Meio Ambiente
Aproximadamente 1,2 milhão de abelhas foram totalmente exterminadas no distrito do Alecrim, área rural do município de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. O caso teria acontecido na última quinta-feira (10) e teria atingido um apiário inteiro — contendo 12 colmeias superpopulosas.
Cachoeira é um dos municípios baianos que se destaca na produção de mel do estado, inclusive em regiões quilombolas. A cidade possui associações comunitárias, cooperativas, núcleos produtivos e empreendimentos da agricultura familiar voltados à apicultura — que consiste na criação de abelhas, principalmente, para produzir mel.
Ao BNews, o ex-presidente da Federação das Associações de Apicultores da Bahia (Faab), Gustavo Falcón, afirmou nunca ter visto nada parecido em mais de 40 anos de atividade apícola. Falcon também é fundador da Associação de Apicultores do Recôncavo e tradicional criador da região com apiários no Alecrim e na região do Tabuleiro da Vitória.
Trata-se da morte em massa de milhares de insetos de um dia para o outro, numa área que desconhece o uso de herbicidas e outros agrotóxicos exatamente por se tratar de zona preferencialmente explorada por pequenos agricultores e sitiantes”, afirmou o apicultor.
De acordo com Falcon, o envenenamento foi documentado e amostras por congelamento de todos os enxames exterminados foram recolhidas. A suspeita é de que algumas fazendas da vizinhança do apiário tenham feito uso de venenos a base de glifosato ou qualquer outro herbicida de grande toxicidade em suas pastagens, provocando esse grande morticínio.
O incidente já teria sido comunicado por ele à Associação de Apicultores do Recôncavo, à Associação de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), à Secretaria do Meio Ambiente de Cachoeira e ao Conselho Municipal do Meio-Ambiente — que vão analisar as amostras e identificar a causa da morte.
Após as conclusões dos órgãos competentes, vamos tomar as providências necessárias tanto para reparar o prejuízo quanto para ampliar a fiscalização em Cachoeira, cidade que possui dezenas de apicultores e meliponicultores e cujo mel orgânico é bastante apreciado e consumido em toda a região do Recôncavo”, afirmou Gustavo Falcón.
O BNews procurou a prefeitura de Cachoeira que informou que uma equipe da Secretaria do Meio Ambiente irá ao local, na próxima segunda-feira (14), juntamente com a ADAB para apurar o ocorrido e verificar o que pode ter acontecido.
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