Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 20/08/2025, às 15h05
O que faz uma pequena mosca, a Drosophila melanogaster, conhecida como mosca-das-frutas, surgir como uma esperança para a comunidade científica do Brasil? Diante da adoção de modelos de animais e plataformas de pesquisa mais rápidas, baratas e igualmente poderosas para manter a produção científica qualificada em um ecossistema de poucos recursos financeiros, esse pequeno inseto tornou-se uma chave fundamental.
O pequeno inseto se tornou um modelo valioso para o estudo biológico humano. Cerca de 75% dos genes conhecidos por causarem doenças em humanos possuem um gene correspondente (homólogo) na drosófila.
Devido a essa semelhança e facilidade de manipulação de seu genoma com precisão e rapidez, essas moscas tornaram-se modelos importantísimos para desvendar patologias complexas como Alzheimer, Parkinson, diversos tipos de câncer, diabetes, distúrbios cardíacos, e até infecções pelos vírus da Zika e SARS-CoV-2.
Com o inseto, os cientistas podem realizar triagens genéticas, toxicológicas e farmacológicas, manipular o desenvolvimento e o metabolismo in vivo e ainda conseguem acompanhar efeitos multigeracionais através da utilização de ferramentas moleculares tão poderosas quanto ou até melhores do que as utilizadas em sistemas mais caros.
Vantagem estratégica
Estima-se que o custo da realização de experimentos utilizando essas moscas seja de apenas 10% do valor para realizar os mesmos experimentos com camundongos ou ratos, possuindo o mesmo potencial para descobertas de alto impacto.
Uma análise feita recentemente com dados de fornecedores brasileiros mostra que a pesquisa com drosófila é quase 3 vezes mais barata que a manutenção de culturas de células de mamíferos. Considerando apenas os consumíveis não duráveis, os custos anuais com moscas são quase 7 vezes menores.
Os números mostram que a drosófila é uma alternativa aos roedores e uma plataforma economicamente superior até mesmo aos modelos in vitro que são utilizados fortemente.
Paradoxo brasileiro
Enquanto potências científicas otimizam seus recursos com a drosófila, o Brasil subutiliza este modelo, insistindo desproporcionalmente em plataformas mais caras desde as fases iniciais da pesquisa. Em um atual cenário de austeridade, essa escolha representa um desperdício de recursos escassos, um freio à inovação e uma perda de competitividade.
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Fomentação
Segundo o artigo publicado por Marcus F. Oliveira, Professor Titular do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Marcos T. Oliveira, Professor Associado do Departamento de Bioquímica e Imunologia da FMRP, Universidade de São Paulo (USP), um passo decisivo para reverter esse quadro está nas agências de fomento brasileiras, como o CNPq, a CAPES e as FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa) estaduais. As instituições assumam um papel protagonista na promoção estratégica da Drosophila.
“A criação de editais específicos não seria apenas um incentivo, mas uma declaração de política científica. Tais chamadas iriam otimizar o uso de recursos públicos, apoiar uma nova geração de cientistas e acelerar a pesquisa nacional”, mostra o artigo publicado no The Conversation.
“Investir no uso ativo da Drosophila como modelo animal é semear um ecossistema de inovação biomédica ágil, resiliente e competitivo, fortalecendo o alicerce científico essencial para transformar a realidade e a soberania do Brasil”, finaliza.
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