Meio Ambiente

Junho Verde: microplásticos chegam a tamanho minúsculo e escapam até de estações de tratamento de água

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Pesquisadores alertam para risco de doenças como câncer e Parkinson causadas pela exposição contínua aos microplásticos  |   Bnews - Divulgação Reprodução

Publicado em 23/06/2025, às 11h03   Redação



O termo microplásticos já é conhecido de grande parte da população. A palavra remete a “plásticos pequenos” e torou-se uma das formas mais recorrentes de poluir o meio ambiente. Tecnicamente, microplásticos são partículas plásticas com diâmetro entre 1 e 1000 µm (1 mm), e podem chegar a tamanhos inferiores a 0,1 µm (0,0001 mm), sendo então chamados de nanoplásticos. Nessa escala, segundo o g1, a área superficial aumenta muito, intensificando sua reatividade e impacto ambiental.

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Para comparar, areia grossa tem tamanho similar ao dos microplásticos. Já os nanoplásticos são menores que a espessura de um fio de cabelo (50–100 µm). Visualmente, uma formiga poderia representar um microplástico diante de uma garrafa PET (polietileno tereftalato), enquanto um vírus ilustraria um nanoplástico, conforme ilustrado na figura abaixo.

O problema é que essas partículas se dispersam facilmente pelo ar, água e organismos vivos, e podem se acumular, causando efeitos ainda pouco compreendidos, mas potencialmente perigosos.

Como se formam os microplásticos

Os microplásticos são fragmentos desses plásticos maiores, a exemplo do PET (garrafas), poliéster (tecidos), PVC (policloreto de vinila - construção), entre outros. Esses materiais se degradam com sol, calor e atrito. Assim como uma laranja se divide em gomos, os plásticos se quebram em pedaços menores, perdendo a forma, mas mantendo características químicas do material original.

Com o tempo, esses fragmentos atingem tamanhos tão pequenos que são classificados como micro ou nanoplásticos, ainda reativos e poluentes, e mais difíceis de controlar.

Essas partículas entram nos sistemas de esgoto por fontes diversas. Por exemplo, produtos de higiene pessoal, como esfoliantes e pastas de dente, contêm microesferas plásticas. A lavagem de roupas sintéticas libera milhares de microfibras — uma única lavagem pode liberar mais de 1900 delas. Essas fibras são grandes poluentes aquáticos. Outra fonte significativa é o desgaste de pneus, cujas partículas são levadas pela água da chuva até os rios e mares.

Na prática, todos nós fazemos parte dessa cadeia de poluição. Pequenas ações, como evitar descartáveis, separar o lixo e preferir roupas de fibras naturais, podem ajudar a diminuir a quantidade de microplásticos liberados no ambiente.


Microplásticos e a água

A maioria das notícias sobre microplásticos está associada aos oceano, como, por exemplo, tartarugas presas em plásticos ou praias contaminadas. Mas o problema vai além disso quando se considera o ciclo da água: evaporação, condensação, precipitação, infiltração e escoamento. A água circula entre a atmosfera, o solo, rios e mares — e os microplásticos vão junto. Por isso, eles são encontrados em ambientes aquáticos, terrestres, atmosféricos e até no interior de organismos vivos..

Os microplásticos estão camuflados em nosso meio ambiente. Estão no ar (inalação), nos tecidos (contato com a pele) e nos alimentos (ingestão). A exposição contínua pode estar relacionada a doenças respiratórias, digestivas, distúrbios do sono, obesidade, diabetes, câncer, disfunções reprodutivas e imunológicas.

Estudos encontraram partículas plásticas no tecido pulmonar humano em 13 de 20 amostras analisadas em autópsias. Os polímeros mais comuns foram polietileno (PE) e polipropileno (PP) e os autores apontam a necessidade urgente de se pesquisar sobre os efeitos desses materiais na saúde.

Outro estudo detectou microplásticos em fezes humanas: PP e PET foram encontrados em 100% das amostras, enquanto poliestireno (PS) e PE apareceram em mais de 95%.


Soluções

A ciência está avançando para enfrentar o desafio dos microplásticos. A remoção dessas partículas pode ocorrer em vários pontos — oceanos, águas pluviais, estações de tratamento de água e de esgoto. Identificar as principais fontes de descarte é crucial para aplicar a tecnologia mais eficaz.

Um dos grandes problemas está nas estações de tratamento de águas residuais, que embora removam até 98% dos microplásticos, falham com partículas muito pequenas, especialmente abaixo de 20 µm — e principalmente com os nanoplásticos. Essas partículas acabam na água potável e em efluentes tratados, oferecendo risco potencial à saúde.

Pesquisadores têm explorado métodos como oxidação avançada (por exemplo, radiação ultravioleta (UV), UV/peróxido de hidrogênio, ozônio), biodegradação, filtração, adsorção, separação magnética, degradação térmica, microrrobôs e nanorrobôs. A fotocatálise, que usa luz solar para degradar poluentes, destaca-se como alternativa promissora, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. No entanto, é essencial monitorar os compostos formados, pois subprodutos tóxicos podem surgir.

Classificação Indicativa: Livre

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