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Tarifaço: Documento sigiloso aponta tentativa de Trump de interferir nas eleições do Brasil

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Tentativa de interferência ocorreu durante negociação diplomática para evitar tarifaço contra o Brasil  |   Bnews - Divulgação White House
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 17/09/2026, às 10h15



Um documento sigiloso revelado nesta quinta-feira (17) aponta que o governo de Donald Trump tentou interferir nas eleições brasileiras em meio às negociações diplomáticas do Brasil para tentar barrar a imposição de tarifas dos Estados Unidos contra o país. De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, a avaliação do governo brasileiro é de que a interferência seria considerada uma tentativa de intromissão explícita no processo eleitoral de outro país, o que é inaceitável.

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Os documentos revelados pela reportagem eram tidos como sigilosos em meio às negociações diplomáticas e foram apresentados em 16 de novembro do ano passado. O governo dos Estados Unidos demandou que o país se comprometesse com a realização de eleições “livres e justas”, sem que "dissidentes políticos" fossem detidos, presos ou impedidos "arbitrariamente" de participar das eleições presidenciais de 2026.

O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral", exigiu o governo Trump, segundo o documento.

Integrantes do governo brasileiro ouvidos pelo Estadão apontam que a exigência tinha como objetivo viabilizar uma possibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), condenado no ano passado por tentativa de golpe, nas eleições presidenciais contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Oficialmente, nem o Itamaraty ou o Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos se manifestaram sobre o tema.

A missão brasileira despachada a Washington contou com ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) e tratou da proposta de acordo entre os dois governos após o tarifaço de 50% imposto ao Brasil, anunciado pelos EUA em julho do ano passado.

No mês passado, segundo a reportagem, uma alta autoridade do Departamento de Estado afirmou, sob reserva, que o governo dos EUA respeitaria o resultado das urnas, desde que o Brasil promovesse uma disputa eleitoral “livre e justa”. e que os EUA já trabalharam com governos “de ambos os lados do espectro no Brasil” e que esses relacionamentos foram “muito bem-sucedidos.”

O posicionamento é similar ao do embaixador americano indicado por Trump para o Brasil, Daniel Perez. Ainda que não tenha sido aprovado por Lula, ele negou que pretenda se envolver na disputa eleitoral brasileira.

Quanto às eleições no Brasil, isso cabe aos brasileiros decidir, e quem quer que eles escolham como vencedor será a pessoa com quem trabalharei”, disse Perez a uma TV na Flórida.

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