Meio Ambiente
Publicado em 17/11/2024, às 09h24 Vagner Ferreira e Andrea Vialli, direto de Baku, no Arzebaijão
Está acontecendo em Baku, capital do Azerbaijão, desde a última segunda-feira (11), a 29º Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP29). O evento tem como objetivo discutir os impactos sobre as mudanças envolvendo o meio ambiente, além de propor negociações para o financiamento climático com representantes de quase 200 países. O encerramento acontece na próxima sexta-feira (22).
A jornalista Andrea Vialli, especialista em sustentabilidade e ESG (Environmental, Social and Governance - Governança Ambiental, Social e Corporativa), é a correspondente do BNews e está no país-sede da Conferência para cobertura completa.
Confira o que movimentou a conferência nesta primeira semana:
1- Resistência pela substituição de combustíveis fósseis
A primeira semana foi marcada por uma forte resistência dos países em abandonar ou substituir, gradualmente, os combustíveis fósseis. A metade do Produto interno Bruto (PIB) do Azerbaijão, por exemplo, é gerado pela produção de petróleo e gás e o presidente do país, Ilham Aliyev, afirmou que não pretende fazer essa transição ou deixar de produzir sua principal fonte de renda, o que gerou desconforto no evento. Inclusive, esta edição, contou com grande presença de representantes ligados à indústria do petróleo e gás, com aproximadamente 1700 pessoas.
Vale lembrar que a COP anterior, que foi sediada em Dubai, encerrou com texto informando que os países devem fazer essa substituição gradual, e substituir os combustíveis fósseis por energias mais renováveis, e assim, buscar evitar que a temperatura da terra suba para mais de 2 graus e alcance o que está proposto no Acordo de Paris.
2- Avanço no mercado global de crédito de carbono
A primeira semana COP29 avançou em relação ao mercado global de crédito de carbono, e provavelmente o evento deve fechar com perspectivas positivas, com as bases do mercado direcionando os países que poluem menos possam vender créditos para os que poluem mais.
O Brasil foi um dos países que mais se destacou na regulamentação desta discussão, aprovando no Senado, nesta semana, um projeto de lei que estava tramitado sobre o mercado de carbono no país.
3- Brasil teve destaques ao apresentar novas metas a ONU
O Brasil, que vai sediar a COP30, se destacou ao apresentar à ONU o novo compromisso climático. A meta consiste em reduzir as emissões de gases do efeito estufa do Brasil entre 59% e 67% até 2035.
Apesar de ser avaliada por muitos ambientalistas como 'propostas pouco ousadas', no qual tinham a expectativa de que o Brasil poderia avançar mais, no geral, a meta foi considerada ambiciosa, por incluir o desmatamento zero até 2030 e propor medidas para descarbonizar a indústria e os transportes, além de incentivar o biocombustíveis e o plantio.
4- Saída da Argentina da Conferência
A delegação Argentina foi retirada da COP29 após determinação do presidente Javier Milei, por não acreditar que não há mudanças climáticas e que as medidas para mitigação dos efeitos sobre o planeta fazem parte de uma agenda política da ONU.
Há especulação de que o país fique de fora do Acordo de Paris, assim como fez os Estados Unidos na primeira gestão de Trump. O assunto deve ser debatido também nesta semana.
5- Lançamento da COP30
O Brasil lançou a COP30, chamada de COP da Amazônia, no Pavilhão da Amazônia durante esta edição da Conferência e contou com diversas autoridades do país, como do vice-presidente do país, Geraldo Alckmin, da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, do governador do Amapá, Clécio Luís, do governador do Pará, Helder Barbalho, da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, entre outros.
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