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Publicado em 24/06/2025, às 11h55 Dan Gama
O escritório de direitos humanos da ONU, acusou Israel de usar a comida como “arma” na Faixa de Gaza e de matar mais de 410 palestinos que buscavam ajuda humanitária, nesta terça-feira (24).
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Segundo a ONU, o uso da comida como forma de controle em Gaza, restringindo o acesso de civis à ajuda humanitária, pode configurar crime de guerra. A declaração feita por Al-Kheetan, representante da UNRWA, que criticou duramente o novo modelo israelense de distribuição de ajuda — agora gerenciado por uma organização privada dos EUA, considerada controversa. Essa é a crítica mais severa da ONU até agora sobre o papel de Israel na crise humanitária em Gaza.
“A instrumentalização da comida contra civis, além de restringir ou impedir o acesso a serviços essenciais para a sobrevivência, constitui um crime de guerra e, em determinadas circunstâncias, pode representar elementos de outros crimes segundo o direito internacional”, afirmou Al-Kheetan.
Os dados apresentados pela agência da ONU são semelhantes aos números fornecidos pelo Ministério da Saúde de Gaza, que é administrado pelo grupo Hamas, classificado como terrorista. De acordo com um relatório divulgado na segunda-feira por esse ministério, 467 palestinos morreram e cerca de 3.600 ficaram feridos em situações relacionadas à distribuição de ajuda humanitária.
Até o momento, o governo de Israel não havia comentado as declarações da ONU. No entanto, em ocasiões anteriores, as autoridades israelenses já haviam defendido seu novo sistema de distribuição de alimentos na Faixa de Gaza e rejeitado alegações semelhantes de violações dos direitos humanos feitas por entidades independentes e internacionais.
Philippe Lazzarini, chefe da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), criticou duramente o novo método de entrega de ajuda, classificando-o como uma “abominação” e uma “armadilha mortal”.
Palestinos ouvidos pela agência de notícias Reuters relataram dificuldades para acessar os alimentos distribuídos nos centros da GHF. “Se você é forte, consegue pegar [a ajuda]. Se não for, não pega”, contou um dos entrevistados.
Segundo a ONU e outras organizações humanitárias que acompanham a situação em Gaza, a quantidade de ajuda oferecida pelos centros da GHF está muito aquém das necessidades da população local, sendo descrita como “uma gota no oceano”.
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