Meio Ambiente

BNews ESG: Salvador sedia congresso internacional de economia circular; especialista explica importância do tema

Divulgação
Celene Brito é pesquisadora e consultora em economia circular; inovação e sustentabilidade estão em pauta  |   Bnews - Divulgação Divulgação


O I Congresso Internacional de Economia Circular, Sustentabilidade, Tecnologias e Habilidades, também conhecido como "Circular Tech Skills", acontecerá em Salvador, nesta quarta-feira (9), forma online, seguido por dois dias de atividades presenciais, 4 e 5 de setembro.

Trata-se de um evento inovador que visa promover a aplicação prática da Economia Circular em diversos setores da sociedade

Economia circular
A Economia Circular é fundamentada em três pilares essenciais: redução de resíduos e poluição, manutenção de produtos e materiais em uso e regeneração dos sistemas naturais. A implementação deste conceito é crucial para a transformação do sistema de produção industrial e requer uma mudança de mentalidade e visão sobre como produzimos, trabalhamos e vivemos no planeta.

O debate sobre Economia Circular já é uma realidade em diversos países, incluindo o Brasil. Empresas, ONGs, indústrias e universidades estão cada vez mais engajadas em projetos e iniciativas voltadas para a sustentabilidade. No entanto, a questão do "como fazer" ainda precisa de maior clareza e orientação.


Programação:
Dia online (9 de abril de 2025):
● Palestras: Especialistas de Portugal, Países Baixos, Suécia, Estados Unidos e Brasil apresentarão um panorama global da Economia Circular e cases de sucesso.
● Mini workshops: Estruturas práticas e estratégias para a Economia Circular serão discutidas em sessões interativas.
Dias presenciais:
● Plano para startups: Oportunidades para startups que desenvolvem projetos relacionados à economia circular, habilidades, mentalidade, sustentabilidade, aspectos ambientais e sociais.
● Exemplos práticos: Apresentações de implementação da Economia Circular em indústrias, cooperativas, escolas e comunidades, incentivando o aprendizado de "como fazer".

Pesquisadora e consultora em economia circular, inovação e sustentabilidade, Celene Brito é diretora técnica do evento e criadora do método de avaliação integrada de habilidades para a economia circular, que se baseia na identificação de modelos mentais e aspectos psicológicos que estão alinhados com a transição para a economia circular.

Celene Brito
Arquivo Pessoal

A Engenheira ambiental, Especialista em Comunicação e Doutoranda em Psicologia para a Economia Circular concedeu entrevista ao BNews ESG falou sobre a importância do evento e de iniciativas que fomentem a economia circular. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

BNews ESG: Gostaria que você falasse sobre a importância de eventos como Congresso Internacional de Economia Circular, Sustentabilidade, Tecnologias e Habilidades.

Celene Brito: É importante fazer esses congressos e cursos de economia circular, principalmente para desenvolver habilidades circulares, porque nós vivenciamos o modelo de economia linear. Então, todas as atividades, todo o pensamento, está voltado para esse condicionamento mais linear. E como as rotinas impedem as reflexões, esses congressos, cursos, seminários, eles vão contribuindo para essa reflexão. E no nosso evento, principalmente, que a gente vai trabalhar tanto as questões do conhecimento chamado Hard Skills, como do conhecimento denominado Soft Skills, que é conhecimento de comunicação, conhecimento de vivências, de desenvolvimento, de dinâmicas do pensamento sistêmico, então essas questões todas vão favorecendo a um alargamento da mente para que as pessoas comecem a de fato ter uma intencionalidade de mudar.

BNews ESG: Em que pé está, atualmente, o fomento e a aplicação da Economia Circular em nossa sociedade?

Celene Brito: Atualmente existem várias iniciativas nas empresas e são iniciativas válidas, que são iniciativas que colaboram para que o todo se modifique, mas atualmente, a gente precisa de inovações mais disruptivas, são inovações que podem modificar o mercado. Então, vou dar um exemplo: uma indústria, ela aplica um reaproveitamento e reciclagem da água nos seus processos, então ela vai deixar de extrair aquela água do rio e não vai precisar lançar o esgoto industrial nesse mesmo rio, então isso aí, é aplicar o conceito de Economia Circular. Porém, é uma forma de aplicar incremental, localizada, porque não vai modificar o modus operandi daquela indústria. Então, para modificar o modus operandi é preciso trabalhar na mentalidade e nas habilidades.

BNews ESG: O debate sobre Economia Circular no poder público tem sido constante e frutífero?

Celene Brito: Existem várias iniciativas no poder público e agora lançaram o Plano Nacional de Economia Circular e tem atuação de algumas organizações, de forma veemente, como a Ellen MacArthur Foundation, o Clube Mundial de Economia Circular, que é CEC City Salvador está promovendo, o Congresso Circular Tech Skills também, e a Eco Recitec tem desenvolvido bastante essa questão, porque ela está voltada mais para as questões de mudança de mentalidade, de habilidades, então o caminho é esse, todos colaborando um pouco na criação de ecossistemas mais circulares e com essa perspectiva de sempre estar modificando. A forma como a gente tem desenhado os nossos produtos, o nosso sistema, porque o produto da economia circular, ele precisa ter um design para fazer com que permaneça circulando no sistema. Então, esse produto circulando no sistema, sendo reaproveitado, reciclado, remanufaturado, ele vai evitar a estação da matéria-prima e o descarte após o seu uso.

BNews ESG: Em Salvador, há iniciativas interessantes nesse sentido?

Celene Brito: Sim, existem iniciativas, principalmente de startups, a gente pode ver a prefeitura tem estimulado isso, a prefeitura também é uma das parceiras do Circular Tech Skills, tem estimulado essas startups. A própria EcoRecitec é uma startup que está desenvolvendo, que desenvolveu um modelo de mentalidade linear ao circular em uma plataforma denominada Flash PlayHR, essa plataforma, o que esse método faz? Ele identifica o estágio em que se encontra as pessoas, os colaboradores, de uma organização, qualquer que seja essa organização e além de identificar o estágio, identifica o estágio do coletivo dessa organização, ou seja, com a visão de inclusão do sistema humano, do ecossistema humano. Então, isso traz um novo diferencial, porque pode-se planejar e trabalhar em função de um outro prisma, de uma outra visão e na visão de cada um, que participa daquele contexto, daquela organização, porque cada pessoa única e cada organização torna-se única pela composição, pelo seu time, pelo que o seu time traz de riqueza, de opiniões e da sua própria mentalidade.

BNews ESG: Quais as principais dificuldades da transição para a economia circular?

Celene Brito: A principal dificuldade é que o nosso modelo está totalmente estruturado para atuação de forma a se cumprir a economia linear, então existem gargalos, normativos legais, estruturais, normativos de investimento, questões de investimento e também o principal deles, que é aquele que a Ecorecitec atua no momento, que é o desenvolvimento de novas habilidades e ajudar no desenvolvimento de uma nova mentalidade. Então, nós acreditamos que o principal gargalo está na mentalidade dos líderes, dos executivos, que aos poucos precisam estar incorporando questões. Como ambientais, sociais e acreditar que mesmo com essa incorporação, haverá uma lucratividade na aplicação da economia circular.

BNews ESG: De que forma o método criado por você, de linear ao circular, pode contribuir para esse debate tão importante.

Celene Brito: O método de linear ao circular, nós desenvolvemos o método de mentalidade de linear ao circular. Então, já existia esse debate do linear e o circular e através dos meus estudos de doutorado, estudos de psicologia, no contexto da economia circular, eu desenvolvi o método de mentalidade de linear ao circular, que foi aplicado em uma plataforma, foi desenvolvido no software. Por que esse método é importante? Porque ele identifica os perfis na perspectiva, é como se medisse um coeficiente de circularidade tanto do colaborador, do indivíduo, como da organização. E a partir daí, se pode trabalhar no planejamento circular, de uma forma mais assertiva, no desenvolvimento de capacitações mais assertivas, contribui com uma reflexão que as pessoas, no dia a dia, nas rotinas, não conseguem refletir. Então, são gerados muitos conteúdos para esse debate, da importância de que a gente, na nossa sociedade moderna, nós precisamos abrir espaços para incorporar as questões da ecologia, do meio ambiente e das outras pessoas, mas não assim, no intuito de ajudar por carência, mas mostrar para essas pessoas, o potencial que elas podem desenvolver, trabalhando em sinergia, em ecossistemas e com ajuda mútua. Então, esses processos eles podem repercutir de uma maneira muito positiva. O modelo, ele também ajuda numa gestão do sistema complexo, porque o caminho é partindo da mentalidade, mas indo para materializar os projetos. Então, eu estou muito entusiasmada com esse método e nesse momento, onde a gente está precisando tanto de que haja uma mudança, ele veio para contribuir para essa mudança de paradigma, porque nós estamos com problemas sérios, em relação às mudanças climáticas, a altos impactos na questão ambiental, e parece que muitas pessoas perderam a esperança. Então, é um método que também pode resgatar a esperança.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube!

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)