Esporte
por Camila Sales
Publicado em 06/07/2026, às 08h33 - Atualizado às 10h25
A FIFA confirmou oficialmente que o atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos, está liberado para atuar no confronto das oitavas de final contra a Bélgica, marcado para esta segunda-feira (6). A decisão ocorre após a polêmica expulsão do atleta na fase anterior da competição.
O jogador havia recebido o cartão vermelho durante o embate contra a Bósnia e Herzegovina. Na ocasião, a intervenção do VAR apontou um pisão na perna de um adversário, em um lance que gerou discussões sobre a intenção do movimento.
Neste domingo (5), o Comitê Disciplinar reavaliou o episódio e optou por suspender a execução da pena imposta ao atacante.
“Caso Folarin Balogun venha a cometer nova infração de mesma natureza ou gravidade durante o período de prova, a suspensão será imediatamente revogada, aplicando-se a sanção original sem prejuízo de novas penalidades”, declarou a entidade máxima do futebol.
Em comunicado direcionado à NBC News, a Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer) demonstrou satisfação com a disponibilidade de Balogun para o duelo decisivo.
“Recebemos positivamente a determinação do Comitê e celebramos o fato de Balogun estar apto para a partida de amanhã”, afirmou a federação. “Nosso foco está integralmente voltado para o jogo em Seattle contra os belgas, contando com o apoio vibrante de nossa torcida.”
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Contudo, o presidente Donald Trump reagiu prontamente à decisão, em suas redes sociais, reforçando as suspeitas de que discutiu o tema diretamente com Gianni Infantino. Veículos como Associated Press e The New York Times já haviam noticiado o contato, agora confirmado por fontes próximas ao caso.

A influência governamental parece ter ido além do telefonema. Relatórios indicam que advogados da Casa Branca atuaram junto à U.S. Soccer em uma ofensiva jurídica coordenada. Entre os articuladores estariam Howard Lutnick, secretário de Comércio, e Andrew Giuliani, diretor da força-tarefa presidencial para o mundial. O grupo, que contou com o apoio do investidor Scott Goodwin, sustentou que o uso do VAR foi inadequado, criticando o excesso de câmera lenta na análise do lance.
Fontes familiarizadas com a negociação revelam que a federação americana apresentou uma carta robusta à Fifa para garantir a absolvição. Estrategicamente, a U.S. Soccer optou por um silêncio magnânimo em público, enquanto operava intensamente nos bastidores para reverter o cenário negativo para seu principal atacante.
Do outro lado, o clima é de revolta. A Federação Belga emitiu nota afirmando estar “estarrecida” com o desfecho e garantiu que estuda medidas legais cabíveis diante do ocorrido.
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O comandante belga, Rudi Garcia, subiu o tom das críticas: “Pensei que a Fifa tivesse antecipado o Dia da Mentira. Estamos lutando pela integridade e pela ética do esporte”, desabafou.
Glenn Micallef, comissário europeu para esportes, também se manifestou, ressaltando que decisões técnicas devem ser restritas às entidades esportivas, longe do alcance de políticos, em clara alusão à intervenção de Trump.

Até mesmo figuras como Sepp Blatter criticaram o episódio, afirmando que cartões vermelhos não se anulam via política. Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, também questionou os limites para esse tipo de revisão judicial no esporte.
A seleção dos EUA entra em campo contra a Bélgica nesta segunda, às 21h, em partida que definirá quem segue na luta pela taça da Copa do Mundo.
A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) foi ainda mais incisiva, declarando que a Fifa “cruzou uma linha vermelha” ao tomar uma decisão que fere a credibilidade do torneio.
"A decisão tomada ontem de suspender, por um período probatório de um ano, a aplicação da suspensão automática de uma partida decorrente do cartão vermelho recebido pelo jogador Folarin Balogun cruzou uma linha vermelha.
O futebol, como qualquer outro esporte, se baseia em regras, que são o fundamento de uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras estão sujeitas à interpretação. Neste caso, não. A suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma medida discricionária e não depende da decisão de um órgão competente para entrar em vigor. Trata-se de um princípio previsto nos regulamentos, que não pode ser objeto de exceções, muito menos durante um torneio em que vários outros jogadores passaram pela mesma situação e cumpriram regularmente suas suspensões.
Quando a segurança de que as regras serão cumpridas deixa de ser garantida por aqueles que deveriam protegê-las, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é comprometida. Da mesma forma, essa decisão cria um precedente durante o torneio em andamento, já que situações semelhantes passarão a exigir tratamento igual, em prejuízo da própria competição.
O futebol é o esporte mais amado do mundo porque é um belo jogo e inspira confiança por ser disputado em todos os lugares sob as mesmas regras. Um torneio nunca é um evento isolado e, quando se trata da Copa do Mundo, ele tem o poder de produzir consequências positivas ou negativas para o futebol como um todo.
Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável."
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