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"Tem gente que vende vaga no Carnaval como 'partido de aluguel'

Imagem "Tem gente que vende vaga no Carnaval como 'partido de aluguel'

Cantor desabafa e avalia a atual situação da maior festa popular do planeta

Publicado em 30/01/2013, às 16h35        Caroline Gois (twitter: @goiscarol)

O cantor Ricardo Chaves - que já 'carrega na mala' mais de 30 anos de Carnaval, sendo 20 destes de desfile na Avenida de Salvador, aproveitou a manhã desta quarta-feira (30) para, mais uma vez, desabafar e explicar aos foliões porque ficará fora da festa este ano. "Tem gente que vende vaga", criticou o cantor durante entrevista no programa Balanço Geral.

Segundo Ricardo Chaves, "há muitos anos, os desfiles dos blocos ocorriam de forma desordenada. Foi necessário que se criassem mecanismos para organizar as coisas. Com a participação de blocos, artistas, imprensa e empresários, sob a coordenação da Prefeitura, surgiram a fila e os horários definidos para ordenar os desfiles. Na época, concordei que, mesmo sem ser necessariamente o mais justo, o critério adotado de se formar a fila levando em conta a antiguidade do bloco, era o que melhor cumpria o papel de tentar organizar a festa", registrou o puxador de trio em artigo, divulgado com exclusividade no site Bocão News.

No artigo o artista explica como é feita esta venda: "Assim foi feito e o Carnaval de Salvador foi ganhando cada vez mais espaço e conquistando mais admiradores. Com o passar dos anos, assim como na política atual existem partidos de aluguel, surgiu então a figura dos blocos hospedeiros. A lógica é simples: quem conquistou a vaga no passado e deixou de desfilar, continuou com ela passando a alugá-la. Quem paga mais, ganha o “direito” de ocupar, quase sempre provisoriamente, o espaço. Essa prática desaguou na aberração de se ver na programação oficial dos desfiles, blocos com denominações inusitadas do tipo “bloco x/y”. Traduzindo para os leigos: x= nome do bloco “dono” da vaga, y= nome do bloco que pagou a x e ganhou o “direito” de desfilar no seu lugar".



Para o dono do sucesso 'É o Bicho" - que marcou carnavais - "é de responsabilidade da coordenação do Carnaval rever as regras e estabelecê-las. Eu gostaria de tocar na avenida, local que passei por duas décadas. Eu tenho uma história e tive uma representatividade", disse, comparando os dois circuitos: "A Barra é chatíssima. Temos que tocar e parar nos camarotes. E o folião que pagou seu bloco? No circuito da Avenida a gente arrasta pessoas", afirmou.

Ricardo Chaves avalia que o Carnaval da Bahia deveria ser para a comunidade, para os bairros. "Tinha que ser voltado 100% para o povo. Tem um bocado de juventude que opina, mas as coisas são ditas e os números não mentem. Os turistas estão deixando de vir e os soteropolitanos estão saindo daqui", ressaltou.

Para ele, muita coisa se perdeu na folia baiana. Não só a vaga que é comprada, mas o sentimento que leva o folião a escolher o artista. "Manter a fidelidade dos blocos é fundamental. Antes, todos os foliões eram como uma torcida. Hoje, somente o Chiclete com Banana consegue isso. Bell é o artista que representa o verdadeiro Carnaval", finalizou.


Foto: divulgação

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