Meio Ambiente
por Letícia Rastelly
Publicado em 22/09/2024, às 06h10 - Atualizado em 23/09/2024, às 12h03
As queimadas no Brasil não são novidades, na verdade, estão longe de ser, já que datam desde antes do período colonial. Entretanto, elas passaram a ser um problema ambiental nos anos 1970, com a expansão da fronteira agrícola e o desmatamento ilegal na Amazônia. Essa prática rudimentar, usada principalmente para limpar terrenos nas plantação e formações de pastos, foi legalizada no Brasil nos anos 1930. Entretanto, para fazê-la, é necessário ter uma autorização junto aos órgãos ambientais competentes, o que, na prática, não costuma acontecer.
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Até 14 de setembro desse ano, o Brasil registrou mais de 180 mil focos de queimadas, um aumento de 108%, se comparado com o mesmo período, em 2023, segundo dados do BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os estados que lideram esse ranking são Mato Grosso, Pará, Amazonas, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Maranhão. A chamada estação do fogo ocorre no país entre junho e outubro, por causa das secas, principalmente na região central.
Esses incêndios podem surgir a partir das ações do agro, quando o fogo sai do controle, mas também por acidentes e negligências, que somadas as características do tempo — falta de chuva, ventos fortes, altas temperaturas — acaba ganhando proporções ainda maiores. Esse fogo também pode decorrer das descargas elétricas, provenientes dos raios, mas em número bem inferior. Além dessas opções, a Polícia Federal investiga um tipo de queimada que tem ocorrido mais recentemente; as propositais, de cunho criminoso.
“A queimada, na prática da agricultura, tem a questão da cultura e a questão econômica, principalmente os pequenos produtores, que precisam limpar o mato que foi roçado para fazer o seu plantio. Mas aí também existe a queimada pós desmatamento, principalmente na Amazônia ou no Cerrado, ou em qualquer outro ambiente onde se faz o desmatamento para lavoura ou para criação de gados, com a constituição do pasto”, explica geógrafo, mestre e doutor em zoologia aplicada, Marco Antônio de Freitas, que é analista ambiental, chefe da estação ecológica de Murici, em Alagoas, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O especialista ressalta que para essas situações há duas práticas mais comuns, sendo uma mais propensa a sair do controle. “Um dos métodos são as linhas de árvores mortas, que são empurradas com tratores, formando aquelas coivaras gigantescas, que passam um período para secar, às vezes uma semana, e eles ateiam fogo, só que é um fogo controlado. Outros derrubam tudo, espera secar e toca fogo, é nessa área que geralmente existe o perigo do fogo sair dessa área controlada e ir para a floresta virgem, ou seja, uma floresta conservada”, detalhou.
Vale destacar que esses incêndios, sem as devidas autorizações, são considerados crimes ambientais, passíveis de multa e reclusão. Com base na legislação atual, Marco explica que mesmo a terra estando em uma área particular, ela pertence ao Governo Federal: “Toda propriedade terra, onde tiver aquela floresta, onde tiver a água, os recursos de solo, subsolo, pertencem à União. Ele é dono do local, mas parte do que está ali no terreno não pertence a ele. Tanto é, que uma queimada, mesmo que tenha sido provocada por uma pessoa que passou numa estrada e ateou fogo, a responsabilidade vai ser do proprietário”.
Desse modo, é dever de “todo proprietário ter um aceiro (uma faixa limpa, sem vegetação) para poder controlar o fogo. E esse aceiro deve ser mantido limpo de forma constante. O fogo tem que ser organizado, tem que ser programado, tem horário para fazer. Tudo isso além de avisar, ter licença, e a depender do tamanho e extensão da propriedade, do recurso empregado naquela propriedade, é necessário ter carro-pipa, equipes brigadistas treinadas para evitar que o fogo saia da área controlada para a vegetação nativa”, pontuou o ambientalista.
O grande problema das queimadas são as consequências ambientais, como a degradação da vegetação nativa, a perda de biodiversidade, além do aumento da emissão de gases de efeito estufa. Um exemplo imediato dos estragos está na qualidade do ar, algo que pôde ser visto ao longo da semana passada, principalmente em Brasília, por causa do incêndio no Parque Nacional. Tal problema traz grandes riscos à saúde, que vão de uma simples rinite ao câncer.
Para evitar queimadas e minimizar os impactos da fumaça, é importante:
Ao avistar um fogo descontrolado acione imediatamente o Corpo de Bombeiros, por meio do telefone 193.
Classificação Indicativa: Livre
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