Meio Ambiente

Jovens baianos de escola pública desenvolvem bioplástico e apontam alternativa ao plástico tradicional

Ascom/secti
Estudantes da Chapada Diamantina deselvoveram o bioplásticos com materiais da Chapada Diamantina  |   Bnews - Divulgação Ascom/secti
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 16/03/2026, às 12h00 - Atualizado às 13h24



Os estudantes Keyslla Santos e Riquelme Cordeiro, do Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Ana Lúcia Aguiar Viana, em Barra da Estiva, desenvolveram três tipos de bioplásticos produzidos a partir de milho (Zea mays), mandioca (Manihot esculenta) e abacate (Persea americana).

A iniciativa busca contribuir para a redução da poluição provocada por plásticos convencionais. O Brasil é o quarto maior produtor de plástico do mundo, atrás de Estados Unidos, China e Índia. A posição no ranking, divulgada pela World Wide Fund for Nature (WWF), está associada a uma série de desafios ambientais.

A professora orientadora do projeto destacou a importância de valorizar a ciência e de utilizar matérias-primas acessíveis na região da Chapada Diamantina, onde o município está localizado.

Segundo ela, ao observar que milho e mandioca são ricos em amido — e que o caroço do abacate, geralmente descartado, também pode fornecer a substância — o grupo decidiu desenvolver três bioplásticos distintos para comparar propriedades e potencial de sustentabilidade.

De acordo com o estudante Riquelme Cordeiro, antes da produção foi necessário realizar análises para entender o comportamento do material e sua viabilidade. Ele explicou que o bioplástico feito com amido de milho apresentou menor resistência e flexibilidade, enquanto o material produzido a partir do abacate teve resultados satisfatórios nesses aspectos, embora inferiores aos obtidos com a mandioca.

Já a estudante Keyslla Santos afirmou que o bioplástico produzido com mandioca apresentou o melhor desempenho entre os três testados. Segundo ela, o material demonstrou maior resistência e flexibilidade em comparação ao de milho, além de melhor durabilidade. O produto também permitiu variações de espessura, podendo ser produzido em camadas mais finas ou mais espessas sem comprometer a estrutura, o que fez com que fosse considerado a formulação mais viável.

O projeto foi desenvolvido no âmbito do Clube de Ciências da escola e esteve entre os destaques do Encontro Estudantil da Secretaria da Educação da Bahia. As próximas etapas da pesquisa incluem o aprimoramento da resistência do bioplástico, a realização de testes mais aprofundados de degradação e a busca por parcerias que permitam ampliar a aplicação da tecnologia.

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