Meio Ambiente

Junho Verde: Como escolas e universidades estão ensinando sustentabilidade? Especialistas explicam

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Instituições enfrentam desafios na implementação da sustentabilidade, mas iniciativas públicas buscam fortalecer a educação ambiental.  |   Bnews - Divulgação Divulgação / UFBA
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 22/06/2025, às 06h00



A educação ambiental tem ganhado cada vez mais espaço dentro das salas de aula e dos campi universitários do Brasil. De compostagem a hortas escolares, passando por feiras científicas e semanas temáticas, escolas e universidades vêm buscando integrar a sustentabilidade tanto na teoria quanto na prática. Essa transformação, ainda que cheia de desafios, tem mostrado um caminho possível e necessário para um futuro mais consciente.

Segundo Esaú Franco, biólogo, mestre em Diversidade Animal e doutorando em Biodiversidade e Evolução pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o compromisso com a educação ambiental nas instituições tem crescido, ainda que esteja longe do ideal. 

"Nos últimos anos, tenho visto diversas práticas sustentáveis sendo implementadas, como compostagem — especialmente no Restaurante Universitário da UFBA — hortas escolares e urbanas, e projetos de sustentabilidade, como feiras de ciências e semanas do meio ambiente", afirmou o pesquisador em entrevista ao BNews Junho Verde.

Mas não se trata apenas de acrescentar conteúdos ao currículo. Para Esaú, a chave está em mudar a abordagem pedagógica. “A educação ambiental deve ser transversal, participativa e conectada à realidade local. É mais fácil aprender sobre o ambiente a partir da realidade ao redor do que de contextos distantes”, destacou.

Um exemplo dessa abordagem pode ser visto em um projeto desenvolvido em uma comunidade pesqueira, onde os estudantes aprendem a matemática a partir da vivência com a pesca — desde o cálculo de quilos de peixe até o troco nas vendas. Além disso, os alunos são introduzidos à importância da preservação de espécies, relacionando o conhecimento tradicional dos pais e avós com conceitos científicos e sociais.

"Esses projetos têm poder transformador, desde que sejam incorporados à formação ética, social e ambiental dos estudantes, e não tratados apenas como atividades pontuais", reforçou Esaú.

Contudo, a implementação dessas práticas enfrenta obstáculos consideráveis. De acordo com o biólogo, as instituições lidam com limitações de infraestrutura e recursos financeiros, resistência a mudanças, falta de tempo e capacitação dos profissionais, além da descontinuidade dos projetos devido à rotatividade de pessoal. A ausência de um acompanhamento contínuo e a desconexão com a realidade local também dificultam o avanço das ações sustentáveis nas escolas e universidades.

Apesar dos entraves, iniciativas públicas vêm reforçando o papel da sustentabilidade na educação e na vida urbana. O Secretário de Sustentabilidade de Salvador, Ivan Euler, destaca que o Junho Verde é uma oportunidade estratégica para promover o diálogo e a ação ambiental. 

“Nos últimos anos, plantamos mais de 130 mil árvores nativas, ampliamos as hortas comerciais agroecológicas como fontes de renda e educação ambiental, e fortalecemos programas como o Recicla Salvador”, afirma. Neste ano, a cidade terá uma programação especial com ações educativas, atividades práticas e eventos voltados à construção de uma Salvador mais verde e resiliente.

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