Meio Ambiente
por Bruna Rocha
Publicado em 19/04/2025, às 14h35
Aldeias indígenas relatam ameaças e afirmam estar cercadas por fazendas de cultivo de soja, milho e de criação de gado em áreas da Floresta Amazônica. Em entrevista à Agência Brasil, o cacique Ademir Rikbaktsa, da aldeia Beira Rio, na Terra Indígena (TI) Erikpatsa, destacou a importância da preservação da cultura do povo Rikbaktsa.
A gente conversa muito com a comunidade. Aprendi assim com meu pai. A gente conversa muito na língua. Temos dança tradicional e a chicha é nossa bebida. Nunca vamos deixar de fazer cultura. Hoje, estou com meu povo lutando”, conta.
Atualmente, os Rikbaktsa, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), vivem na bacia do Rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, nas TIs Erikpatsa, Japuíra e Escondido. A região sente o impacto direto das lavouras ao redor do local. Existem 34 aldeias distribuídas pelos territórios, e o povo tem um histórico de luta em defesa de suas terras: até 1962, quando os Rikbaktsa resistiram contra os seringueiros que avançavam na região para extrair borracha.
Conforme apontam os indígenas, durante o processo de colonização e imposição religiosa, houve uma perda da língua materna do povo Rikbaktsa, a morte de 75% da população e a perda de territórios. Apesar disso, a população vem crescendo, mas ainda sofrendo com problemas relacionados ao garimpo e madeireiros.
O que a gente tem aqui dentro da nossa comunidade é cultura. A nossa cultura é o povo. É isso que a gente quer passar também para essas novas gerações, esses ensinamentos. Desde os anciãos até hoje, a gente vem aprendendo também.”
Não estando sozinha na luta, a esposa do cacique também desenvolve ações de resistência e luta pela cultura do povo. “Eu, como mãe, sempre digo: vocês têm que aprender a fazer. A gente, como mãe, está ensinando a essas crianças que estão vindo agora também para que depois elas mostrem [a cultura], como a gente está mostrando. No dia em que não estivermos mais aqui, isso vai ficar para eles”, desabafa.
Diante dos avanços do agronegócio, os indígenas da aldeia Pé De Mutum, na TI Japuíra, e o cacique Francisco Rikbaktsa destacaram que anteriormente havia fartura de peixes e carnes, mas hoje o cenário mudou.
A gente era grande e tinha fartura de peixe e carne de animais. Nosso costume é comer esses alimentos tradicionais. Hoje estamos cercados. Em volta é lavoura e há a questão da contaminação da água por agrotóxicos. Vocês estão vendo; estão pisando aqui dentro da nossa aldeia, dentro da área indígena. Falo isso para vocês porque a gente também sofre”.
Além disso, foi pontuado que a caça era encontrada a cerca de um quilômetro (km), mas agora é conquistada a cerca de 15 km. “Para encontrar alguns animais específicos, é preciso andar ainda mais: cerca de 60 km. Os alimentos colhidos também estão mais escassos. ‘A nossa roça [plantação] é a cidade’, eu vou falar a verdade”, pontuou Lauro Ruwai Rikbakta, representante da aldeia Barranco Vermelho, na TI Erikpatsa.
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