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Linguagem própria em grupos masculinistas gera ódio às mulheres e promove agressores; confira termos

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Expressões utilizadas pelos integrantes de grupos masculinistas são usadas livremente e têm influências graves em crimes de ódio contra mulheres  |   Bnews - Divulgação Reprodução- freepik
Gabriel Santana

por Gabriel Santana

Publicado em 27/03/2026, às 15h47



Um nicho formado por grupos masculinistas na internet tem promovido e normalizado uma linguagem própria e visão de mundo que promovem misoginia, piorando ainda mais para o controle e a desvalorização das mulheres na sociedade atual.

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As expressões usadas por influenciadores e comunidades online da chamada “machosfera” como “macho alfa” e “fêmea submissa”, vêm corroborando para vários casos de violência contra as mulheres.

Exemplos desses casos recentes no Brasil, foi visto em mensagens enviadas pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pela morte da mulher e soldado Gisele Santana, bem como o jovem Vitor Hugo Oliveira Simonin, investigado pela participação no estupro coletivo contra uma menor, no Rio de Janeiro (RJ).

Em ambos os casos, foram usados termos que são comuns em conteúdos masculinistas online. De acordo com o O Globo, especialistas apontam que o material de ódio é amplificado pelos algoritmos das redes sociais, com as expressões e discursos que tratam as mulheres como interesseiras ou que deveriam ser obedientes e submissas aos homens.

Os discursos são voltados para homens de várias idades, abordando relacionamentos amorosos sob o pensamento da disputa, hierarquia de superioridade e desempenho. As mulheres são classificadas, avaliadas e diminuídas a atributos físicos ou de comportamento, influenciando homens a terem comportamentos de domínio.

Segundo o cientista social e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Leandro Louro aponta que o aumento desse tipo de conteúdo acontece em meio ao avanço dos discursos da machosfera e à dificuldade de uma lei de regulamentação das redes sociais. O resultado é um espaço que promove cada vez mais violência contra mulheres.

É como um funil: quando a pessoa é capturada pelo algoritmo, passa a consumir conteúdos cada vez mais radicais, chegando à misoginia aberta e até à apologia à violência. O movimento incel começou como um espaço para lidar com frustração amorosa, mas acabou se tornando uma cultura marcada por misoginia e misantropia”.


Na última terça-feira (24), o Senado Federal Brasileiro aprovou um projeto de lei que equipara misoginia a racismo. A decisão vem sofrendo ataques causados pela machosfera que insistem em continuar com os discursos preconceituosos e que trazem risco à sociedade como um todo.

Confira termos utilizados pelos grupos masculinistas e seus significados.

  • chad- homens considerados supostamente atraentes e confiantes;
  • alfa- o topo da hierarquia e utilizado como uma forma de definir os homens que são líderes, fortes fisicamente e financeiramente, além de ser desejado sexualmente;
  • beta” - usado de forma pejorativa para homens vistos como submissos e comuns;
  • moggar- superar alguém, especialmente na aparência;
  • incels- homens que desejam se relacionar mas, involuntariamente não conseguem;
  • redpills- inspirado no filme Matrix, a machosfera aponta que são os homens que acham que as mulheres manipulam e exploram os homens;
  • bluepill- termo preconceituoso utilizado para definirem homens que acreditam na igualdade de gênero ou que procuram relacionamentos saudáveis e vistos pela machosfera como fracos;
  • MGTOW (“Men going their own way”: homens seguindo o seu próprio caminho”, em português) defendem que homens deixem de se relacionar com mulheres;
  • blackpills- afirmam que os homens considerados feios não teriam chance com mulheres, mesmo sem influência de renda ou atitudes realizadas;
  • Pick Up Artists (PUA)- significa artistas da sedução e tratam as mulheres como prêmios a serem conquistados.

Classificação Indicativa: Livre

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