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SUMIÇO EM SÉRIE: Paraíso turístico de luxo vira palco de desaparecimentos sem explicação no Brasil

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A falta de informações e o medo de represálias dificultam as investigações sobre os desaparecimentos na região  |   Bnews - Divulgação MTur Destinos
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 25/03/2026, às 07h19 - Atualizado às 07h28



Um destino conhecido pelas águas cristalinas e pelo turismo de alto padrão passou a chamar atenção por um motivo bem diferente: uma sequência de desaparecimentos que ainda não teve resposta.

Em pouco mais de dois anos, 19 pessoas sumiram em cidades que fazem parte da chamada rota ecológica dos milagres, no litoral norte de Alagoas. A região reúne três municípios: São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras e Passo de Camaragibe. Só neste ano, já são três casos confirmados. O levantamento foi feito pelo Uol.

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Segundo a reportagem, a situação tem mobilizado autoridades, que enfrentam dificuldades para avançar nas investigações. Um dos principais obstáculos é o silêncio de moradores de áreas mais vulneráveis, onde há atuação do tráfico de drogas. O medo de represálias tem dificultado a coleta de informações.

Ainda segundo a publicação, o crescimento do turismo e dos investimentos na região também acabou atraindo a presença de facções criminosas. O domínio de comunidades fora da orla teria ampliado a atuação do crime organizado, principalmente no tráfico.

Segundo as investigações, a facção que atua na região é o Comando Vermelho (CV). De acordo com a polícia, o grupo teria ampliado a atuação nas cidades da rota turística, especialmente no tráfico de drogas e no recrutamento de jovens. Também há relatos de que a presença da facção contribui para a chamada “lei do silêncio”, dificultando as investigações.

Além dos casos de desaparecimento, as pacatas cidades também vêm registrando um número elevado de assassinatos. Em 2025, foram contabilizadas 23 mortes; em 2024 e 2023, 20 casos em cada ano; em 2022, o total chegou a 33 homicídios; já em 2021, foram registrados 7.

De acordo com o Ministério Público do Estado, o perfil das vítimas costuma se repetir: em geral, jovens do sexo masculino, muitos com algum tipo de envolvimento com drogas.

A polícia investiga se um corpo encontrado recentemente em uma área de mata pode ser de uma das pessoas desaparecidas. Ainda assim, a maioria dos casos segue sem solução.

Delegados que atuam na região apontam uma mudança na forma de agir dos criminosos. Em vez de crimes mais explícitos, há indícios de ocultação de cadáver, o que dificulta ainda mais o esclarecimento dos fatos.

Outro fator que agrava o cenário é o clima de medo. Há relatos de testemunhas que evitam colaborar com as investigações após episódios de violência contra quem teria ajudado a Justiça.

Apesar das operações policiais frequentes, o número de desaparecimentos segue alto em comparação com outras regiões do estado.

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