Meio Ambiente

Família de lobos-guará é morta em fazenda na Bahia e Inema aponta empresa de Goiás como responsável; veja imagens

Reprodução / Onçafari
Lobos-guará foram encontrados mortos entre junho e agosto de 2023, na Fazenda Alto Jaborandi, no Oeste baiano  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Onçafari
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 26/10/2024, às 05h30



Formoso, Nhorinhá e Urucuia. Esses são os nomes dos três lobos-guará — espécie ameaçada de extinção — encontrados mortos entre junho e agosto de 2023, na Fazenda Alto Jaborandi, que fica no município de Jaborandi, no Oeste baiano. Os três fazem parte da mesma família.

De acordo com documentos obtidos pelo BNews, a propriedade é destinada ao cultivo de grãos e pertence à empresa Agrofava — cujo dono é o fazendeiro José Fava Neto, diretor regional da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) em Goiás —, apontada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) como responsável pelas mortes.

Uma investigação do órgão ambiental constatou que a família de lobos-guará morreu afogada devido a irregularidades nos canais e reservatórios da fazenda. Os locais são revestidos com geomembranas — material utilizado para a impermeabilização de grandes áreas — que “se tornavam armadilhas para os animais, resultando em mortes por afogamento”, de acordo com o Inema.

Inema
Canal de irrigação da Fazenda Jaborandi 

Como as lonas dos canais de irrigação da Fazenda Jaborandi não tinham aderência, ao irem beber água, os lobos-guará escorregaram, caíram no reservatório e não conseguiram retornar à superfície — terminando por morrer afogados. 

Devido à gravidade da questão, o Inema multou José Fava Neto em R$ 200 mil, determinou uma série de melhorias para evitar novos incidentes (confira mais abaixo) e encaminhou uma notícia de fato ao Ministério Público da Bahia (MP-BA)

“A presente ação civil pública objetiva precaver novos danos ambientais à fauna brasileira e evitar os acidentes por afogamento, que causam a morte e lesões corporais graves em animais sob ameaça de extinção, especialmente os lobos-guará, perpetrados em virtude de canais de irrigação instaurados no empreendimento agrícola Agrofava, postulando-se a adequação na operação de canais e reservatórios na atividade de agricultura irrigada de modo a impedir novos episódios de afogamento de animais”, dizia a trecho do documento do MP-BA.

O BNews questionou a Agrofava sobre as mortes dos lobos-guará na propriedade e as determinações do Inema. No entanto, até o fechamento desta reportagem, não recebeu retorno. O espaço segue aberto para possíveis manifestações futuras.

Conheça a família de lobos-guará

Formoso, um lobo-guará de um ano, foi o primeiro a ser encontrado afogado. Seu corpo foi encontrado boiando em um canal da fazenda em 3 de junho de 2023. Três semanas depois, em 26 de junho, foi identificado no local o corpo de sua mãe, a loba Nhorinhá, já em estágio avançado de decomposição. Pouco mais de um mês depois, em 6 de agosto, foi a vez do corpo de Urucuia, outro filhote da Nhorinhá, também ser encontrado na fazenda.

Os três lobos-guará eram monitorados com um colar que enviava sua localização ao Onçafari — organização não governamental que atua com a conservação de espécies ameaçadas e com ecoturismo com sede na divisa entre os estados de Goiás e Bahia. Inclusive, foi esse monitoramento que permitiu a descoberta dos óbitos.

Veja as imagens dos lobos-guará encontrados mortos:

Atualmente, a estimativa é que existam apenas 24 mil lobos-guará no Brasil, o que os garante a situação de "vulnerável", segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ao mesmo tempo, seu principal habitat, o Cerrado, perdeu cerca de 28,5 milhões de hectares de sua vegetação entre os anos de 1985 e 2019.

Confira a multa e todas as determinações do Inema à Agrofava, empresa de José Fava Neto:

MP-BA

Classificação Indicativa: Livre

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