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Major da PM e babalorixá comentam da ação de policiais militares em terreiro de candomblé

Reprodução / BNews Tv / Youtube
O major da PM Silvio Rosário e o babalorixá Rodrigo comentaram sobre a incursão de policiais militares em um terreiro de Candomblé  |   Bnews - Divulgação Reprodução / BNews Tv / Youtube
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 12/08/2026, às 19h25



O major da Polícia Militar (PM) Silvio Rosário e o babalorixá Rodrigo comentaram sobre a incursão de policiais militares em um terreiro de Candomblé, localizado em Lauro de Freitas, no final de julho, durante entrevista ao Se Liga Bocão, nesta quarta-feira (12). Segundo o major, o caso está sendo investigado pela corporação e o comandante-geral da PM, coronel Antônio Carlos Silva Magalhães, determinou a apuração do caso.

“É preciso primeiro dizer que esse caso já está sendo apurado. O excelentíssimo comandante-geral, coronel Antônio Carlos Silva Magalhães, de imediato já providenciou a apuração do fato”, afirmou o major. Segundo Silvio Rosário, representantes da comunidade religiosa foram recebidos no gabinete do comandante-geral para apresentar reclamações e reivindicações relacionadas ao episódio. 

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“Nós tivemos uma reunião com a secretária Ângela Guimarães, com demais representantes da sociedade civil, inclusive com o Pai Valdi e outros membros do terreiro, no gabinete do comandante-geral, para que pudéssemos ouvir e atender todos os pleitos, todas as insatisfações que foram colocadas”, explicou.

O major também afirmou que a Ronda Omnira, voltada ao enfrentamento da intolerância religiosa e de outros crimes, passou a atuar de forma mais próxima da comunidade. “De lá para cá, a Ronda Omnira vem atuando de forma mais efetiva no local, no sentido de acolher a comunidade e mediar qualquer tipo de necessidade de emprego policial”, revelou.

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Silvio Rosário relatou ainda que esteve no terreiro para conversar com lideranças religiosas e prestar solidariedade à comunidade. “Fiz questão de depois estar lá com a comunidade, logo depois no sábado passado e depois no domingo também, pela manhã. Estive lá conversando com as lideranças religiosas (...) e me solidarizei”, relatou.

O babalorixá Rodrigo condenou os excessos cometidos por agentes de segurança pública e defendeu uma preparação mais ampla dos policiais para lidar com espaços religiosos de matriz africana. “Nós não aceitamos excessos por parte da segurança pública, por parte da polícia, porque são coisas que ofendem a moral”, declarou.

O líder religioso afirmou que foi recebido pelo comando da PM e avaliou que a apuração do caso deve ser acompanhada de treinamento e qualificação dos agentes. “A melhor postura é com a apuração, com a intensificação da preparação da tropa”, disse. Segundo ele, o comandante-geral teria garantido que o aperfeiçoamento será levado a outras regiões da Bahia. Para o babalorixá, a relação entre as forças de segurança e as comunidades tradicionais precisa acompanhar as mudanças sociais. 

“Não adianta nós entendermos que estamos em tempo de outrora. O tempo hoje é outro. As muralhas dos quartéis e do governo já caíram. Nós somos ouvidos, nós somos acolhidos, nós opinamos”, afirmou. O babalorixá também destacou que o episódio não deveria ter acontecido e disse estar disposto a conversar com os policiais envolvidos. 

“O fato ocorrido aí não era para ter ocorrido”, declarou. “Não tive ainda contato com os policiais, mas eu gostaria de ter para também acolher eles. Porque, independentemente de vertente religiosa, acima de tudo existe Deus. E Deus é amor, Deus é acolhimento”, afirmou.

Ao falar sobre a importância do caso, o babalorixá afirmou que o racismo religioso provoca consequências graves para as vítimas e para as comunidades de terreiro. “O crime de racismo religioso mata, aleija, ofende a moral e adoece psicologicamente”, concluiu.

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