Publicado em 07/05/2012, às 09h45 Ana Maria de Oliveira Silva*
O Serviço Social foi marcado desde o seu surgimento pelo capitalismo, pois tanto a burguesia como a Igreja e o Estado uniram-se politicamente tentando abafar a questão social. Por volta de 1869, aparecem as chamadas agentes sociais em Londres, Inglaterra, sob influência da Igreja, tendo como foco atender pessoas consideradas carentes e desajustadas. A prática das profissionais tornou-se então, instrumento de controle social, pela sociedade capitalista, pela Igreja, e pelo próprio Estado que visava atender interesse da classe dominante.
No Brasil, a profissão nasceu sob influência europeia e na década de 30, surgiram as primeiras assistentes sociais como damas de caridade, ligadas à Igreja Católica, ajudando os pobres, os necessitados e os carentes. Naquele momento histórico o objetivo era atender a classe dominante, adaptando os desajustados ao contexto social, buscando o bem-estar da sociedade. Por muito tempo foi assim.
Felizmente, como toda trajetória é um processo, a profissão foi obtendo significativos avanços, em que a prática profissional impõe uma prática política na busca de uma ação coletiva e não mais particular, assumindo um movimento de emancipação, fortalecendo, não só a categoria profissional, mas também, outras categorias profissionais e segmentos sociais, cuja ação represente a convicção de que as pessoas são capazes de transformar a realidade, como seres histórico-sociais.
A visão e o conceito do Serviço social são mais amplos hoje, não se limitando apenas a responder às demandas. Cabe ao Serviço Social contribuir para que as pessoas encontrem alternativas para a realização de projetos de cidadania e componham o seu projeto de vida. Aqui está, a meu ver, a mudança tão procurada pela profissão ao estimular o usuário a refletir sobre a condição de cidadão, entendendo que tudo é processo dinâmico e busca de conquistas, partindo do projeto coletivo para o individual.
Como profissionais, devemos estar atentas(os) para a leitura clara e objetiva da realidade, uma vez que o mundo em que vivemos passa por transformações constantes, é dinâmico, com avanços tecnológicos sempre mais rápidos. Isso exige do profissional competência, compromisso e responsabilidade, principalmente, Ética. Com esse preparo, ousadia e busca do conhecimento, a sociedade absorve e reconhece que o profissional assistente social pode atuar em todos os segmentos que envolvem as questões sociais e não apenas no atendimento de pessoas com carências financeiras.
Por esse histórico a atuação profissional enfrenta grandes desafios. Entretanto, é no Código de Ética Profissional que nos pautamos para reafirmar nossos princípios: Reconhecimento da liberdade como valor ético central; defesa dos direitos humanos, da democracia e recusa da arbitrariedade e do autoritarismo; posicionamento em favor da equidade e da justiça social.
Nossa opção, portanto, é por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação ou exploração de classe, etnia e gênero. Nosso compromisso é com a qualidade dos serviços prestados à população com competência profissional e na busca da garantia de direitos.
* Assistente Social, Mestranda em Políticas Sociais e Cidadania pela UCSal, Presidente do Conselho Regional de Serviço Social - CRESS/Bahia
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