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Brasileira 'bonita demais' para ser freira perde cargo em mosteiro e se revolta: "Fui colocada para fora"

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Saída de Aline causou uma verdadeira debandada de mais onze freiras  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Alex Torres

por Alex Torres

Publicado em 12/05/2025, às 10h28 - Atualizado às 11h28



Uma freira brasileira tem enfrentado momentos difíceis nos últimos dias. Entre o falecimento do papa Francisco e eleição do papa Leão XIV, Aline Ghammachi liderava um mosteiro na Itália, mas foi deposta do seu alto cargo na Igreja após ser denunciada através de uma carta anônima.

A saída de Aline causou uma verdadeira debandada de mais onze freiras, deixando o monastério pela metade. Por conta da situação, a freira brasileira garantiu que vai lutar por justiça no Vaticano. 

Aline é natural do Amapá e era madre-abadessa do Mosteiro San Giacomo di Veglia, que fica perto de Veneza. Ela assumiu o cargo em fevereiro de 2018, quando tinha apenas 33 anos e era a madre-abadessa mais jovem da Itália. Formada em administração de empresas, Aline dedicou sua vida à religião e foi tradutora de documentos sigilosos, além de intérprete de eventos da Igreja.

Há cerca de dois anos, Aline Ghammachi foi denunciada em uma carta anônima que foi enviada ao então papa Francisco. O documento dizia que a brasileira destratava e manipulava as irmãs e que parte do orçamento do mosteiro era ocultado.

Uma auditoria foi realizada no mosteiro após o encaminhamento da carta. De acordo com a Folha de São Paulo, a primeira inspeção aconteceu em 2023 e durou algumas semanas. Após a conclusão do procedimento, foi sugerido o arquivamento do caso. 

Meses depois, o caso foi reaberto e Aline acredita que a retomada da investigação tenha partido de frei Mauro Giuseppe Lepori, que é abade-chefe da ordem que dirige o mosteiro, e que havia trabalhado com a brasileira.

Ele dizia que eu era bonita demais para ser abadessa, ou mesmo para ser freira. Falava em tom de piada, rindo, mas me expôs ao ridículo", desabafou Aline. 

O Vaticano mandou, no ano passado, outra visitadora apostólica no mosteiro: "Ela não fez nenhum teste conosco, não fez absolutamente nada, apenas teve uma conversa. E chegou à conclusão de que eu era uma pessoa desequilibrada e que as irmãs tinham medo de mim", completou.

Cerca de um ano depois da visita, Aline ficou sabendo da decisão de que havia perdido o cargo e uma nova madre-abadessa assumiria a comunidade. Após o ocorrido, a brasileira afirmou ter ouvido que precisaria sair do mosteiro e ficar isolada em outra comunidade católica. 

Aline deixou o Mosteiro San Giacomo di Veglia no dia 28 de abril, uma semana após a morte do papa. No dia seguinte, cinco irmãs fugiram do mosteiro e foram até uma delegacia de polícia da cidade. Desde então, 11 das 22 mulheres que viviam no mosteiro saíram em represália à decisão contra a brasileira. 

"Foi inaugurado um tratamento medieval, um clima de calúnias e acusações infundadas contra a irmã Aline que, por sua vez, é uma pessoa muito séria e escrupulosa e que nos últimos anos se tornou o ponto de referência para a comunidade", disse a freira Maria Paola Dal Zotto ao jornal Gazzettino.

A igreja não se pronunciou até o momento sobre o caso. No entanto, frei Mauro Giuseppe Lepori comentou os acontecimentos com o jornal: "A ex-abadessa está se libertando, acreditando que pode recuperar o poder e a vaidade por meio de mentiras e manipulação da mídia".

Desde que foi embora do templo religioso, Aline passou alguns dias na casa da sua irmã de sangue, em Milão. Na semana do conclave, ela foi até o Vaticano, para tentar recorrer do que considera uma injustiça.

"Eu não tive direito de defesa. Fui colocada para fora do mosteiro, sem motivação. Estamos até recorrendo no Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica. Por que aconteceu? Porque eu sou mulher, porque eu sou jovem e porque, principalmente nesse contexto, sou brasileira", disse. 

O caso ganhou as manchetes da imprensa italiana e até reportagens especiais já foram realizadas sobre a situação. Aline diz que sua aparência não deveria ser um fator levado em conta numa questão profissional, mas que sua origem, idade e mesmo sua feição podem ter tido peso na história.

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