Meio Ambiente
Separar latas de refrigerante e cacos de vidro, reutilizar a bandeja do frango ou até mesmo transformar o óleo usado em sabão: essas ações simples de reciclagem e reutilização, que começam em casa, têm um impacto enorme no meio ambiente a longo prazo.
O relatório Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024, divulgado em dezembro pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), apontou que 41,5% do lixo urbano produzido em 2023 no país foi destinado de forma inadequada.
No mesmo ano, cada brasileiro produziu, em média, 1,047 kg de resíduos sólidos urbanos por dia — o que representa uma produção diária de mais de 221 mil toneladas de lixo e, ao longo do ano, mais de 81 milhões de toneladas em todo o país.
Mas, afinal, de que forma podemos atuar para mudar esse cenário e incorporar de vez o hábito da reciclagem no dia a dia? Para responder a essa pergunta, a equipe do BNews Junho Verde conversou com Elias Júnior, administrador da Cooperativa Bariri, especializada em triagem e destinação de resíduos sólidos em Salvador, que impacta diretamente a vida de pessoas que dependem da reciclagem como fonte de renda.
Segundo Júnior, a Bariri foi criada em 2004, na comunidade de mesmo nome, no bairro do Engenho Velho de Brotas, onde agentes voluntários de limpeza já atuavam em troca de algum retorno financeiro. Atualmente, 21 cooperados fazem parte da iniciativa, mas a cooperativa também oferece apoio a outros catadores de materiais recicláveis.
"Na época, a gente não tinha esse foco ambiental — e acho que nem o mundo tinha. Era mais uma questão de sustentabilidade para garantir a sobrevivência. Hoje, estou na segunda geração de cooperados e nos preocupamos muito com o meio ambiente, com a economia circular, pois entendemos o processo. A maior parte do nosso material adquirido é papelão — diria que 80%. Mas a gente coleta todo tipo de material. Ele é prensado e depois comercializado", explicou.
O grupo atua em mercados, hospitais e condomínios, além de contar com o apoio da Prefeitura de Salvador e do Governo do Estado. Durante o Carnaval de 2025, por exemplo, muitos cooperados da Bariri atuaram no recolhimento de alumínio, plástico e PET. Até o dia 4 de março, o Reciclômetro contabilizou quase 28 toneladas de materiais recicláveis recolhidos nos circuitos da folia.
"A Bariri já está toda documentada, tem todas as licenças, então a gente consegue grandes benefícios, através de grandes empresas, projetos do governo do estado e federal, e da prefeitura. Os olhares mudaram ao longo dos anos. É muito difícil manter uma cooperativa de reciclável, pois é muito dinheiro investido e o valor arrecadado é pouco", declarou.
Reinvenção após incêndio criminoso
Outra iniciativa de destaque é a Cooperativa de Coleta Seletiva Processamento de Plástico e Proteção Ambiental (CAMAPET), criada a partir de um projeto de capacitação do Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), em 1999, na comunidade de Alagados/Itapagipe. Registrada oficialmente em 2005, ela reúne jovens e adultos catadores com o objetivo de promover inclusão social, geração de renda e mudança de comportamento ambiental na região.
Com atuação voltada para a coleta e doação de recicláveis como plástico, papel, metais, eletrônicos e óleo graxo residual (OGR), a CAMAPET beneficia diretamente 25 famílias — o que representa cerca de 125 pessoas que dependem da atividade como principal fonte de sustento.
A história da cooperativa também é marcada por superação. Em setembro de 2012, um incêndio criminoso destruiu a sede, causando a perda de mais de 38 mil toneladas de materiais recicláveis e diversos equipamentos. "Foi um momento muito difícil. Ficamos cinco meses sem renda, mas conseguimos nos reerguer com o apoio da comunidade e de parceiros", relembra a direção do grupo.
Desde então, a CAMAPET funciona em um espaço alugado, mantido exclusivamente com recursos obtidos pela coleta — sem qualquer remuneração por parte do município ou governo.
Dicas de como fazer reciclagem em casa
Para começar a reciclar o lixo doméstico, é necessário adicionar na rotina o hábito de separar os detritos que vão para o descarte comum e aqueles que podem ser reaproveitados.
O lixo orgânico, ou seja, os restos de alimento, normalmente é levado para aterros sanitários. Já os restos de frutas, legumes e verduras costumam se tornar material para compostagem, muito utilizado na agricultura para substituir produtos químicos.
Outros materiais reciclagens necessitam passar por um processo de limpeza e secagem antes de serem armazenados para a coleta seletiva, como papel, alumínio, plástico e vidro. No entanto, nem todos os materiais são reaproveitados, como a esponja de cozinha, óculos, espelhos, louças, ampolas de remédios, etiquetas adesivas e latas de solventes químicos.
Já lixos eletrônicos, como pilhas, baterias, celulares e lâmpadas, devem ser descartados em locais específicos de coleta.
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