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Na Sombra do Poder: Rei das Águas

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Os bastidores da política baiana  |   Bnews - Divulgação Reprodução

Publicado em 13/11/2025, às 06h00 - Atualizado às 08h00   Editoria de Política



Rei das Águas
No cais de Salvador, onde o Atlântico devora segredos com fome de acarajé, o Rei das Águas — outrora tritão de piscinas rasas e fortunas de espuma — agora boia em tsunamis que ele mesmo acendeu com fósforos de contratos inflamados. Ousadias que incendiaram rios de disputas ambientais e oceanos de liminares voltam como ressaca. Áreas milionárias, avaliadas em centenas de milhões, disputadas por centavos — barradas pelos tribunais, com embargos dançando em corregedorias e falências decretadas sem um pio dos credores. A logística marítima, cega como bússola em rumo falsificado, patina em rotas judiciais que levam ao vórtice. “Marinheiro bom se forja no revolto”, adagia o mar, mas sua quilha range, e o naufrágio não é presságio: é o epílogo de quem brinca com fogo submerso. Acordo nos bastidores ou destroços no fundo? O próximo mergulho pode ser o último suspiro.

Dúvida verde
Em meio às críticas por conta do desmatamento e às polêmicas envolvendo áreas verdes de Salvador, o prefeito Bruno Reis foi só sorrisos a todo lugar que visitou em Belém do Pará, na COP30. Nem mesmo a bola fora ao ser entrevistado ao vivo num telejornal — e fugir da pergunta sobre os problemas da capital com a chuva — o abalou. Nas redes, Bruno colecionou mais dúvidas do que likes. “O que ele foi fazer lá?”, questionaram internautas.

O afro foi punk
No último fim de semana, o já tradicional Afropunk lotou o feed de notícias de blogs e sites baianos com as principais figuras negras, mostrando tudo do bom e do melhor que pretos e pretas de Salvador têm pra dar e vender. Quem não achou nada foi uma figurinha carimbada do midiê jornalístico baiano, que tentou a todo custo carimbar sua passagem para Wakanda num dos lounges do evento. Barrado no baile, sobrou pra ele ter que curtir os shows da pista junto com o público comum, revoltando o jovem. Resta saber se ele vai reclamar do atendimento no Twitter e ser cancelado mais uma vez. É punk!

Afago conveniente
Dizem pelos corredores da Câmara que certo vereador, que até ontem jurava amores eternos ao prefeito, agora anda distribuindo sorrisos para o grupo de oposição. “Política é igual xadrez”, diz ele. Pena que o tabuleiro dele parece mais um jogo de dama (e das simples).

Sem crédito
Um secretário de confiança de um figurão do governo baiano anda reclamando de ingratidão. Chegou até a NSP que ele, que trabalha dia e noite, vê seu crédito sempre indo pro chefe. Ele já percebeu que só aparece “quem faz selfie, não quem trabalha”. O jeito vai ser ter que buscar oportunidades em outras áreas — talvez se mudando para Brasília, onde é bem-quisto.

Boca de urna
A votação para eleger os destaques parlamentares de 2025 na ALBA foi regada a polêmicas. Na rádio-corredor, não faltaram burburinhos sobre aqueles que até tentaram ganhar notoriedade na premiação, mas não viram a cor do pódio. Corre nos bastidores que alguns parlamentares ofereceram “algo a mais” em troca de alguns votinhos e ficaram a ver navios… Vixe!

Férias adiantadas?
Antecipar o período de descanso tem deixado de ser um sonho e se tornado uma realidade para alguns políticos na Câmara Municipal de Salvador e na Assembleia Legislativa da Bahia. Frequentar o trabalho? Pra quê? Isso parece não ser prioridade para aqueles que foram eleitos para estudar propostas que melhorem a vida da população.

Le Parc
No coração blindado do Le Parc, onde portarias prometem fortalezas e tags veiculares sussurram “impenetrável”, os segredos fervem como moqueca mal vigiada — e só quem perambula pelas torres sabe que o maior risco não vem de fora. Um furto audacioso na garagem expôs o conluio perfeito: morador complacente envia QR code como convite a um comparsa, e lá está — chave reluzente no para-brisa de um carro alheio, saída facilitada pela própria tag do condomínio. Proteja-se das muralhas, sim, mas dos vizinhos? Impossível — o lobo veste roupão de cashmere. O condomínio e seus administradores não têm a menor culpa.
E o segundo ato? Uma senhora do círculo seleto — daquelas poderosas que ditam modas em jantares, vinhos em jogos de futebol, festas nababescas no sport bar — tudo ao vivo e a cores nas redes sociais, mas vê seu ninho de luxo à beira do leilão. São dezenas de milhares em taxas condominiais que escondem algemas invisíveis. Poderosa no salão, mas inadimplente no elevador. A NSP contará, em capítulos, a farsa que será desvendada.

Xô, cachorro!
E quem quer abraçar o mundo acaba ficando sem nada… O mundo da política pode vislumbrar os olhos de quem não o conhece, mas, ao mesmo tempo, pode trazer o gostinho (bem) amargo para os que caem. Parece que tem gente sofrendo na pele o “toma lá, dá cá”, porém sem saber como lidar. A avaliação de muitos é que não é necessário coragem para bater de frente, e sim maturidade para lidar com o que chega. É… não está sendo fácil!

Quem não ouve 'cuidado', ouve 'coitado' 1
Essa é a avaliação até mesmo de bolsonaristas sobre a expulsão de Sandro Filho do MBL nesta semana. A visão é que o parlamentar foi imaturo e não soube gerenciar a crise diante das graves denúncias reveladas nas últimas semanas.

Quem não ouve 'cuidado', ouve 'coitado' 2
O fato é que Sandro Filho, justamente por ser o vereador mais jovem de Salvador, pecou em não ouvir conselhos de figuras mais experientes da política. Tentou buscar engajamento a qualquer custo no Insta e, no fim, acabou sendo seduzido facilmente pelos privilégios que o cargo parlamentar lhe concede.

Espanta rodinha
Inclusive, Sandro Filho nunca foi bem-quisto dentro da própria Câmara de Salvador. Além disso, é apontado como um dos responsáveis por fazer o MBL Bahia perder força em todo o estado, e também exposição na mídia, por ser uma figura desagregadora. Isso também explica o fato do MBL nacional querer se livrar dele sem pensar duas vezes.

Da igreja ao bar
Aliás, é curioso que um casal conservador esteja envolvido no lançamento de um bar na capital baiana. O pastor sabe disso?

Pastor do Calabar
Por falar em pastor, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) resolveu dar uma forcinha divina à educação de Salvador. Ele sancionou a lei do vereador Kênio Rezende (PRD) que inclui a leitura da Bíblia Sagrada como recurso paradidático nas escolas públicas e particulares da capital. Mas calma: não é aula de catequese, não. O texto garante que o conteúdo será tratado de forma cultural e acadêmica (nada de pregação). Mas já tem gente dizendo que, do jeito que anda a educação, talvez só mesmo intervenção divina resolva.

Bronca na Barra
O prefeito Bruno Reis parece não andar muito “bem das pernas” com os moradores da Barra e adjacências. A semana foi marcada por uma audiência pública promovida para discutir as problemáticas em torno do excesso de eventos que ocorrem no bairro (a qualquer dia e hora), e o que não faltaram foram críticas e apelos ao chefe do Executivo municipal para que a realidade do bairro seja alterada. Até Bruno Reis foi citado como um dos “aproveitadores” das inúmeras corridas que desembarcam na região… e não faltaram também reclamações sobre a insistência do prefeito em vender as áreas verdes do bairro. Xi, gente! O negócio tá ficando feio…

Voo solo em 2026
Em Salvador, onde o sol baiano queima nichos como educação, política e futebol — sem esquecer o entretenimento, esse circo de máscaras —, irrompe um empresário onívoro, devorando competências como se fossem acarajés quentes. Não se contenta com um palco: orquestra todos ao mesmo tempo, tecendo teias que ligam salas de aula a urnas eleitorais, gramados a holofotes. Os ventos de 2026 sussurram seu plano audacioso: um voo solo, profundo como o mergulho no Recôncavo, convocando setores inteiros a curvarem-se em homenagem — e, claro, a abrir os cofres em aplauso uníssono. Mas ai do polímata que ignora o enigma do Horto: nos círculos políticos consolidados, o dinheiro é mero convite à dança; o verdadeiro pulo do gato é a arte de partilhar os louros, sem devorá-los vorazmente. Ele avança, multifacetado como um espelho quebrado, mas o sertão político ri baixo: quantos voos terminam em solo movediço, onde a glória alheia é o único troféu que não derrete? O ano vira página, e Salvador aguarda o pouso — ou o tombo.

Não leal
O ex-presidente da ALBA, Nelson Leal (PP), parece ter encontrado um novo altar político para rezar. Depois de anos orbitando o grupo de Jerônimo Rodrigues (PT) e falando cobras e lagartos de ACM Neto (União Brasil) pelas costas, agora o deputado virou coordenador da campanha do ex-prefeito. A saber.

Hora de fazer o L?
Presente no lançamento do Plano de Segurança de Salvador, o deputado bolsonarista Capitão Alden chamou a atenção pelo comportamento amoroso com o governador do Estado, o petista Jerônimo Rodrigues. No evento, Alden ainda elogiou a gestão da Segurança Pública da Bahia, bateu continência e apertou a mão do aliado de Lula. Entre o deputado e o governador, o clima era de amizade. O que será que Jair Bolsonaro achou do novo amigo de Alden?

O bode de Itapetinga
Na caldeira política de Itapetinga, onde o boi pastoreia mais que votos, o ar ferve com vídeos que pipocam na imprensa como rojões de São João fora de época — ligando o ex-prefeito e aspirante a deputado estadual Rodrigo ao fantasma da Operação Overclean, essa caça às raposas de emendas bilionárias. Acusações voam nos grupos de WhatsApp como flechas envenenadas, aquecendo o caldeirão a ponto de caciques baianos e até federais se debruçarem, binóculos em punho, farejando o cheiro de escaldante. A candidatura do rapaz? Pende como corda bamba sobre o abismo: um desabar pode abrir as porteiras para os deputados habitués da cidade do boi — aqueles que pastam sem sujar os chifres. Salvador observa de longe, mas o vento do Sudoeste já carrega o mugido do veredicto: quem sai ileso quando o fogo lambe as urnas — o boi ou o bode?

Classificação Indicativa: Livre

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