Meio Ambiente
Publicado em 03/06/2025, às 12h00 Dandara Amorim
O aumento das secas, as temperaturas mais severas e as fortes tempestades são mudanças que vêm acontecendo no Planeta Terra. De modo geral, existe um consenso sobre o que pode estar causando essas alterações climáticas: o aquecimento global. Mas, quais são os mitos e verdades que rodeiam esse fenômeno?
Em entrevista ao BNews Junho Verde, o professor adjunto do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), Ismael Silveira, contou que “o efeito estufa em si não é prejudicial. Trata-se de um fenômeno natural e essencial para manter a temperatura da Terra em níveis habitáveis — sem ele, o planeta seria gelado e inóspito”. Porém, a cena muda de figura quando os gases emitidos pela ação humana aumentam de maneira descontrolada.
Uma das perguntas que podem surgir é: como esse fenômeno afeta a vida das pessoas na prática? As consequências podemos ver de perto, segundo o Doutor em Saúde Coletiva, na área de concentração em Epidemiologia, pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), Ismael Silveira. Como exemplo, podemos citar os danos na saúde mental depois de desastres, como deslizamento de terra e alagamentos.
“Existem ainda aqueles impactos que não são diretos, mas que são mediados, por exemplo, por alterações nos ecossistemas e no uso do solo, e podem contribuir por exemplo para a produção de alimentos e aumentar a insegura alimentar, ou até contribuir para o aumento de doenças como a dengue, malária, dentre outras”, destacou o pesquisador.
Quando os efeitos do aquecimento global atingem a produção de alimentos, afeta também a economia. O desequilíbrio ambiental no campo reduz as colheitas, o que dificulta cada vez mais a tarefa de alimentar a população. Segundo pesquisa publicada pela revista Nature, a economia global pode enfrentar diminuição significativa de renda, estimada em 19% até 2050, devido aos efeitos das mudanças climáticas.
O professor e consultor de Economia e Finanças, Antonio Carvalho, em entrevista ao BNews Junho Verde, explicou que os efeitos atingem o Brasil, pois o país tem uma capacidade produtiva da agropecuária invejável e invejada pelo mundo inteiro, já que existem "extensos territórios agricultáveis, o volume de água disponível e a diversidade de climas, possibilita o desenvolvimento de um leque de atividades em grandes volumes não presentes em nenhum outro país".
Carvalho ainda destacou que o agronegócio brasileiro precisa estar atento às questões ambientais, e pensar além da geração de riquezas para si e para os demais países. Mas também contribuir positivamente para a preservação da natureza, implicando na "minimização das mudanças climáticas e seus efeitos que são muito danosos para a vida na terra, principalmente para a própria atividade agropecuária".
Mas, afinal de contas, as mudanças climáticas são inevitáveis?
Esse é um mito, informam especialistas. Ao longo de milhões de anos, o Planeta Terra já passou por transformações climáticas e geográficas. Porém, atualmente, para o professor Ismael Silveira o contexto é outro, uma vez que a ação humana acelera o consumo das reservas e materiais naturais, como a queima de combustíveis fósseis, que ocorre devido à demanda por energia nas diversas atividades industriais.
“Esses fatores intensificam o efeito estufa e desestabilizam os sistemas naturais, com impactos muito graves para o equilíbrio dos ecossistemas, e para a vida humana e das diversas espécies do planeta.”
Por outro lado, as atividades econômicas necessárias para o desenvolvimento humano também podem desempenhar um papel positivo quanto a preservação do meio ambiente. Essa transição para uma economia verde, obedecendo os princípios de sustentabilidade e eficiência, abre caminho para novas oportunidades de negócios e inovação.
Antonio Carvalho, consultor de economia, destacou a provocação da ONU, que resultou em um conjunto de medidas adotadas pelo mercado financeiro, difundida como ESG, acrónimo de Environmental, Social, and Governance (Ambiental, Social e Governança). Essa prática está integrada a geração de valor econômico aliado à preocupação com as questões ambientais, sociais e de governança corporativa, por parte das empresas.
"O ESG gerou um movimento de busca pela adequação das corporações em busca de um modelo mais responsável e sustentável de fazer negócios. O ESG por nascer no mercado financeiro traz consigo um poder muito mais impositivo, por ter caráter condicionante para acesso a recursos e punitivo quando uma empresa ou qualquer fornecedor de sua cadeia, ferir frontalmente uma ou mais das três dimensões propostas", afirmou o professor Carvalho.
Existem também ferramentas jurídicas, quando a Constituição Federal de 1988 estabelece o princípio do desenvolvimento sustentável, que busca conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente. Como exemplo, existem a Lei nº 6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, e a Lei nº 9.605/1998, que trata sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente.
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É importante destacar que ainda é possível “reverter” o aquecimento global, mas, de acordo com o professor Silveira, o tempo está acabando. Piores cenários podem ser protagonizados neste século.
“De acordo com os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, temos que reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em cerca de 45% até 2030 (isso em relação aos níveis de 2010) e alcançar emissões líquidas zero até 2050 para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C — meta estabelecida no Acordo de Paris, firmado por quase todos os países do mundo em 2015”, explicou o pesquisador.
A questão que rodeia a Terra neste momento é que não estamos seguindo em direção a redução da devastação ambiental. E caso os níveis de emissão dos gases continuem em crescimento, “os impactos se tornarão muito mais severos, incluindo maior frequência de eventos extremos, perda de ecossistemas e agravamento de desigualdades sociais”, concluiu Ismael Silveira.
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