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Cerca de 100 pessoas morreram e centenas de turistas desapareceram após a grande enxurrada e deslizamento de terra que ocorreram na fronteira entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26/8). O Itamaraty afirmou que não há informações sobre brasileiros envolvidos até então.
De acordo com a atualização mais recente do Conselho de Turismo do Nepal, são quase 579 viajantes desaparecidos, com 466 estrangeiros e 61 nepaleses. Também consta que os estrangeiros são de 28 países distintos, sendo 133 pessoas da Índia, 54 dos Estados Unidos e 33 do Reino Unido.
A primeira lista divulgada incluía 17 malaios, quatro sul-africanos, um australiano e um holandês, além de outras pessoas sem nacionalidade confirmada. Segundo o Nepal Tourism Board (NTB), a maioria estava indo ao Kailash Mansarovar, no Tibete.
No Nepal, militares, policiais e trabalhadores do setor de energia também estão desaparecidos. São 44 militares, 28 policiais, 13 policiais armados da força paramilitar e 60 trabalhadores de energia, além de funcionários da alfândega e da imigração.
Uma mulher, chamada Kalpana Malla, que estava no distrito nepalês de Nuwakot, diz ao jornal BBC News Brasil que a enchente "levou tudo" dela.
"Meus familiares foram arrastados pela enchente diante dos meus olhos. Eles não conseguiram escapar da enchente; não havia qualquer possibilidade. ela levou tudo, mas meu filho e eu subimos no telhado de uma casa e sobrevivemos, embora eu não consiga explicar como", lamenta.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram uma ponte sendo arrastada pela correnteza e prédios de vários andares caindo na água, na região de Trishuli Bazaar, distrito de Nuwakot, cerca de 25 km a noroeste de Kathmandu.
As imagens mostram o rio Trishuli aumentando rapidamente de volume e velocidade, cheio de sedimentos.
Segundo um porta-voz do Exército do Nepal, Rajaram Basnet, em entrevista à BBC, 88 sobreviventes já foram resgatados, com tropas tentando localizar outras 115 pessoas na vila de Mailung. Quinze helicópteros estão sendo mobilizados para as operações de busca e resgate.
No Nepal foram confirmados pelo menos 100 mortos, mas ainda não há detalhes precisos dos danos. O maior número foi no distrito de Chitwan. Rasuwa e Nuwakot, que ficam próximos às margens do rio Bhotekoshi, também foram atingidos.
A enchente destruiu estradas, pontes, redes de comunicação e infraestrutura hidrelétrica, incluindo danos ao projeto hidrelétrico de Trishuli. Mas a polícia está trabalhando para levar moradores de áreas de risco para locais mais seguros e realizando operações de resgate e busca.
O primeiro-ministro, Balendra Shah, disse que o país está "em choque e profundamente abalado" pela enxurrada e pelos danos causados. Ele chegou a chamar, nas redes sociais, a situação como ‘repentina’ e prestou condolências às vítimas e seus familiares. A autoridade garante que o governo está se empenhando nos resgates.
A Televisão Central da China, mídia estatal chinesa, reportou três mortos e 265 desaparecidos no lado tibetano da fronteira, controlado pela China.
O presidente chinês Xi Jinping determinou medidas para um esforço de resgate para localizar os desaparecidos no Tibete. Ele também pediu reforço no monitoramento e nos sistemas de alerta antecipado para conseguir evitar novas tragédias.
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A principal hipótese é que uma avalanche de gelo tenha iniciado uma série de eventos.
Liz Stephens, professora de Risco Climático e Resiliência na Universidade de Reading, explica que grandes volumes de gelo e rocha podem ter causado o aumento do nível do rio.
A outra suposição investiga um possível bloqueio temporário no rio, o que formou um tipo de ‘barragem’. Quando essa barreira se rompeu, a água e sedimentos acumulados podem ter avançado no rio.
O que pode ter facilitado a avalanche é o terreno difícil do Himalaia, incluindo a parte do Tibete. Por essa razão, especialistas pretendem analisar imagens de satélite.
Por outro lado, o Departamento de Meteorologia e Hidrologia do Nepal diz que um grande bloco de gelo (provavelmente parte de uma geleira) parece ter desabado de uma montanha no lado tibetano, levando rochas e outros sedimentos junto.
De acordo com eles, isso pode ter causado um maior volume de água por conta do atrito entre as rochas e o gelo na queda. Os detritos restantes de rochas e sedimentos teriam criado uma represa no rio Lhende, obstruindo inicialmente o fluxo, mas, por fim, fez a barreira se romper.
O verdadeiro motivo apenas será descoberto quando imagens de satélite mais nítidas forem verificadas.
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