Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 27/05/2025, às 16h30
A água da chuva, vista por muitos como uma alternativa diante da escassez hídrica, pode não ser tão pura quanto se imagina. Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) detectou a presença de 14 tipos de agrotóxicos em amostras coletadas em Campinas, Brotas e na capital São Paulo, levantando um alerta sobre a contaminação atmosférica. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) já não recomendam o uso da água da chuva para consumo ou higiene sem tratamento prévio, ressaltando a importância de análises.
O estudo, divulgado na revista científica Chemosphere, analisou amostras colhidas entre agosto de 2019 e setembro de 2021. "Já sabíamos que certa quantidade de agrotóxicos é encontrada nas águas dos rios, mas na água da chuva foi a primeira vez que isso foi estudado no Brasil. Isso mostra que partículas de agrotóxicos estão presentes no ar", explica Cassiana Montagner, pesquisadora do Instituto de Química da Unicamp e coordenadora do Laboratório de Química Ambiental.
Agrotóxicos encontrados e riscos
Entre as substâncias identificadas, o herbicida atrazina, amplamente utilizado no agronegócio, foi detectado em todas as amostras. O fungicida carbendazim, cujo uso é proibido no Brasil desde 2022 devido a riscos de mutações genéticas, infertilidade e danos ao feto, foi encontrado em 88% do material, sendo o mais abundante em Brotas. O herbicida tebuthiuron foi detectado pela primeira vez em água da chuva, presente em 75% das amostras.
Embora as concentrações encontradas não tenham ultrapassado os limites permitidos para água potável no Brasil, os pesquisadores alertam que algumas das substâncias detectadas não possuem padrões de segurança estabelecidos. Além disso, a exposição crônica, mesmo a baixas doses, pode causar danos à saúde a longo prazo. "Ninguém bebe ou tem contato com essa água da chuva todos os dias, então o risco não é imediato. Mas esse estudo acende um alerta. Por exemplo, alguns desses produtos estão relacionados a doenças crônicas como infertilidade, doenças neurológicas, respiratórias e podem causar câncer", acrescenta Montagner.
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Agrotóxicos na atmosfera e recomendações
A presença desses agrotóxicos na água da chuva indica que eles também estão dispersos na atmosfera, o que significa que podem estar presentes no ar que respiramos. A pesquisa apontou que Campinas, com quase metade de seu território ocupado por lavouras, apresentou a maior concentração de agrotóxicos (701 microgramas por metro quadrado), seguida por Brotas (680 µg/m²) e São Paulo (223 µg/m²), que possui apenas 7% de área agrícola.
Segundo o estudo, parte dos agrotóxicos aplicados nas lavouras se dissipa na atmosfera e se condensa nas gotículas de água que formam a chuva, retornando ao solo e podendo alcançar locais distantes das plantações, influenciados por fatores como vento, temperatura e umidade.
Apesar da contaminação, a pesquisadora Cassiana Montagner afirma que não há problemas em usar essa água da chuva para fins não potáveis, como lavar quintais. Ela compara o fenômeno à chuva ácida, na qual poluentes industriais retornam com a precipitação, mas ressalta que se trata de "mais um poluente que estamos encontrando na água da chuva", e não necessariamente uma nova vertente da chuva ácida, dadas as concentrações relativamente menores das micropartículas de agrotóxicos.
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