esse tipo de decisão poderia supor discriminação. Não é muito justo", afirmou Muyaya durante entrevista coletiva na Organização Mundial da Saúde (OMS).

O decreto municipal que proibiu o amistoso cita razões de "prudência sanitária" diante do atual surto de ebola que atinge a República Democrática do Congo e Uganda. O prefeito de La Línea de la Concepción, Juan Franco, defendeu a medida e afirmou que ela foi tomada com base em orientações das autoridades de saúde da Andaluzia.

"Lamentamos ter que tomar esta decisão, pois a partida é um atrativo para a cidade, mas consideramos a situação sanitária na RD Congo e entendemos que as documentações apresentadas não comprovam que não haja risco. Esta é a decisão mais prudente", declarou.

Apesar do veto, a delegação congolesa embarcou para a Espanha nesta quinta-feira (4) e busca alternativas para reverter a decisão. A federação de futebol do país sustenta que cumpriu todas as exigências sanitárias impostas pelos organizadores e pelas autoridades locais.

A equipe africana vem realizando sua preparação para a Copa do Mundo de 2026 integralmente na Europa. Na última quarta-feira (3), empatou por 0 a 0 com a Dinamarca, em amistoso disputado em Liège, na Bélgica.

O período de treinamentos inicialmente previsto para acontecer em Kinshasa foi cancelado justamente em razão do surto da doença.

A participação da República Democrática do Congo no Mundial marca um retorno histórico. A seleção disputará o torneio pela segunda vez, encerrando um jejum de 52 anos desde sua única participação anterior, em 1974. Integrante do Grupo K, a equipe estreia contra Portugal no dia 17 de junho, em Houston. Depois enfrenta a Colômbia, no dia 23, e encerra a fase de grupos diante do Uzbequistão, em 27 de junho.

Epidemia de Ebola

O contexto da decisão espanhola está relacionado ao avanço da nova epidemia de ebola na África Central. Segundo dados divulgados pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), já foram registrados 263 casos confirmados da doença no Congo e em Uganda, além de aproximadamente 1,1 mil casos suspeitos sob investigação.

Até o momento, foram confirmadas 43 mortes associadas à cepa Bundibugyo do vírus. O atual episódio é considerado o terceiro maior surto de ebola já registrado na República Democrática do Congo, país que enfrentou outras 16 epidemias da doença desde sua descoberta, na década de 1970.

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